Acabar com o SNS, esse desígnio da direita

SNS

Se em 1979 o PSD social-democrata votou contra a criação do SNS, não há-de ser o PSD liberal, movido por uma agenda ideológica de obliteração do Estado Social e obcecado por privatizar tudo a qualquer preço, que pensará de forma muito diferente: o SNS (tal como este governo) é para suprimir o mais rapidamente possível. Mas anunciar a sua privatização seria gerador de forte contestação por parte da sociedade civil pelo que o esquema deve ser cuidadoso e gradual: primeiro o desinvestimento, com cortes em sucessivos Orçamentos de Estado que explicam em parte o caos, por vezes fatal, que se instalou nas urgências no Inverno passado. Faltam médicos, faltam enfermeiros, entretanto emigrados para o Reino Unido, e falta equipamento. Paralelamente, emerge o sector privado de saúde, que acumula lucros fabulosos com a mesma velocidade a que o SNS se vai desintegrando, com a benção de um governo que até conta com um Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social que foi em tempos lobista ao serviço de um grupo privado de saúde. Por fim, cereja em cima do bolo, nomeia-se um ministro da Saúde com a sensibilidade de um tijolo que, confrontado com a fragilidade de um SNS que vê pessoas morrerem após longas esperas em corredores hospitalares com condições terceiro-mundistas, afirma convictamente que os serviços de urgências funcionam muito bem e que quem diz o contrário são comunistas com agendas obscuras. É uma questão de tempo. Acabar com o SNS é um desígnio desta direita “teapartizada”.

Livrem-nos deste ministro por favor!

Leal II

São dias tristes para a saúde em Portugal: o Jorge sem médico de família, o sector privado a aproveitar a movida ideológica dos radicais que nos governam e que deixaram o SNS de rastos para obter lucros estratosféricos e um novo ministro da Saúde que ou não tem mínima noção do sector que tutela ou nos toma a todos por parvos. Para bem da saúde dos portugueses (física e mental), parece que está a prazo. [Read more…]

O que faz mal às pessoas

O SNS não será nem é sujeito a nenhum tipo de racionamento desta forma. Vamos ter é uma racionalização cada vez mais no sentido de só fazermos às pessoas aquilo que faz bem às pessoas

Fernando Leal da Costa é médico e secretário de estado. Já teve a lata de querer poupar nas terapias que prolongam por pouco tempo a vida de alguns doentes de cancroAgora pelo que se percebe descobriu que o Serviço Nacional de Saúde faz coisas que não fazem bem às pessoas. Não fazendo bem é suposto que ou fazem mal ou são placebos. Ora se isso existisse no SNS não era caso para poupar, mas sim para exterminar. Entretanto começamos todos a desconfiar que  Leal da Costa não é um placebo, faz mesmo mal às pessoas. Precisa de ser removido, com urgência, tal como toda a equipa ministerial de privatização da saúde.

Leal da Costa, poupa na tua família

Descubro que um tal de Leal da Costa, secretário de Estado da Saúde, acha que  “as terapias que prolongam por pouco tempo a vida de alguns doentes de cancro” são uma despesa inútil onde há que poupar.

Isto toca-me. Faz agora dois anos tive uma situação destas com um familiar próximo. Sem mais detalhes que os publicados, a dor pessoal enraivece mas nem toda se partilha, dou por mim a pensar em como esse mês nos foi tão precioso. E dispo a hipocrisia. Leal da Costa: espero que experimentes o exemplo e não tenhas tempo para te despedir de quem amas. Embora esse alguém provavelmente não tenha culpa, e fosse mais justo faltar-te a ti esse tempo, assim provarás do teu veneno e depois vamos ver se mordes como víbora.

Fotografia Javier Reina