Dorian – o filme

Toda a gente conhece a história de Dorian Gray: o rapaz belíssimo que vende a alma para que seja o seu retrato que envelhece e não ele. Ao mesmo tempo, Dorian vai-se tornando mais perverso, mais corrupto, mais cruel. Nada disto tem efeito nele, mas sim na sua pintura.

O filme segue esta história mas adiciona alguns volte-faces interessantes. No livro, sempre se deu atenção a Basil, o homem que pinta o retrato. É normal pois diz-se que Basil é o alter-ego de Óscar Wilde. Contudo, para mim, a personagem mais interessante, talvez até mais que o próprio Dorian, sempre foi Lord Henry que corrompe Dorian. E este filme, esta nova versão, dá a Henry uma renovada importância. É ele o responsável pela transformação terrível que se dá em Dorian, mas ele Henry nunca se transforma em algo semelhante. E porquê? O filme oferece uma excelente explicação.

Este filme é também mais gráfico que o livro sendo que o espectador fica com uma muito boa ideia da crueldade e perversão de Dorian Gray algo que no livro não é totalmente explícito e devia ser. Dorian é afinal aquilo que qualquer pessoa se pode tornar, se as condições em seu redor permitirem.

Parabéns à PORTO EDITORA!

Pode entender-se como publicidade paga. Também pode parecer manifestação de xenofobia. Assevero não ser nenhum dos casos. Trata-se apenas de manifestar o júbilo pelo facto da Porto Editora ter praticamente assegurado a compra da Bertrand e do Círculo de Leitores.

Parabéns à PORTO EDITORA! Tudo indica, assegurará a manutenção em mãos portuguesas de duas empresas de edição e distribuição de livros que, acredito, continuarão a ser veículo essencial de difusão de cultura e de saberes, mesmo nos tempos da Internet. De forma categórica, é dada uma lição de superioridade ética aos grandes (?) empresários portugueses; nomeadamente àqueles que, tempos depois de subscrever um documento de defesa dos ‘centros decisão nacionais’ para a Presidência da República, alienaram a grupos estrangeiros as participações de capital de instituições e empresas emblemáticas.

Por último um apontamento: a ‘Bertrand do Chiado’, fundada em 1732, antes portanto do terramoto de 1755, é a segunda livraria mais antiga do Mundo. A primeira está localizada em Tóquio.   

Be of good cheer

Estava eu, ontem à noite, sossegadinha na minha cama a ler o Peter Ackroyd que interrompi durante meses em prol de um bem superior quando de repente me deparo com uma passagem excelente. Contava eu à meia noite e meia, o número de hereges cuja morte tinha sido da directa responsabilidade de Thomas More, (foram 7, embora o John Petyt tenha morrido na prisão por isso não sei bem se conta), quando o Ackroyd escreve isto:

“The central theme of Confuntation [with Tyndale] is that there is only one true Church, the visible and orthodox communion of Catholics. Throughout its history its members have been frail or weak, but that in no way affects its authority as Christ´s mystical body upon the Earth. It is the permament and living sign of Christ´s presence, sustained by inherited custom and maintained by traditional knowledge. It is a visible, extensive and palpable community (…). Just as parliament was considering plans for the reformation of abuses among the clergy, More was insisting that the sinfulness or folly of individuals – even the wickedness of a bad Pope – in no way affected the divinely instituted sanctitas of the Catholic Church.”

Ah Thomas é curioso como mesmo no fim do mundo medieval as preocupações eram as mesmas. Sim, vocês viam o Lutero como um anti-cristo e o Tyndale era uma “beste” com uma ” brutyshe bestely mouth” mas não deixa de ser curioso como as coisas funcionam. More era católico e defendia uma fé antiga. Lutero era um homem novo como se chamavam. Tudo apontava para que quem morresse pela fé fosse Lutero e não More.

E enquanto eu reflectia na questão dos padres e Igreja e tudo, aparece-me isto. O novo destrói sempre o velho, já dizia o Beresford no “Felizmente há luar”. Mas nem por isso o velho é esquecido ou diminuído. Ou pelo menos, não o deve ser. E Sir Thomas é o melhor exemplo disso.

O fim de tudo

Às vezes (raras vezes!) fala-se de livros, o que é muito bom. E foi exactamente esse o ponto de partida para este texto. Um amigo, tendo lido o livro A Estrada (de Cormac McCarthy), comentou que lhe tinha provocado uma perturbação insinuantíssima e que entendia que depois da sua leitura já não éramos os mesmos. Ooops! Aluna e professor acharam que queriam experimentar “o veneno” puseram-se a ler o objecto perturbador, cada um por si, com a sensibilidade e o background próprios. Daí sairia uma reflexão, talvez à flor da pele, que fosse um desafio para outros – alunos, professores e tutti quanti. É o que lerão seguidamente.

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O Símbolo perdido é muito caro

Hoje, por questões de agenda familiar fui "obrigado" a passar uma horita na FNAC. Para aproveitar o tempo resolvi pegar no livro do Dan Brown " O símbolo perdido".

Li e reconheci nos primeiros cinco capítulos o mesmo autor de Código Da Vinci, de Conspiração, de Fortaleza Digital ou de Anjos e Demónios.

Convencido a fazer a aquisição, olhei para o preço… 22,46€.

Achei!

Acho!

MESMO.

Um exagero – na moeda antiga quase 4 contos e meio por um livro…

Pensei, é por ser na FNAC… erro… Continente, Wook, Bertrand

O melhor da concorrência em Portugal! O mesmo preço em todas!

Conclusão: fico à espera da próxima seca que levar no Shoping para continuar a minha leitura!

Nota: será que a Srª Ministra, mulher dos livros, poderá olhar para isto com alguma atenção? Em vez de nos dar a possibilidade de comprar portáteis a 150 euros poderia criar melhores condições para que os professores pudessem ler mais, por exemplo, através das bibliotecas das escolas… Digo eu, que não percebo nada disto.