O fim da Banca portuguesa

No concurso mundial da corrupção e do degredo, Portugal ocupa, na opinião de uma grande quantidade de portugueses, o lugar cimeiro do pódio. A quem ouvir povo e comentadores honoris causa não sobrará dúvida que Deus, cujo Nome é santo, escolheu este canto da bela Europa, para não usar o étimo que igualmente designa o lugar fisiológico de extracção do que já não presta, para plantar uma nação de ladrões.

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A excelente forma de Ricardo Salgado

PT/Vivo: conferência de imprensa do BES

© LUSA (http://bit.ly/1qry4VZ)

Sed cum legebat, oculi ducebantur per paginas et cor intellectum rimabatur, vox autem et lingua quiescebant.

Santo Agostinho (354430)

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Gostei imenso do discurso que Ricardo Salgado proferiu ontem na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. Por motivos profissionais, não pude assistir à audição. Contudo, o Público e o Expresso publicaram o excelente texto do ex-presidente do Banco Espírito Santo.

Vejamos alguns (sim, só alguns) dos melhores momentos:

Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.

Aliás, até proponho que Salgado seja distinguido com uma menção honrosa, devido à destreza com que adoptou grafias extremamente perigosas, como percepção, perspectiva, perspectivas, respectiva, respectivos e ruptura.

Muito bem, Ricardo Salgado. Óptimo. Excelente.

É evidente que estes “muito bem”, “menção honrosa”, “óptimo” e “excelente” devem ser lidos à luz da máxima atribuída por Daniel Dennett (p.21) a Gore Vidal: “It is not enough to succeed. Others must fail“.

“Others must fail”. Pois, claro. Sim, ‘others’. Efectivamente, os do costume.

Depois de apreciado o desempenho ortográfico de Salgado, debrucemo-nos sobre a habitual salgalhada do Diário da República:

dre 9122014Exactamente: ontem, no sítio do costume.

Actualização (11/12/2014): Sim, sim, reparei no *eminente. Contudo, atenhamo-nos ao AO90. 

Manuel Pinho nunca existiu

Nem a Maria de Belém se meteu com o Espírito Santo. É preciso ter lata.

Assumo

Perante isto, declaro: quero que o BES se foda. Todo. De preferência com a família na prisão. Eu e milhões de vítimas de Hitler e Pinochet.

1, 2, 3 repita lá outra vez

4,5,6 são só mé duzia de réis. O BES, o banco de todos os regimes, o antigo banco do teso do Salgado, uma das bocas que pediu o resgate a Bretton Woods, uma das bocas que evitou a todo o custo mamar da teta da recapitalização (não interessava muito ter o estado como accionista e ter que comprar dívida portuguesa assim que o país pudesse ir aos mercados) nem que para isso tivesse que ir várias vezes aos mercados financiar-se a curto prazo com juros de 14% (sim, 14%), o tal banco que tinha um dos seus administradores interessadíssimo em saber (dos freelancers entalados na governação) certas informações sobre a possível privatização da HPP (ramo da CGD no sector da saúde), está falido? Is Broken?

As armadilhas da pub online

bes
Para compensar a publicidade encapotada que tem enchido capas de jornais fica este momento haja esperança, quanto ao Banco Espírito Santo nada de novo na sua tradição secular de antro de malfeitores.

A caminho da Comporta

pifaradas espirito santo

Pifaradas e Zambumbadas dos Pastores com BES em fundo, Coimbra.  Fotografia de Carlos Jorge (Cajó)

Portugal e o passado

O tempo de antena da campanha eleitoral do FMI na RTP chama-se Portugal e o Futuro, passa em horário nobre, é como era de esperar mete nojo.

Zapei por ali há bocado. Fátima Fretes Ferreira entrevistava o actual presidente do BES. Coincidência significativa: o banco que negociava com a Alemanha nazi, num programa que foi buscar o título a um livro de António de Spínola, o homem que começou a carreira militar combatendo pelos nazis e a acabou como chefe de um grupo terrorista.

Tudo impune, é claro. Como duvido que a senhora lhe perguntasse sobre o negócio dos submarinos, mudei de canal, é claro.