Deixem a Legionella privada em paz!

CUF

Imagem via Diário de Notícias

Treze pacientes da CUF infectados pela Legionella depois, os partidos de direita ainda não pediram a cabeça de nenhum dos membros da poderosa família Mello, nem atribuíram a culpa ao governo, aos comunistas, aos bloquistas ou à CIG. Algo de muito estranho se passa para os lados do Caldas, da São Caetano e dos bunkers dos seus spin masters.

Entretanto, e enquanto na CUF se tentam controlar os danos e apurar responsabilidades, perante o silêncio ensurdecedor dos governantes no exílio, somos confrontados com mais um falhanço do anterior governo, que segundo António Leitão Amaro havia proibido (LOL) a Legionella. Não só não proibiu (LOL) como a sua entourage não parece muito preocupada com a versão privada do problema. Pudera! Entre a santíssima iniciativa privada e a sua liberdade de fazer o que lhe apetecer, doa a quem doer, não se mete a colher.

Um capitalista também chora

O presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, parece não estar conformado com o negócio que envolve a Altice e a TVI, duas empresas privadas, pelo que exige ao Estado que intervenha no sentido de impedir a venda da estação de televisão ao grupo que também já comprou a PT.

Um dos mais importantes e bem sucedidos representantes do Capitalismo português, em vez de agir como um capitalista e fazer uma oferta de valor superior pelo negócio – afinal, isso é que é a livre concorrência – decide ir chorar para os ombros do Estado, o monstro marinho que uma vezes é um empecilho ao livre funcionamento do mercado, outras um pai protector que vem ralhar aos outros meninos que jogam melhor à bola.  Assim qualquer um pode ser empresário.

Bom, não é bem qualquer um. É alguém que consegue misturar na mesma notícia a eleição para a presidência do Eurogrupo e a Legionella.

Feicebuque Sic Notícias

Legionella – Ministro da Saúde precipita-se?

O Ministro da Saúde anuncia que o Estado pode e deve indemnizar as vítimas de legionella, após ter conhecimento de um relatório preliminar, da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge e da Direção Geral de Saúde, que conclui que a origem do surto se deveu ao mau estado sanitário de uma das torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier.

legionella
Atendendo a alguns comentadores da patrulha ideológica do PS se terem incomodado quando aqui escrevi que o governo deveria, de imediato, assumir responsabilidade do Estado, por uma questão de ética, talvez Adalberto Campos Fernandes se tenha precipitado, uma vez que se trata, apenas e tão-só, de um relatório preliminar.
Como não pertenço a patrulha alguma nem a seita, defendo que indemnizações não bastam, porque o assunto é de enorme gravidade!
Repito o que escrevi, então: [Read more…]

Legionella – por uma ética de esquerda responsável

Confesso, entristecido, não poder aceitar, precisamente por me considerar de esquerda, que um governo em funções há 2 anos, não assuma as suas responsabilidades enquanto gestor dos bens do Estado e do Serviço Nacional de Saúde, quando as instalações de um hospital público estão infestadas com uma bactéria perigosíssima, letal para os mais indefesos.
Sei que um hospital é uma fonte de vírus e bactérias e que é muito difícil, se não impossível, evitar a contaminação, devido ao intenso movimento de doentes e funcionários, mas não por legionella, uma vez que esta se propaga pelos sistemas de ventilação!
legionella
Em nada me conforta saber que o governo anterior decretou o fim das auditorias periódicas obrigatórias à qualidade do ar interior em 2013! Este governo está em funções há 2 anos, tendo tido mais que tempo para repor a obrigatoriedade [Read more…]

Legionella: e as auditorias obrigatórias a sistemas de climatização que o governo Passos revogou, pá?

Fotografia: José Carlos Carvalho@Visão

Num momento de pura inspiração, o deputado António Leitão Amaro, uma das estrelas em ascensão do apagado PPD-PSD, afirmou, em debate com Mariana Mortágua na SIC Notícias, que uma lei do anterior governo foi responsável por proibir a legionella. Infelizmente, o raio da bactéria, que só pode ser esquerdalha, escapou ao controlo das autoridades e manteve-se na clandestinidade, até aos dias de hoje, continuando a fazer das suas.

Quem também escapou ao controlo das autoridades, por iniciativa do mesmo governo que conseguiu a proeza de decretar a proibição de uma bactéria, foram as auditorias obrigatórias a aparelhos de climatização, quando o governo PSD/CDS-PP revogou, em Agosto de 2013, os decretos-lei que garantiam a obrigatoriedade das auditorias de qualidade do ar interior nos edifícios dotados de sistemas de climatização. Não fossem essas maçadas burocráticas perturbar o normal funcionamento do empreendedorismo moderno. Com a legionella proibida, a decisão não poderia ter sido mais sensata. Correu mesmo bem, não correu?

Redacções invadidas por “batéria” altamente contagiosa

batéria

Imagem criada e cedida pelo Luís Canau

Por razões que a razão desconhece, há órgãos de comunicação social que resolveram adoptar o chamado acordo ortográfico (AO90).

Nos últimos dias, uma bactéria tem merecido um triste destaque. Como se não fossem suficientes os problemas de saúde pública, também a ortografia se ressentiu: em várias redacções, a palavra “bactéria” foi transformada em “batéria”, como se pode ver no magnífico trabalho do Luís Canau. [Read more…]

Eu e os ares condicionados

acaro

Este post é um pouco ego-centrado mas a culpa é das legionellas. É, portanto, um post onde também se sacode a água do capote. Juntasse-lhe eu umas mentiras e tinha o perfeito discurso político. Mas como não é o caso, e chegando de interlúdios, como este, vamos ao que interessa.

Tenho rinite alérgica desde que me recordo, o que desde cedo me afastou de livros velhos. Não imaginam a inveja que tenho de quem se gaba do prazer das descobertas que fazem por entre páginas amarelecidas pelo tempo e pelos ácaros. Esses, os quais só de pensar neles, quase me fazem espirrar.
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Legionella, a doença de um legionário governo neoliberal

Não faltava mais nada, leis a vigiarem a qualidade do ar interior. O ar, interior e exterior, regula-se pelo mercado, um tem legionella, outro não, quem vença o mais forte.

O surto de Vila Franca de Xira até pode ter outra origem, mas entende-se bem nesta notícia do Público, não disponível online, que aqui funcionou o lóbi das grandes superfícies e outros espaços, que passaram a poupar uns cobres em inspecções. Mais um exemplo do neoliberalismo enquanto ideologia criminosa, onde o lucro vence a prevenção e a saúde pública.
Governo eliminou auditorias obrigatórias à qualidade do ar interior

Adenda:

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