O Macaco na mão de Buda

Estamos num ponto da nossa vida colectiva que não é fácil ler e compreender com lucidez.

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25% de ilusão

adão cruz

Não te zangues porque ninguém se enamora de alguém com público carimbo na cara.

Quem de nós sente a liberdade ou a prisão de um devaneio com alguma elegância de formas tece as malhas de uma afeição.

Vinte e cinco por cento de ilusão neutraliza a depressão faz dormir que nem um justo e as coisas são o que são nem surpresa nem desdobramentos de personalidade nem pensamentos duplos nem amargos de lágrimas.

Como é bom conversar contigo ó ilusão assim calado e mudo vazio da minha posse e do meu abrigo.

Sempre nos perdemos naquele instante que começa a dominar mas é uma fraca ideia pensar ir longe e sem ir querer ter a sorte de voltar.

Deste mundo à real intimidade vai um passo inevitável cerimonioso sonhador penetrante mas sem tacto e sem cor.

Vinte e cinco por cento de ilusão impede de adormecer às três e acordar às cinco não desonra amigos e inimigos nem dá ares de inocência falsa.

Surpreende apenas o delírio escondendo o vivo interesse da inconsequência que é ensejo de todos nós.

Surpreendem as razões inquietas das pessoas equivocadas que gemem angústias no conspurcar dos seus intentos.

Vinte e cinco por cento de ilusão é sentimento que garante provas positivas.

Não acreditando nele acredito agora com nobre intenção voz clara e firme sem mostras de arrependimento sem buscas de coerência nem condições de entender porque o idiota é crer no poder do entendimento.

A presunção de inocência

O que vale a pena, tem sempre que ser conquistado, com determinação, com convicções, com muitas desilusões, mas há que porfiar e não desistir.

Uma delas, e esta reflexão resulta de vários comentários cruzados que temos tido aqui, é a questão da Justiça. Para além do que se pode fazer, melhorar a organização, assentar a progressão no mérito, introduzir meios modernos de gestão e informática, há algo com que temos de viver, sob pena de colocarmos em perigo a nossa liberdade.

As garantias que são dadas a todo e qualquer suspeito ou arguido de ter direito à sua defesa, de constituir advogado, de ter acesso ao processo, de se constituir assistente, gozar de tantos direitos que há quem lhe chame “garantismo”, isto é, que vai para além das garantias razoáveis, são uma uma trave mestra da Liberdade!

Mas tudo isto pode ser condensado numa frase. É preferível ter culpados livres, sem castigo, sejam quantos forem, do que ter um só inocente na prisão!

E este principio tem que ser levado até às últimas consequências, correndo o risco de favorecer quem tem mais meios para melhor se defender, ver casos de pessoas que uma e outra vez não são sequer acusados, pese embora as suspeitas, e mais que suspeitas, provas que aparecem na opinião pública, mas que não têm valor probatório em Tribunal.

No caso dos políticos, há o nível político e o nível do cidadão. Ao nível político, eu sou de opinião que um homem público não pode ficar indiferente ao que a opinião pública pensa dele, mesmo que nada esteja provado em Tribunal. Trata-se de alguem que está fragilizado perante os muitos interesses que tem que enfrentar, perde capacidade e eficácia na resolução dos problemas da governação.

Ao nível pessoal esse homem tem todos os direitos que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa. Não pode ser considerado culpado, e goza da presunção de inocência, enquanto não transaccionar em Julgado, decisão de Tribunal competente para o condenar.

É assim  o Estado de Direito! Podemos arrancar os cabelos, podemos não acreditar, podemos zangarmo-nos uns com os outros, mas aquele principio é sagrado!

Ai, de nós se assim não fosse!

PS: sou o mesmo LM que ataca uma e outra vez Sócrates e os outros políticos. Não estão enganados. Mas nunca me leram a dizer que são culpados. Mesmo no auge do Freeport, para além dos boys de serviço, eu fui dos poucos que nunca deixou cair essa dúvida. E se não for culpado?