Isto não é Portugal

Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.

Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.

Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.

Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.

A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.

Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.

Sereis contatados

I thought, at first, I might try to say something about the topic (the relevance of statistical information to study the structure and use of language), but I realized very quickly I wouldn’t have anything to say about that.
Noam Chomsky

You can just pick it up and use it as an exercise machine.
Jeff Beck

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Portanto, estávamos a falar sobre… Ah! Já me lembro:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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A aliança ortográfica

Linguistics is the field that tries to figure out how human language works — for example: how the languages of the world differ, how they are the same, and why; how children acquire language; how languages change over time and why; how we produce and understand language in real time; and how language is processed by the brain.
David Pesetsky

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Depois de Santana Lopes ter promovido os fatos, através do famoso “agora facto é igual a fato (de roupa)“, vem agora o Expresso (num intervalo das aulas) dar uma notícia sobre a Aliança com contatou:

Na quinta-feira, dia deste excelente artigo de Nuno Pacheco, o Diário da República trouxe-nos os habituais fatos

e andou a promover contatos [Read more…]

O fato é parâmetro preferencial

Phenomena in physics are also conditioned by all kinds of extra-physical parameters, which may be biological, chemical etc. Would physicists try to explain physical phenomena by extra-physical causes before having tried physical explanations? Would anybody believe that extra-physical explanations are superior to physical ones per se?
Tobias Scheer

Penny meant “if he were a purple leprechaun”. Penny forgot to use the subjunctive.
Sheldon

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Depois de termos ouvido Searle a pronunciar-se sobre o modo que exprime acções e estados ainda por realizar e hipóteses ou acções e estados irreais, hoje é a vez de ouvirmos (e lermos) o Sheldon a exprimir-se sobre o conjuntivo. Relativamente a ontem, esta é a grande novidade que me apraz registar. No sítio do costume, lamento imenso, continua tudo exactamente na mesma.

Continuamos com contatar (e contactar!):

Aliás, abrindo um parênteses, esta tendência não é exclusiva do Diário da República — também sofrem do mesmo mal quer a Lusa, quer quem divulga os despachos (os meus agradecimentos ao excelente leitor do costume, por este alerta):

Fechado o parênteses, mantêm-se os fatos:

Até há mais fatos: [Read more…]

«Na área dos contatos»?

Ah! «Na área dos contratos»! Peço desculpa: por momentos, pensei que estava a ler o Diário da República.

As ondas gravitacionais foram detectadas

 

Segundo a comunicação social, as ondas gravitacionais foram finalmente detestadas… Detestadas? Não. Foram finalmente destetadas. Destetadas? Também não. Já sei: detetadas. Não? Não, porque a diferença grafémica entre detestadas, destetadas e detetadas… Ah! Já sei: as ondas gravitacionais foram finalmente detectadas! Exactamente: detectadas!

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Fascinante e assustador

O robot “chita” do MIT já é capaz de saltar objectos enquanto corre.

O prodígio está a diversos níveis, desde o mecânico e sensorial ao da inteligência artificial. A Skynet cada vez mais próxima.

Já toda a gente sabe

Sim, a história já chegou ao Financial Times e ao Wall Street Journal. Até no MIT já devem saber.