Vigília pela Educação: um copo meio cheio ou meio vazio?

Não sou um entusiasta de ajuntamentos, assumam eles a forma que assumirem. É por isso que não sou militante de partidos ou sócio de clubes e confesso que sou sindicalizado mais por inércia do que por convicção. Não encaro esta minha característica como uma virtude ou como um defeito e, portanto, não é por isso que me julgo superior ou inferior a ninguém, o que não aconteceria se estivéssemos a falar de matraquilhos, área em que me considero um especialista de nível internacional. Foi consciente disso que participei, com muito gosto, na vigília pela Educação, ontem, no Porto. [Read more…]

Não fiquei em casa

O meu amigo JJC fez-me o convite para a Vigília pela Educação: entre as 19h do dia 18 e as 12h do dia 19.

Jantei, arrumei a cozinha e fui até ao centro da minha cidade. Praça da República: local da concentração, certo?

Entre as 21h30 e as 23h lá estava eu. Não vi nenhum grupo «suspeito» formar-se…

Fiquei frustrada, desiludida, desapontada, desconfiada.

Quando cheguei a casa, confirmei na net: sim, a Vigília estava marcada para todas as cidades ou capitais naquele horário.

Na minha cidade, Santa Maria da Feira, não houve vigília naquele período, nem se sabia de nada entre os professores com quem me cruzei durante a espera. E mais, gente dos sindicatos não sabia de nada…

Os professores da Feira, estariam a fazer vigília no Porto ou em Aveiro? Talvez. Não se organizou nenhuma concentração aqui.

Fiquei triste, pois fiquei!

De qualquer das formas, entre as 21h30 e as 23 h da noite fez-se vigília em Santa Maria da Feira! Se alguém passou pela Praça da República nessa altura e viu reunidos três crianças, quatro mulheres, um homem e a Flora (uma cadela), fique sabendo que estavam em Vigíla Pela Educação!

p.s.: se, entretanto, se formou algum grupo, digam alguma coisa, gostava de saber. Obrigada!

Uma vigília por Portugal

Daqui a pouco, começará a Vigília pela Educação. É conveniente que se saiba que, na realidade, é uma vigília por Portugal, porque não há país digno desse nome sem um sistema educativo estável e de qualidade.

Todos somos responsáveis pelos jovens portugueses. Nuno Crato, na senda dos governos de José Sócrates, está a prosseguir um conjunto de políticas que contribuirão para criar escolas disfuncionais e desumanas, porque serão escolas com 4000 alunos, com turmas de 30 alunos e com muito menos profissionais do que os necessários para que os jovens tenham um desenvolvimento harmonioso, entre muitos outros problemas que deverão continuar a ser denunciados.

Se estiver a ler este texto, ainda está a tempo de se juntar àqueles que vão mostrar que as políticas educativas devem ser corrigidas e já!

Vigílias pela Educação

Locais confirmados no Facebook, mas em muitas outras cidades os professores já se organizaram nas redes sociais mais arcaicas.

  • Aveiro – Praça da República
  • Beja – Praça da República
  • Braga – Avenida Central
  • Bragança, Praça Cavaleiro Ferreira
  • Coimbra – Pr. da República
  • Évora – Praça do Giraldo
  • Faro – Jardim Manuel Bívar
  • Leiria – Largo da República
  • Lisboa – Junto à Assembleia da República
  • Porto – Praça da República
  • Santarém – Largo do Seminário
  • Setúbal – Praça do Bocage
  • Vila Real – Câmara Municipal
  • Viseu – Rossio

A defesa da escola pública não é um problema apenas dos professores; o despedimento anunciado vai arrasar a qualidade de ensino: mais alunos por turma, mais aulas por professor, é a fórmula de quem quer a privatização das escolas.

Que ninguém fique em casa.

Mexa-se pela sua Educação!

O ditado é antigo: “É preciso uma aldeia inteira para se educar uma criança.” Se aceitarmos como bom este adágio, facilmente percebemos que a educação das crianças nos diz respeito a todos, independentemente da profissão ou da circunstância de sermos pais.

Qualquer prejuízo causado à Educação atinge cada um de nós. Se concluirmos que esse prejuízo nasce de políticas erradas e/ou mal-intencionadas, protestar é o dever mínimo de qualquer cidadão.

A progressiva destruição da Educação em Portugal tem sido denunciada por várias vozes, muitas delas – a maioria – vindas do interior da corporação docente. Os três últimos governos, assentes em máquinas de propaganda, têm conseguido isolar essas vozes, considerando que são corporativistas em defesa de privilégios injustificáveis. Importa que os restantes cidadãos ouçam atentamente e reflictam.

Os problemas profissionais dos professores constituem alguns dos muitos problemas da Educação em Portugal. A partir do próximo ano, o aumento de alunos por turma, a criação de escolas gigantescas e desumanizadas e a expulsão de recursos humanos preciosos colocarão em risco a qualidade da educação das gerações futuras.

Estes problemas não serão resolvidos num dia ou numa noite, mas é importante que a vigília do próximo dia 18 tenha a participação de todos os que estejam verdadeiramente preocupados com a Educação. Isso inclui professores e não exclui ninguém.

Para mais informações, aproveitem o facebook. E o Aventar, claro.