Antero de Quental

Há uma Alma em tudo. Nas pedras, nas plantas, nos animais, nos seres humanos. Há uma Alma no vento e nas estrelas, no mais longínquo ponto de luz deste Universo. De qualquer Universo. Quando o legislador conferiu ao animal (Anima, Alma) um estatuto jurídico superior ao de “coisa”, mais não fez do que iniciar o caminho que leva ao reconhecimento social e normativo da Alma de todas as coisas, da rocha aos anjos e mais além. E mais aquém.

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Devir

“Dos fundamentos da República (…) resulta com toda a evidência que o seu fim último não é dominar nem conter os homens pelo medo e submetê-los a um direito alheio; é, pelo contrário, libertar o indivíduo do medo a fim de que ele viva, tanto quanto possível, em segurança, isto é, a fim de que ele preserve o melhor possível, sem prejuízo para si ou para os outros, o seu direito natural a existir e a agir. O fim da República, repito, não é fazer passar os homens de seres racionais a bestas ou autómatos, é, pelo contrário, fazer com que a sua mente e o seu corpo exerçam em segurança as respectivas funções, que eles usem livremente da razão e que não se digladiem por ódio, cólera ou insídia, nem sejam intolerantes uns para com os outros. O verdadeiro fim da república é, de facto, a liberdade*”.

Bento Espinosa

*”A paixão que Espinosa coloca na origem última do Estado é, como faz Hobbes, o medo. Simplesmente, enquanto este considera que para afastar o medo recíproco que os homens têm uns dos outros é necessário que todos temam o Estado, o autor do TTP sustenta que a melhor forma de superar essa paixão é contrapor-lhe outra, a esperança, criando as condições para que todos possam, na medida do possível, ou melhor, do “compossível”, exercer em segurança a sua actividade. É a doutrina da Ética (IV parte, prop. 7): “uma paixão não pode ser reprimida ou contida a não ser mediante uma outra que lhe seja contrária e mais forte”. O verdadeiro fim do Estado não é, pois, como tantas vezes tem sido interpretado, fazer com que os homens usem da razão, mas sim que eles possam usar livremente da razão.”

Diogo Pires Aurélio

 

Evolução

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo…

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo…

Hoje sou homem ‑ e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade…
Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental

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A Venezuela de Hugo Chávez ou a cegueira ideológica de alguns

venezuela
A democracia que Hugo Chávez implementou na Venezuela não é propriamente o meu tipo de democracia. Censura à imprensa, culto do chefe e por aí fora não fazem parte do meu conceito de liberdade.
No entanto, os números económicos e sociais de Chávez falam por si:
– a pobreza diminuiu cerca de 20%.
– a pobreza extrema diminuíu 73%.
– as desigualdades sociais baixaram de 0,46 para 0,39 – o número mais baixo da América Latina.
– os gastos sociais aumentaram de 8 para 14% do PIB.
– o PIB aumentou de 8 mil para 13 mil dólares.
– o Salário mínimo subiu 26,5%, sendo hoje o maior da América Latina.
– o Subsídio de Refeição passou a ser obrigatório para todos os trablhadores.
– o desemprego baixou de 14,9% para 5,9%.
– a economia informal diminuiu 5%.
– o analfabetismo diminuiu 5% – a UNESCO considera a Venezuela território livre de analfabetismo.
– a mortalidade infantil diminuiu 5%.
– a esperança de vida aumentou 2 anos.
– o Índice de Desenvolvimento Humano aumentou de 0,65 para 0,73.
– os venezuelanos passaram a ter acesso gratuito à Educação e à Saúde, com a construção de mais de 7 mil clínicas populares, cerca de 600 centros de Diagnóstico Integral e Salas de Reabilitação Integral e mais de 20 centros de Alta Tecnologia. 25 mil médicos passaram a trabalhar junto da franja mais pobre da população. O número de médicos aumentou de 1628 para quase 20 mil. [Read more…]

Na morte de Agostinho da Silva (3-4-1994).

Passou discreto o aniversário sobre a morte de Agostinho da Silva (Porto, 13-2-1906 – Lisboa, 3-4-1994) talvez porque este filósofo, ensaísta e pedagogo pretendia mudar o mundo a partir de dentro, pelo espírito e não por fora, com retórica política ou cocktails molotov. Agostinho da Silva nasceu, viveu e morreu como os da sua espécie, desde o padre António Vieira, passando por Sebastião da Gama ou Sophia de Mello Breyner: discretamente arrumados para um canto, ofuscados por conveniências do politicamente oportuno e do pretenso discurso renovador dos Espertos, essa classe transversal à sociedade portuguesa. Ele, que não era do Heterodoxo, nem do Ortodoxo, mas do Paradoxo devia estar mais perto da Certeza. Nós, humildes aprendizes ou convictos ignorantes, achamos que não. Em todo o caso, neste tempo convulsivo convém reler algumas das suas obras e reflectir sobre as suas palavras, como as que se seguem, retiradas da biografia sobre Frederick William Sanderson (1857-1922):

A revolução obriga a um dispêndio de energias que não estão de modo algum em relação com os resultados obtidos; a ilusão de todos os revolucionários da história tem sido a de que, depois do movimento, se encontrariam num mundo perfeito, absolutamente de acordo com a construção teórica ou respondendo ao impulso de generosidade que os levou à acção; o estudo da história mostra, segundo Sanderson, o contrário: depois de todo o tumulto em que os melhores se perdem, depois de toda a confusão das derrocadas, verifica-se que foi mínimo o progresso e que os homens que atingem um nível de repouso não estão na realidade, muito longe do ponto de partida. [Read more…]

Mudam-se os tempos…

Pois é, pois é, isto com as evoluções tecnológicas dá para apreciar como os tempos vão mudando. Ainda se vivia na ilusória bonança e lá se exibiam as engenhocas – cujo nome chique é “gadgets” – que fascinam grande parte dos consumidores. A mim fascina-me antes a evolução das nomenclaturas, ao sabor dos tempos: já foram “aipodes”, passaram a “aipedes” e, quem sabe, se os próximos não serão “aitroika” ou “aifoge”.

A ver vamos…

200 anos e 200 países em 4 minutos

a restauração revisitada

a penísula Ibérica em 814

Fiquei a pensar que a cronologia histórica é uma permanente restauração. Não apenas de dinastias, bem como de pessoas, se a entendermos como reparar, restabelecer no seu sítio o que estava mal colocado em outro. No entanto, a restauração procurada por nós, tem outra definição: restituir ao poder (uma dinastia, um governo).

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A Evolução do Ensino

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A Interessante evolução do ensino

Que tristeza…..
A evolução do ensino de Matemática!
Na semana passada comprei um produto que custou 1,58€.

Dei à funcionária da caixa 2,00€ e 8 cêntimos, para evitar receber ainda mais moedas.

A rapariga pegou no dinheiro e ficou a olhar para a máquina registadora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar-lhe que tinha que me dar 50 cêntimos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para a ajudar.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar-lhe aquilo que aparentemente continuava sem entender.

Por que estou a contar isto? Porque dei conta da evolução do ensino de matemática
desde 1958, altura em que entrei para a escola primária.

Parece-me que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1958:

Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda .
Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de
venda ou seja, 80$00.
Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00.
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )20$00 ( )40$00 ( )60$00 ( )80$00 ( )100$00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100$00
O custo de produção desse carro de lenha é 80$00.
O lucro é de 20$00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por 100,00€.
O custo de produção é 80,00€.
Qual é o lucro?
Se você souber ler coloque um X no 20,00€.
( )20,00€ ( )40,00€ ( )60,00€ ( )80,00€ ( )100,00€

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por 100,00€.
O custo de produção é 80,00€.
Qual é o lucro?
Se você souber ler coloque um X no 20,00€.
Se você for filiado no Partido Socialista, não precisa responder, porque o seu diploma está garantido.
( )20,00€ ( )40,00€ ( )60,00€ ( )80,00€ ( )100,00€

Fé e doutrina – ciência e razão

Fé e doutrina – ciência e razão

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua “sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está á rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há que deus a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira, a falsificação e o ludíbrio.

Será que o homem é o ser mais desenvolvido da terra?

Será que o homem é o ser mais desenvolvido na terra?

 Com base no que escreve D’Onofrio Rebelión, eu intuo que é pouco provável que as crenças sejam um plano orquestrado por pessoas geniais e lúcidas. É mais provável que as crenças resultem de um processo cumulativo, através dos tempos, no qual confluem pessoas, políticas, religiões, interesses, ritos e costumes. Para a maioria dos humanos, aceitar as crenças que vêm dos antepassados, sem as questionar, é o resultado da grande estratégia de todos aqueles que não têm interesse na evolução mental do ser humano.

 Para uma pessoa de ideologia naturalista e científica do mundo, nada pode ser afirmado ou negado com certeza absoluta. Esta a grande honestidade da ciência. Há coisas que não sendo consideradas impossíveis, podem ser muito improváveis, e há coisas que parecendo improváveis, podem ser, à luz dos conhecimentos, muito possíveis. A probabilidade ou improbabilidade dependem da informação disponível. Sem qualquer dúvida, a informação disponível actualmente contradiz uma grande parte das crenças e dos conceitos mais ou menos cristalizados que nos acompanharam através da vida.

 Os conhecimentos sobre a evolução por selecção natural dos seres vivos explicam a existência destes seres de uma maneira muito mais coerente, muito mais evidente, muito mais lógica e realista do que as crenças ou outras explicações mais ou menos criacionistas. Isto é hoje um facto científico situado ao mais elevado nível dos factos científicos que consideramos praticamente inegáveis. Por outro lado, é impossível que uma observação contradiga a ciência porque a ciência se baseia na elaboração de teorias que não contradizem as observações. [Read more…]