O papagaio

Curioso: o Sérgio Sousa Pinto palra, palra e palra… mas quando chegam as Legislativas está sempre lá, a compor a lista ao patrão. Faz lembrar aquele trabalhador que, nas costas do patrão, diz que faz e acontece, que vai fazer uma revolução e deitá-lo abaixo; depois o patrão chama-o, pede-lhe que leve o seu filho à escola, e o trabalhador responde “com certeza, senhor doutor”, sendo o mesmo que nunca faz greve, para não afrontar o “senhor doutor”.

É o que dá palrar, palrar e palrar, esquecendo-se que não é ele quem manda na gaiola mas que terá de continuar a comer as sementes, se não quiser passar fome. É que isto de viver da fama “discípulo de Mário Soares”, como se isso fosse motivo de orgulho, tem muito que se lhe diga.

Lambe-pés um dia. Lambe-pés para sempre.
Assim é Sérgio Sousa Pinto.

Quantas pessoas são “pouquíssimas centenas”?

papagaio010803Ser político é uma das várias maneiras de os seres humanos poderem integrar a simpática classe dos Psitacídeos. Entre um deputado e um papagaio, as diferenças não serão, portanto, muitas, porque, no fundo, um bom fato é outro tipo de plumagem, um assento na Assembleia é um poleiro e basta repetir palavras pensadas por outros. Para além disso, todos sabemos que não há piratas sem papagaio em cima do ombro.

Carlos Abreu Amorim (CAA), por várias razões, tem-se feito notar, desde que integrou a bancada do PSD, nomeadamente quando perdeu as eleições para a Câmara de Vila Nova de Gaia. Tendo escolhido a função de papagaio, é natural que tenha perdido, também, qualquer sentido de decência. Por isso, comentando os recentes e contínuos problemas na colocação de professores, declarou, num debate com Marcos Perestrello: “Temos problemas com pouquíssimas centenas de professores.”

Em primeiro lugar, não sei a quem corresponde a primeira pessoa do plural. Será o governo? Será o partido? Será o país?

Mesmo admitindo qualquer uma das hipóteses, a frase pode levar-nos a pensar que os professores são um problema. No entanto, são as “pouquíssimas centenas” de professores, entre outras pessoas, que têm problemas. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – O Menino e o Papagaio de Papel I

A vontade comandava-lhe o sonho e este regia-lhe a vida, que nunca fora fácil nem doce nem bonita, e enquanto pensava olhava a sua mão frágil que com a guita bem esticada segurava o papagaio voador que bem lá no alto rodopiava sem parar, olhava para cima e pensava em como gostaria de se ver lá em cima, ouvindo o ruído suave do vento, um ou outro pio de uma qualquer companheira de viagem e vendo tudo na sua real dimensão, tudo pequenino, muito pequenino, quais formiguinhas na sua labuta diária, mas não era assim, as coisas tinham o tamanho que tinham, e como que para lhe provar isso, de vez em quando o vento soprava mais forte e ele quase não conseguia segurar o cordel que lhe magoava as mãos, ora uma ora outra, que se iam revezando no esforço, com a mestria a que já estava habituado, que sempre assim fora toda a vida, sempre tivera que lutar para ter alguma coisa e a luta por vezes era renhida embora fosse bom chegar ao fim e ganhar, não como desta vez em que se sentia perdido e tonto, sozinho com o papagaio pela primeira vez, que quase não conseguira pô-lo no ar, e era domingo como das outras vezes, mas ao contrário dessas estava só, com uma lágrima por companhia.