Titanic

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Para Cavaco está tudo bem. Para o Passos também. Pires de Lima diz que sim. A Cristas também acha. Pró Crato, está tudo em grande. A Marilu está Patinhas. O Macedo, macedando. O Motas Soares, motasoarando. O minorca comentando.
E assim, afinados, dão-nos música enquanto nos vamos afundando.

Os super-ricos e o Titanic

Dos 400 homens super-ricos que viajavam em 1.ª classe [no Titanic, em 1912], 70% morreram afogados. Há registos, recordados num ensaio de F. Zakaria, que nos confirmam que J. J. Astor, a maior fortuna do mundo de então, acompanhou a sua mulher até ao bote salva-vidas, recusando-se a entrar enquanto existissem mulheres e crianças por salvar. O mesmo fez B. Guggenheim, que ofereceu o seu lugar no bote a uma mulher desconhecida. Se o Titanic naufragasse em 2013, estou seguro de que quase todos esses 400 super-ricos chegariam são e salvos, deixando para trás, se necessário, as suas próprias mulheres e crianças. A gente que manda hoje no mundo acredita apenas no sucesso egoísta, traduzido em ganhos monetários, pisando todas as regras e valores. Os aventureiros que conduziram a humanidade à atual encruzilhada dolorosa não passam de jogadores que transformaram o mundo num miserável reality show. Tirando o dinheiro, nada neles os distingue da gente vil, medíocre e intelectualmente indistinta que se arranha para participar nesses espetáculos insultuosos para com a condição humana. Quando andarmos pela rua, é preciso ter cuidado. É preciso olhar lá bem para baixo. No meio do pó e da lama, habita a vilanagem que manda no mundo. Cuidado para não tropeçarmos nalgum deles…

Viriato Soromenho-Marques via Joana Lopes.

Num novo Titanic

Às vezes é difícil adormecer. Fica-nos na cabeça notícias como esta, que nos dão em primeira mão lá em casa: «Mais um colega que foi despedido…».

Temos medo de perder o emprego. Até quando podemos contar com ele? É a sorte grande ter um.

Saímos de casa para o trabalho mas não sabemos se o teremos no dia seguinte.

A Sony pretende despedir 10 mil funcionários. Como é possível? O que vai fazer esta gente?

Quem nos prepara para o pior? Quais as soluções e opções?

Estamos todos num Titanic e só alguns têm direito a bote salva vidas…

O Titanic de Lourenço Marques


Bem perto da Praça Mac-Mahon, na Rua Consiglieri Pedroso em Lourenço Marques, existia a Papelaria Spanos. Era ali onde os meus pais tinham a assinatura de revistas como Tintim, Pisca-Pisca e os Almanaques Disney, pelos quais eu e o Miguel tanto ansiávamos. Para nossa casa também seguia uma publicação francesa, a Historia, dirigida por Christian Melchior-Bonnet, da Librairie Jules Tallandier. Nela escreviam André Castelot, Christine Garnier, Paul Morand, Alain Decaux, Marcel Brion, Jaques Chastenet, Paul Carell, entre muitos outros nomes da Academia Francesa, da política e da literatura europeia de então.

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Minititanic

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Quem por ali passe nem repara no MINITITANIC, nem se apercebe da vida que ele foi. Um pequeno barco de quatro ou cinco metros, já gasto, assente na margem lodosa do rio, a um canto de um apodrecido cais, preso não se sabe aonde nem a quê, por uma longa corda cheia de nós. Um barco sem fé nem esperança, isolado do mundo, afastado de todos os seus irmãos, ancorado no tempo, agarrado à memória do lado esquecido da vida. Há muito parado e imóvel, apenas baloiça levemente à flor da água quando a maré lhe entra sorrateiramente por baixo, afagando o casco de cores já mortas, num beijo de saudade como que a dizer, anda, desprende-te, vem comigo até ao infinito. Um barco muito triste, quando a maré se vai e o deixa de novo pousado na areia negra e suja. [Read more…]

Estamos de Tango

O bailinho na Madeira continua. Virou…

Avatar, um prodígio visual sem história

“Avatar” é um bom filme. Começa por ser um prodígio visual. É das mais impressionantes e belas coisas que o cinema já construiu. Só por isso, já vale a pena o preço do bilhete. Onde falha é na história. Simples mas fraquinha, cheia de clichés e ideias feitas. Mas, sejamos realistas, “Avatar” não existe por causa da história, que não passa de artifício, um veículo para os belos delírios visuais de um realizador que mostrou querer entrar para a história da sétima arte.

Francis Ford Coppola entrou na história do cinema na década de 70, dirigindo filmes que vão ficar no patamar da glória da sétima arte. Para ele, o cinema e a magia estavam associados de uma forma muito próxima. “As primeiras pessoas que fizeram filmes eram mágicos”, disse. As imagens em movimento eram, no final do século XIX, encaradas como magia. Para muitos, hoje, o cinema continua a ser pura magia. Para esses, entre os quais me incluo, James Cameron é um excelente mágico.

Avatar

Recuando ainda um pouco, a outra era faceta desta arte, recordo um dos criadores da Nouvelle Vague do cinema francês. Jean Luc Goddard apresentou há mais de vinte anos o que ainda hoje é uma premissa com grande fundo de verdade: “É uma pena que o cinema francês não tenha dinheiro e é uma pena que o cinema americano não tenha ideias”.

Em “Avatar”, que se deve tornar em breve o filme com melhor receita de bilheteira de sempre, houve dinheiro e houve ideias, muitas ideias. Não houve foi história para encher as ideias.

James Cameron sonhou com “Avatar” ao longo de 14 anos longos anos. Teve tempo para tudo. Para criar toda a sua magia, limar as ideias da maquinaria bélica, estabelecer as linhas detalhadas de um magnífico planeta, da fauna e da flora e, sobretudo, para deixar a tecnologia desenvolver-se a ponto de estarem reunidas as condições que considerava necessárias para realizar a película que imaginou. Não teve tempo apenas para construir uma história melhor.

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E tudo o vento levou… há 70 anos

São cinco discos em DVD e edição em blue-ray pela primeira vez. É uma edição especial de “E Tudo o Vento Levou”, de Victor Fleming, que estreou nos cinemas há 70 anos. Mais de sete décadas só cimentaram o prestígio deste que é um dos grandes clássicos da sétima arte e, medidas as taxas de inflacção e correcção monetária, o mais rentável de sempre. Mesmo acima de Titanic.

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Foi a 15 de Dezembro de 1939, que estreou em Atlanta, capital do estado norte-americano da Geórgia. Uma festa em grande, que faria corar de vergonha algumas das luxuosas ‘premieres’ dos dias de hoje. Foram três dias de festa e até um feriado estadual. Apesar do essencial da história se passar na Geórgia, quase todo o filme foi rodado na Califórnia.

Foi um sucesso de público e crítica. Ganhou dez Oscars, incluindo o de Melhor Filme, num recorde que durou 20 anos, até Ben-Hur, e continua a ser um dos 10 melhores filmes americanos de todos os tempos, segundo o American Film Institute.

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