PS quer suspender militantes

Segundo dá nota o jornal PÚBLICO, a direcção do Partido Socialista prepara-se para instaurar processos disciplinares aos militantes – foram centenas – que integraram listas que concorreram contra o próprio PS nas ultimas eleições autárquicas. Nada a dizer, a não ser cumpra-se a lei e os estatutos do partido.

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A resistência em construção

Quem pensa que podemos sair do buraco onde nos meteram sem os partidos de esquerda está muito enganado. Os partidos de esquerda que pensam chegar a algum lado sem a mobilização dos que estão fartos de partidos e se querem manter independentes não vão longe.

Como se conjuga uma e outra coisa tem sido o problema.

Começou por se fazer na rua, em manifestações que, melhor ou pior geridas, colocaram a mobilização noutro patamar. Estas eleições permitiram ensaiar outro degrau. Falo dos movimentos de cidadãos independentes com ou sem apoio de partidos, e em particular daquele onde estou, o dos Cidadãos por Coimbra.

Juntar organicamente as mais diversas e pessoais vivências de esquerda é complicado. Inclui paciência, tolerância, e naturalmente conflitos, mal-entendidos, chatices: faz parte do fazer política. Só os que se fazem com a política não sabem o que isso é. Procurar consensos, e eles não sendo obrigatórios ajudam ao caminho, dá trabalho.

A transparência, a participação, o combate aos negócios autárquicos de todos os dias, unem. Como o pensarmos os vizinhos como a medida da cidade, aquilo a que sempre se chamou e tem de voltar a ser orgulho, o sermos progressistas.

Falta muita gente, organizada ou não? falta. Lá chegaremos.

Aquilo que já foi feito, a uma semana dos resultados, é promissor. Vários percursos na esquerda, várias correntes, muitas já históricas, e sobretudo quem nunca teve nada que ver com isso, todos sabendo que acima está aquilo que nos une, muito mais forte do que os divididos. Nada como amar a cidade e concelho onde vivemos para nos facilitar a vida:

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Vídeo do Tiago Cravidão, digamos que a produção foi minha.

A cidadania em cartaz

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Albert Einstein revisitado, num cartaz para as eleições autárquicas  de Coimbra que bem o poderia ser de tantos concelhos. 

Duas notas: o traço corresponde ao Mondego que por aqui passa, há outra versão com a linha em tempos muralhada da cidade. Por mim falta ali uma outra cor, o azul da CDU (em quem votei várias vezes e que foi convidada a participar neste movimento de cidadãos assumidamente de esquerda mas que apenas obteve o apoio declarado do BE e MAS), que na maior parte destes anos se governou com PS, PSD e CDS, mas compreendo as razões da candidatura independente dos Cidadãos por Coimbra na escolha dos seus alvos.

Independentes, a nova caderneta de cromos

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As desavenças entre os cromos de topo dos partidos políticos, recorrentemente os do arco de poder, aparecem sempre em vésperas de eleições, que se constituem assim como feira de vaidades para os egos esdrúxulos de muitos políticos que medram nas máquinas partidárias ao sabor de ambições pessoais e, quando o partido os pretere, não têm pejo em se hastearem como independentes, permitindo-se morder a mão de quem os ajudou a alcandorarem-se social e politicamente. Tantas vezes com o único mérito de serem o que são: arrivistas.

A lógica partidária tem ciclos de influência, e todos os militantes deveriam saber que, em determinado momento, as eminências serão outras, há que respeitar a alternância, virtude que todos reclamam para os outros como mandamento democrático, mas de que esquecem quando a “desgraça” lhes bate á porta.

Matosinhos está mais uma vez no topo desta lógica independentista de políticos outrora nas boas graças dos aparelhos partidários. [Read more…]

MUDAR – a escolha democrática

Uma das propostas de Pedro Passos Coelho é mudar as regras relacionadas com o voto e os sistemas eleitorais.

O objectivo é aproximar cidadãos e eleitos bem como uma maior capacidade, por parte dos primeiros, de acompanhar e mesmo de controlar os actos políticos dos segundos. Esta proximidade é essencial para a consolidação e renovação da nossa democracia com consequências significativas na qualidade do seu exercício.

Actualmente, o que temos é um sistema com listas de candidaturas forjadas pelas direcções dos partidos, onde ascendem os mais consonantes com elas, escolhidos muitas vezes com grande dissonância com as comunidades locais e, depois de eleitos, distantes ou mesmo alheios aos seus anseios mais candentes.

Uma solução possível consiste em adoptar, como sistema eleitoral e no caso das legislativas, um sistema misto, criando, por todo o país, os chamados círculos uninominais, que elegem apenas um candidato, pelo método maioritário, ou seja, ganha o que tiver mais votos. Uma vez eleito aquele deputado estará indissoluvelmente identificado com a sua região e os respectivos eleitores.

A par, podemos ter um grande círculo nacional, onde concorrem listas de partidos e de grupos de cidadãos, estes devidamente registados e apoiados por um número representativos de eleitores. Os candidatos seriam eleitos segundo o método proporcional, tal como agora.

Outra hipótese é a divisão do nosso tecido eleitoral em círculos mais pequenos, que não excedam dez deputados, em que a escolha destes, nas listas apresentadas pelos partidos ou organizações, possa ser a do chamado voto preferencial, ou seja uma escolha feita pelos próprios eleitores, independentemente da ordem em que os candidatos se encontrem nas respectivas listas.

Este método permitia não só manter a proporcionalidade, como ainda que a escolha não estivesse pré-formulada segundo a orientação dos directórios dos partidos mas fosse feita pelos eleitores. [Read more…]