Quantas pessoas são “pouquíssimas centenas”?

papagaio010803Ser político é uma das várias maneiras de os seres humanos poderem integrar a simpática classe dos Psitacídeos. Entre um deputado e um papagaio, as diferenças não serão, portanto, muitas, porque, no fundo, um bom fato é outro tipo de plumagem, um assento na Assembleia é um poleiro e basta repetir palavras pensadas por outros. Para além disso, todos sabemos que não há piratas sem papagaio em cima do ombro.

Carlos Abreu Amorim (CAA), por várias razões, tem-se feito notar, desde que integrou a bancada do PSD, nomeadamente quando perdeu as eleições para a Câmara de Vila Nova de Gaia. Tendo escolhido a função de papagaio, é natural que tenha perdido, também, qualquer sentido de decência. Por isso, comentando os recentes e contínuos problemas na colocação de professores, declarou, num debate com Marcos Perestrello: “Temos problemas com pouquíssimas centenas de professores.”

Em primeiro lugar, não sei a quem corresponde a primeira pessoa do plural. Será o governo? Será o partido? Será o país?

Mesmo admitindo qualquer uma das hipóteses, a frase pode levar-nos a pensar que os professores são um problema. No entanto, são as “pouquíssimas centenas” de professores, entre outras pessoas, que têm problemas.

Mesmo que CAA quisesse dizer que o governo está a ter problemas para resolver os problemas, a expressão “pouquíssimas centenas” é reveladora da pouca inteligência ou da nula sensibilidade do papagaio.

Façamos um pequeno exercício: se são “centenas”, no plural, estaremos a falar, no mínimo, de duzentos professores. Ora, se o número de professores em causa estivesse próximo das duas centenas, por que razão não haveria CAA de usar, por exemplo, a expressão “duas centenas” ou até um simples “cerca de duzentos”?

Ainda assim, se o número de professores com problemas (ou professores problemáticos, conforme a perspectiva) correspondesse a pouquíssimos duzentos, haveria, com certeza, “largas” centenas de alunos a ser prejudicados. Para além disso, mesmo sabendo que não faz parte das preocupações dos ministros, os problemas dos professores reflectem-se na sua própria vida familiar, que pode incluir cônjuges, filhos e outros elementos descartáveis.

Carlos Abreu Amorim só pode sentir-se bem ao lado de Luís Montenegro: o que é preciso é ser fiel ao dono e papaguear números. Enquanto isso, ministros incompetentes continuam a prejudicar a vida das escolas. Na realidade, temos problemas com pouquíssimas dezenas de pessoas; infelizmente, essas pouquíssimas dezenas estão todas no governo.

Uma palavrinha final: CAA esteve a debater este assunto com Marcos Perestrello, do PS, que, durante seis anos, recebeu a sua dose de pevides por defender os governos de José Sócrates. Quando os papagaios falam, é bom ter memória de elefante.

Comments

  1. Nightwish says:

    CAA é um dos melhores exemplos de como alguém se pode prostituir politicamente.

  2. José Peralta says:

    Quem ? Os papagaios carlos abreu amorim e luís montenegro ?

    Estes papagaios e muitos outros estão na Assembleia da República, como se estivessem naqueles poleiros à porta das tascas … com as mesmas “inteligência” e palavrosa diarreia…

    Ó louro, ó louro ! Vai pró…

  3. Américo Montez says:

    O Carlos Abreu Amorim, vulgo o pato das cantigas, bem podia ser um personagem cómico ressuscitado dum antigo filme português.

    O homem é tão mau, tão mau, que lhe desejo uma próspera e longa carreira no PSD.

  4. luis coelho says:

    Na minha opinião quem tiver um pingo de dignidade, no quadro actual do “SISTEMA” não serve para politico!


  5. As “pouquíssimas centenas” são a expressão de um óbvio traço psicopático de que parecem enfermar muitos dos nossos governantes e respectivos tartufos. É esse traço que os impede de ter qualquer vestígio de empatia com quem sofre. Só lhes aflora no discurso uma ocasional retórica de piedade.

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  1. […] para a morte de alguém. De qualquer modo, a julgar por exemplares como Luís Montenegro ou Carlos Abreu Amorim, poderá haver peso, consciência não: foi só um homem que morreu e um homem não faz uma […]

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