Efeitos secundários do Estado de Emergência

Quando o normal funcionamento do mercado de trabalho é travado por decreto, os trabalhadores são os principais lesados. Sob o pretexto de combater a pandemia, muitos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos foram restringidos ou até eliminados.
Presidente da República e Governo, usaram e abusaram do Estado de Emergência, adiando vidas, anulando projectos, destruindo sonhos, prejudicando a vida de muitas pessoas. Como sempre acontece, os mais qualificados, são os primeiros a porem-se ao fresco, longe do Estado, antes que os políticos voltem à carga com mais Leis…

Os médicos que matam a esperança

Laura Santos

filme-hijackingCom Capitão Phillips, pensava que iria ter apenas uma “tarde de cinema” para espairecer, com o meu muito apreciado Tom Hanks. Enganei-me.
Como muitos saberão, o filme baseia-se pelo menos no facto real de ter havido pirataria ao largo da Somália. Resumidamente: o navio de carga é assaltado pelos piratas e o nosso capitão Tom Hanks é feito refém.
Os militares americanos acabam por matar os piratas e salvar o capitão, mas ele, depois de uma fase de grande autocontrolo, já se encontra muito abalado, em estado de choque. A bordo do navio militar, uma enfermeira faz-lhe algumas perguntas para ver como reage. No final, repete-lhe, enquanto o deita numa cama: “You’re safe, now, captain, you’re safe!”. Ao ouvir estas palavras, as lágrimas começaram a correr-me pelo rosto. De repente, vi à minha frente a sala de espera do IPO, os rostos de tristeza com que lá me deparei, o rol de ameaças de morte precoce que os médicos me dirigiram, as biopsias que tive de fazer, as tentativas de concretizar o tratamento paliativo que me ofereciam, enquanto esperaria a morte, a necessidade de me aposentar da Universidade por “incapacidade”, as dores fortes que tenho tido por causa da mastectomia funda a que fui submetida, toda esta necessidade de manter o medo sob controlo, num país em que nem sequer tenho a possibilidade de uma morte assistida legal se tudo correr pelo pior. E, de repente, só quis que alguém me deitasse também numa cama para descansar e me dissesse: “You’re safe, now, Laura, you’re safe!”. [Read more…]

Mudam-se os tempos…

Pois é, pois é, isto com as evoluções tecnológicas dá para apreciar como os tempos vão mudando. Ainda se vivia na ilusória bonança e lá se exibiam as engenhocas – cujo nome chique é “gadgets” – que fascinam grande parte dos consumidores. A mim fascina-me antes a evolução das nomenclaturas, ao sabor dos tempos: já foram “aipodes”, passaram a “aipedes” e, quem sabe, se os próximos não serão “aitroika” ou “aifoge”.

A ver vamos…