Ver para crer?

Vivesse hoje S. Tomé e talvez ele não se tivesse tornado crente. O vídeo acima ilustra a sequência do comboio no filme The Lone Ranger (O Cavaleiro Solitário), com toda a magia das luzes, afinal, saída de um monte de bits pela mão da Industrial Light and Magic. Na Wired apostam que será o filme a ganhar o óscar dos melhores efeitos especiais mas o melhor é esperar para ver, para depois crer. Por enquanto, ainda há coisas onde podemos são-tomésar.

O Discurso do Rei: Quando os nobres são pessoas comuns

 

 

 

 

 

 

 

Como é que se faz com que um filme do qual se conhece a história, porque é baseado em factos reais (duplamente reais), e não envolve acção capaz de cativar em permanência a atenção do espectador, seja mais que um objecto interessante e se transforme numa grande, embora não genial, obra de cinema? Capaz de ganhar quatro Oscars, incluindo o de melhor filme?

Resposta: Coloca-se uma máquina de impecável produção em andamento, adiciona-se um argumento bem construído, uma realização segura e eficaz e, acima de tudo, tem-se, como ingredientes principais, excelentes interpretes e em grande forma. O Discurso do Rei reúne tudo isto e, por isso, não pode ser confundido com um filme simples e banal. Podia ser um telefilme de bom nível, ao bom velho estilo da BBC, mas é mais que isso. Graças a Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter e Derek Jacobi, entre outros.

O segredo deste filme é não ter segredos. Não há mistérios por revelar, portas fechadas que não mostram tudo, sussuros inaudíveis, twist de último minutos. Está tudo à vista.

Sabemos que a personagem de Firth, o Duque de York será o Rei Jorge VI, depois da morte do pai e após a renúncia do irmão, o rei Eduardo III, que preferiu casar com a norte-americana Wallis Simpson, duplamente divorciada. Sabemos que o homem é gago e enfrentou o problema com o auxílio de um terapeuta da fala, interpretado por Rush. Sabemos que a gaguez surgiu por algo que aconteceu quando tinha 4 ou 5 anos de idade. Mas o curioso é que não ficamos ansiosos por saber o que efectivamente a provocou. Ficamos apenas com algumas ideias, como a distância emocional e a severidade do rei para com o jovem príncipe. Vislumbres de resposta mas sem confirmação. Não é preciso. Não é para isso que estamos ali.

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Bansky espalha provocações por Hollywood

O mais famoso graffiter do mundo, Banksy, está nomeado para o Oscars de melhor documentário por “Exit Through the Gift Shop”. O anúncio dos vencedores é no dia 27 mas consta que o desconhecido britânico que dá pelo nome artístico de Bansky já anda por Los Angeles.

Nos últimos dias surgiram nas ruas da cidade desenhos que são a imagem de marca do artista. Subversivos, divertidos, agitadores de consciências e provocadores. Charlie Brown com um cigarro e um garrafão de gasolina, uma criança a disparar lápis de cor, um rato a perguntar onde fica Hollywood e o Mickey a… o melhor é ver a imagem abaixo.

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Avatar, um prodígio visual sem história

“Avatar” é um bom filme. Começa por ser um prodígio visual. É das mais impressionantes e belas coisas que o cinema já construiu. Só por isso, já vale a pena o preço do bilhete. Onde falha é na história. Simples mas fraquinha, cheia de clichés e ideias feitas. Mas, sejamos realistas, “Avatar” não existe por causa da história, que não passa de artifício, um veículo para os belos delírios visuais de um realizador que mostrou querer entrar para a história da sétima arte.

Francis Ford Coppola entrou na história do cinema na década de 70, dirigindo filmes que vão ficar no patamar da glória da sétima arte. Para ele, o cinema e a magia estavam associados de uma forma muito próxima. “As primeiras pessoas que fizeram filmes eram mágicos”, disse. As imagens em movimento eram, no final do século XIX, encaradas como magia. Para muitos, hoje, o cinema continua a ser pura magia. Para esses, entre os quais me incluo, James Cameron é um excelente mágico.

Avatar

Recuando ainda um pouco, a outra era faceta desta arte, recordo um dos criadores da Nouvelle Vague do cinema francês. Jean Luc Goddard apresentou há mais de vinte anos o que ainda hoje é uma premissa com grande fundo de verdade: “É uma pena que o cinema francês não tenha dinheiro e é uma pena que o cinema americano não tenha ideias”.

Em “Avatar”, que se deve tornar em breve o filme com melhor receita de bilheteira de sempre, houve dinheiro e houve ideias, muitas ideias. Não houve foi história para encher as ideias.

James Cameron sonhou com “Avatar” ao longo de 14 anos longos anos. Teve tempo para tudo. Para criar toda a sua magia, limar as ideias da maquinaria bélica, estabelecer as linhas detalhadas de um magnífico planeta, da fauna e da flora e, sobretudo, para deixar a tecnologia desenvolver-se a ponto de estarem reunidas as condições que considerava necessárias para realizar a película que imaginou. Não teve tempo apenas para construir uma história melhor.

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