Estou Triste

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Comprei hoje um livro escrito por Camilo Castelo Branco e descobri que um dos meus autores dilectos escrevia, afinal, de acordo com o tal Acordo Ortográfico 90. Estou triste.

António, não me mates, que sou tua mãe!

António Nogueira Leite: “A Caixa funcionou no passado como barriga de aluguer da política”

Diz que há autores mais actuais do que Camilo

Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português, entre alguns comentários acertados acerca das discrepâncias entre as metas curriculares e os programas de Português, comenta a possibilidade de Camilo Castelo Branco voltar a ser estudado na disciplina de língua materna: “Durante muitos anos esteve no Secundário, mas as pessoas acharam que tinha de sair. Não me chocaria que voltasse a aparecer nos currículos, embora eu ache que há escritores mais actuais.”

Em primeiro lugar, é necessário notar que “as pessoas” constitui uma expressão demasiado vaga. Seria mais rigoroso afirmar que isso foi da responsabilidade dos autores autores dos programas de Português, programas esses que, goste-se ou não, reduziram o peso da literatura portuguesa e, concomitantemente, da história da literatura portuguesa. [Read more…]

Os clássicos da Literatura no ensino do Português

O Ministro da Educação ter-se-á mostrado favorável à re-inclusão de Camilo Castelo Branco nos programas de Português do Ensino Secundário. Espero que não o tenha feito apenas para ser simpático com o anfitrião, o presidente da Câmara de Famalicão, ou devido ao facto de ser um autor da sua preferência.

Se é certo que a Educação tem sofrido um desgaste brutal, com destaque para os últimos sete anos, a disciplina de Português, o fundamento do currículo, tem sido particularmente atingida por reformas e ajustamentos sucessivos, com oscilações brutais de terminologias linguísticas e com a exclusão do estudo de autores fundamentais da cultura portuguesa, com base em concepções vagas que defendem que a Escola deve ir ao encontro dos interesses dos alunos ou que os deve preparar para o mercado de trabalho, o que tornaria desnecessário o ensino da Literatura Portuguesa. [Read more…]

"Memórias de Moçambique"


Pintura documental, na qual se retrata as derradeiras décadas da soberania portuguesa em Moçambique: a vida administrativa, económica, familiar, usos e costumes de colonos e populações nativas.
Exposição a ser inaugurada a 11 de Setembro, pelas 16.00h no Palácio dos Aciprestes, Fundação Marquês de Pombal, em Linda-a-Velha
Av. Tomás Ribeiro 16

“Ana Maria (Plácido Castelo Branco Graça Ferreira) nasceu no povoado Errego, sede da circunscrição do Ile, Província da Zambézia, na então colónia portuguesa de Moçambique, a 27 de Abril de 1933. É filha de Arlindo Dias Graça, por sua vez filho de um brasileiro, proprietário, de Ouro Preto (Minas Garrais) e de uma portuguesa de Valadares (Vila Nova de Gaia); a Mãe, Alice Augusta Castelo Branco, nasceu em S. Miguel de Seide (Famalicão) naquela que é hoje a Casa-Museu Camilo Castelo Branco sendo, por esta via, bisneta de Camilo Castelo Branco e de Ana Plácido. O Pai, funcionário administrativo, era um curioso amante das artes e na família materna há vários artistas amadores, quer de Pintura, quer de Escultura.
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Calisto Elói


Um dos excelentes projectos da Guarda feitos por José Sócrates, um «provinciano bem vestido» nos tempos da Covilhã.

«Calisto Eloy, n’aquelle tempo, orçava por quarenta e quatro annos. Não era desageitado de sua pessoa. Tinha poucas carnes, e compleição, como dizem, afidalgada. (…) Pés e mãos justificavam a raça que as gerações vieram adelgaçando de carnes. Tinha o nariz algum tanto estragado das invasões do rapé e torceduras do lenço de algodão vermelho. A dilatação das ventas e o escarlate das cartilagens não eram assim mesmo coisa de repulsão. Estes narizes, se não se prestam á poesia lyrica, inculcam a seriedade de seus donos, o que é melhor. Eram assim os narizes de José Liberato Freire de Carvalho e de Silvestre Pinheiro. Quasi todos os estadistas de 1820 se condecoravam com a rubidez nazal. Não sei que ha n’isto indicativo de estudo, gravidade e meditação; mas ha o quer que seja. [Read more…]