Red Hot Chili Peppers — FireAid, Los Angeles, 30 de Janeiro de 2025

Teoria das cordas (Dave Navarro), etc.

Porquê? Porque hoje é domingo. Ah! Depois de amanhã, lá estaremos.

Há mais: [Read more…]

Formal oral, informal oral, formal escrito, informal escrito

Tenho alguns comentários formais (e informais), mas fica aqui à vossa disposição e consideração o modelo de Szmrecsanyi & Engel (2022):

We specifically cover the following registers:

  1. Spoken informal: conversations between family members and friends

  2. Spoken formal: parliamentary debates

  3. Written informal: blogs/chats

  4. Written formal: quality newspaper articles.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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O fato e o fat

The popular view that scientists proceed inexorably from well-established fact to well-established fact, never being influenced by any improved conjecture, is quite mistaken. Provided it is made clear which are proved facts and which are conjectures, no harm can result. Conjectures are of great importance since they suggest useful lines of research.
Alan Turing

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Imaginemos que estamos a deliciar-nos com um artigo científico em língua inglesa. Subitamente, damos de caras com o seguinte trecho:

The fat that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fat that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

O artigo é este (pdf) e o autor, além de ser dono de um invejável apelido (Alain Aspect) e de ter sido um dos vencedores do Nobel da Física deste ano, não escreveu obviamente a barbaridade que indiquei ali em cima, deixada à nossa fértil imaginação colectiva. Efectivamente, aquilo que Aspect escreveu foi isto:

The fact that the dip does not go to zero is fully accounted for by the fact that in the pair creation process there is some amplitude to have 2 atoms rather than 1 in an elementary mode.

Se Aspect tivesse grafado fat em vez de fact, teria tanta credibilidade como aquela que o Diário da República vem demonstrando desde Janeiro de 2012, ao grafar (grafar e não gralhar, como alguns querem fazer crer) as asneiras habituais. Eis um exemplo fresquíssimo:

No sítio do costume.

Desejo-vos um excelente FC Porto — Benfica (viva o Benfica!), um maravilhoso novo álbum (o segundo deste ano) dos Chili Peppers e, claro, um óptimo fim-de-semana.

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Um hambúrguer entra num bar:

—  Era uma Super Bock, sff.
Responde-lhe o empregado:
— Desculpe, mas não servimos comida.

O extraordinário caso do *externado com notas *inflaccionadas

Duh-dih-dih-dah-duh-dah-duh-dih-dah-dah-dah-dah.
Flea

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Trata-se de um caso extraordinário, extremamente curioso e, como outros, merecedor de distinção. Mesmo assim, cá entre nós, prefira-se *inflaccionadas a *inspeção (aliás, entre *inspeção e *externado, venha o diabo e escolha). Há razões que explicam a hipercorrecção *inflaccionadas. Nada explica *inspeção. Nada.

Os *fatos também têm explicação.

Continuação de uma óptima semana.

Nótula: João Mendes, obrigado pela notícia.

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Rui Gomes da Silva lança o quê?

If collectors who don’t play guitars didn’t buy them, their value would be based on what players feel they’re worth. But when the people who would really use them don’t get the chance, it’s a real shame.
John Frusciante

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A situação é grave e os responsáveis, depois de terem ignorado os avisos, encolhem agora os ombros perante o desastre.

Depois dos contatos de ontem e do reto de hoje, de facto, não há condições.

Vou de férias.

Até breve.

Actualização (16h56 de Bruxelas): O reto já tem pê.  E o abruto também. Mas o que causa os retos e os abrutos mantém-se. Não vamos lá com cirurgia estética.

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A dimensão do contato

This is not a playable instrument.
Flea

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Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 não funciona. Se ainda houver dúvidas, o Diário da República esclarece-as. Para uma visão pormenorizada do assunto, podeis recorrer à etiqueta sítio do costume.

Com votos de um óptimo fim-de-semana, eis o pano de fundo musical dos últimos dias, distinguindo-se um toque de deliciosa assimilação progressiva no primeiro verso:

O Acordo Ortográfico de 1990 explicado por Dilma Rousseff

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© Igo Estrela / Getty Images (http://bit.ly/2bMqB1b)

“I want so to see the Arno. The rooms the Signora promised us in her letter would have looked over the Arno. The Signora had no business to do it at all. Oh, it is a shame!”

— E. M. Forster, “A Room with a View

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Hoje, durante o discurso inicial de defesa, Dilma Rousseff explicou as razões pelas quais o Acordo Ortográfico de 1990 é perfeitamente inútil.

Por exemplo, no discurso de Rousseff há duas ocorrências de «ruptura democrática» e uma ocorrência de «ruptura institucional». Ora, segundo o estabelecido no AO90, ruptura mantém-se no português do Brasil, mas deixou de existir em português europeu: criou-se a *rutura. Exactamente, aquela que já em 1999 parecia “injustificada“. Efectivamente.

Quanto ao aspecto, Rousseff volta a referi-lo:

Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment.

O aspecto foi proscrito da norma portuguesa europeia. O aspecto português europeu é outra vítima do AO90: criou-se o *aspeto. Quanto aos “novos fatos”, todos sabemos onde encontrá-los: sim, eles existem.

Obrigado, Dilma Rousseff, por esta lição.

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