Concursos de professores, a minha proposta

Os concursos de professores foram, em tempos, uma causa nacional. Vivi por dentro, nesta temática, a incompetência de sucessivos governos. Uns atrás dos outros e, quanto mais mexiam, pior a coisa ficava.

Até há uns dez anos, a coisa era simples:

  • nota de curso (faculdade) + tempo de serviço ( um valor por cada 365 dias)*.

Desta “fórmula” resultava uma graduação profissional e foi com esta metodologia que a Escola Pública se afirmou como um dos pilares da nossa democracia. Historicamente, os professores começavam o seu percurso profissional (carreira, era assim que se chamava uma coisa que existiu em tempos) longe de casa, iam concorrendo para se aproximar e como tudo tinha uma lógica, uma racionalidade suportada num sentimento de justiça e de igualdade, era um modelo consensual.

Com Maria de Lurdes, a confusão instalou-se com sucessivas alterações que mexeram no que era mais sagrado – a tal fórmula e começou a existir um acumular de injustiças que tornam quase impossível criar um novo modelo de concursos. Teoricamente, só um momento zero, em que todos os professores, mesmo os “efectivos há 30 anos”, iriam a concurso poderia trazer justiça às escolas. Mas, esta proposta, de tão estúpida, é impossível de aplicar e por isso, só podemos pensar num processo que possa ser justo, mesmo sabendo que assenta em injustiças.

E qual seria esse modelo? [Read more…]

Debater… Concursos de Professores

debater-escola-publica-e1467571337416Agora que o mês de Agosto se foi e com ele o único momento do ano em que os professores podem gozar os seus dias de férias, podemos voltar ao debate em torno da Escola Pública. Para este mês trazemos à antena o tema dos concursos de professores.

O enquadramento é desnecessário porque todos os leitores estão fartos de ouvir falar destas coisas e não me custa a acreditar que todos terão na cabeça esta pergunta: não é possível colocar os professores nas escolas sem que a confusão seja a norma?

Vamos começar por referir que o interesse maior da Escola Pública são os alunos e não os professores. Ou seja, o concurso de professores terá que ser um mecanismo de gestão de recursos humanos que permita o melhor ambiente escolar para os alunos. E há duas ou três exigências básicas:

  • Professores colocados a tempo e horas nas escolas;
  • Relação professores / alunos tão estável quanto for possível.

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A cabeça de um ministro por 0,8%

As trapalhadas de Pedro Passos Coelho em torno da escola nos últimos três anos têm sido o pano de fundo para tantas e tantas declarações ignorantes que saltaram para o espaço mediático.

Nos últimos dias houve uma nota dominante: Pedro Passos Coelho falhou na colocação de professores e isso é a prova de que não é possível fazer um concurso nacional para colocar os professores.

Ora, nada mais falso, como já procurei provar ontem. O concurso não falhou por ser central e nacional. Essa foi a parte que correu bem. O erro aconteceu quando Pedro Passos Coelho o tentou passar para o nível local. Aí é que o porta-aviões foi ao fundo.

Os laranjas de serviço colocaram também em cima da mesa um argumento que se vira contra o próprio governo: os erros aconteceram apenas com 0,8% dos professores. Se esta afirmação for verdadeira, atendendo a que há cerca de 100 mil docentes na Escola Pública, estaremos a falar de um universo de 800 e não de 150 como foi dito pela tutela. Mas, a ser verdade uma coisa ou outra, de onde surge tanta confusão? Acreditam mesmo que foram apenas 150 os professores envolvidos nesta confusão. Se assim fosse, um mês não seria suficiente para os colocar? Até à mão, os serviços teriam tempo para o fazer. É claro que não foi essa a dimensão do problema.

Podem correr e saltar e até sugerir que deve ser o Ricardo Salgado, do BES mau, a escolher os professores segundo os apertados critérios familiares, porque, todos o sabemos, os nossos gestores são todos fantásticos.

Mas, os factos estão aí para o provar: sempre que o Governo (este e os outros) respeitou a graduação profissional, os concursos correram bem. E, ao contrário, sempre que o Governo (este e os outros) desrespeitou a graduação profissional, a coisa correu mal.

Logo, parece-me que por causa de uns míseros 0,8% de docentes contratado não vale a pena arriscar a cabeça de um ministro.

Fazendo uso da nova imagem da cidade do Porto: GRADUAÇÃO.

Graduação é o tempo de serviço e a nota da formação. (ponto!)

Os erros do Governo na colocação de Professores são recorrentes e consequência da dificuldade em gerir um processo muito fácil de conduzir. Não fosse o caso de estarem neste momento vários incompetentes à frente do MEC até porque há escolas, há alunos, há professores. Não há é aulas. Certamente, um detalhe, sem importância.

É só meter o Excel a funcionar e está a “andar de moto“. Confesso que já não dou para o peditório Crato – ele, um cadáver político, que entrou como o mais rigoroso de todos os rigorosos, desceu por um plano inclinado e acabou desfeito no chão da 5 de outubro. Sobre ele, the end!

Agora, quanto aos concursos, calma aí, porque os laranjinhas não vão ficar a falar sozinhos.

Vamos lá então, explicar estas coisas, especialmente a si, caro leitor, que de profs percebe pouco, mas que tem alguma curiosidade em entender como é que cerca de 100 mil professores são colocados.

As regras dos concursos, tradicionalmente, juntam dois factores: nota da formação inicial com o tempo de serviço (um valor por cada ano de serviço). Um professor que acabe o curso com 14 e trabalhe 3 anos irá concorrer com 17 e um professor que acabe com 16 e trabalhe um ano concorre com a mesma graduação: 17.

Foi assim durante muitos anos, até que um dia, uma senhora, agora condenada, resolveu inventar a roda e começar a pensar em esquemas alternativos de alocar os seus recursos humanos às unidades de gestão (esta frase saiu mesmo perfeita, não????). [Read more…]

Há alunos sem aulas. Muitos!

O país tem acompanhado com particular apreensão o processo de colocação de professores. É verdade que tem dado mais atenção à casa dos segredos, mas talvez a certeza de que ainda há uns milhares de alunos sem aulas ajude a perceber que deve haver um conjunto bem significativo de famílias que percebe o alcance do que está a acontecer.

Se por um lado, Nuno Crato causou prejuízos aos Professores, as consequências que todo o processo está a ter na escolas e nos alunos é difícil de quantificar. Há, por todo o país, uns milhares largos de alunos sem professor, enquanto estes continuam, desempregados e desesperados, em casa sem alunos.

E, ao contrário do que diz o Marques Mendes ou quem se coloca ao nível dele, o problema não está na existência de um concurso nacional para todos os docentes. Aliás, mesmo este ano, enquanto o concurso foi nacional, nada de tecnicamente errado aconteceu. A incompetência do Sr. Ministro só se manifestou quando tentou destruir o concurso nacional e multiplicar por cada escola um processo que seria muito mais fácil de concretizar e claramente mais transparente se continuasse a ser nacional.
Neste momento o ponto de situação é simples: com o modelo criado, Nuno Crato não vai conseguir terminar o processo.
Dito isto, importa agora avançar com soluções para o problema, uma vez que os dias passam e o MEC continua sem conseguir desatar o nó.

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Profs: Publicadas as listas de graduação

Ou antes, estão divulgadas as listas que antecedem o despedimento.

Concurso de professores e as prioridades – público e privado

Começar um texto com duas ligações externas vai contra todas as regras, mas o fundamental é a discussão e essa surge depois destas duas sugestões:

– no pé-ante-pé podemos encontrar um excelente trabalho de comparação entre a legislação em vigor e a proposta do MEC;

– no Educar a Educação podemos ver um esquema que mostra uma possível consequência da proposta do MEC.

E ainda antes de ir ao ponto quente da discussão virtual entre os docentes, importa colocar as coisas no tom certo:

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