«O que acontece se numa eleição os votos brancos e/ou nulos forem superiores aos votos nas candidaturas?»

Nada.
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«Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos. Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.»
Apenas os votos expressos são válidos.

Voto branco e nulo = abstenção

A dolorosa a visão do país político que as autárquicas desvendam, as estradas de repente minadas de outdoors com engenheiros anafados a prometer mais do mesmo, a criatividade bacoca, as frases-feitas e os lugares-comuns acordizados, os discursos da obra feita em que não cabe o povo que agoniza na miséria do desemprego e da carência mais abjecta: o país real. Mas há mais mundo, cidadãos por Coimbra e outros por outros lugares, e haverá sobretudo mais País se não entregarem os pontos e forem votar. Não em branco, que não serve de nada (e nem mesmo se os milhões que se abstiveram nas últimas eleições votassem em branco), mas em alternativas ao marasmo corrupto e liberalíssimo de quem pensa a política como uma escada de ascender ao poder de subjugar todos os outros. Vão votar. A vossa abstenção não pune ninguém senão vocês próprios (sois masoquistas porventura?) e premeia os que conseguirem juntar mais votos, tanto menos necessários para serem vencedores quanto mais cidadãos se abstiverem de votar – assim funciona o sistema eleitoral.

Votos brancos e nulos

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«Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida.» Pois é. Se não andas a dormir, não durmas na forma.

Merecemos muito mais!

Os portugueses estão mais pobres, mas nem por isso menos solidários: o Banco Alimentar reuniu 2 644 toneladas de alimentos. “Os resultados excederam em 13,7% os atingidos no ano passado por esta altura do ano, pese embora a evidente contracção do rendimento disponível e do poder de compra dos portugueses.”

Um povo assim merecia governantes à altura…

Só nos resta ser uns para os outros.

Só me resta continuar a votar em branco.

(Eu) Voto em branco

 

(Composição 2, 1922, de Piet Mondrian)

Como tem sido habitual aos domingos, Paulo Trigo Pereira (PTP), professor do ISEG/UTL, escreve no PÚBLICO. Hoje, o seu texto intitula-se «Que fazer desta democracia?». Não conseguindo dar a resposta à pergunta formulada, aponta soluções, sugere. Estou de acordo que “precisamos cada vez mais de melhores políticos” e que se verifica uma “decadência da democracia” que “resulta de um desfasamento crescente entre uma sociedade cada vez mais complexa e partidos políticos que não mudam as suas práticas, os seus processos , o seu pensamento, e a sua estratégia”. Eu acrescento: precisamos de políticos honestos, que é a forma mais fácil de nos entendermos.

O professor de gestão afirma que a melhoria da qualidade da democracia passa por “alterações estatuárias” e/ou do sistema eleitoral. E quanto a este, dá a conhecer dois tipos de voto. Refiro apenas um, já usado na Irlanda e em Malta: o chamado VUT ou voto único transferível “em que os cidadãos podem votar ordenando ao vários candidatos em cada círculo eleitoral”. [Read more…]

O que eles querem é que não votes

A abstenção, o voto em branco e o voto nulo são o seguro de vida dos que nos (des)governam. Queres apoiar PS/PSD/CDS? fica em casa. A troika agradece.

Presidenciais: o direito à abstenção

A campanha  das presidenciais tende a subjugar os portugueses à fatalidade de uma escolha simplificada: ou Cavaco ou o caos. É uma espécie de versão do provérbio “Outono, ou a seca das fontes, ou saltas as pontes”. Portanto, ou viveremos, como já acontece, sob a inclemência de uma seca também alimentada por Cavaco, ou sob o dilúvio de águas da agiotagem de juros de dívidas mais elevados, ‘Aníbal dixit’. Vários anos outonais nos aguardam.

O desfecho eleitoral seja ele qual for, com ou sem Cavaco, não evitará a continuidade da pior das crises económicas e financeiras da História de Portugal, e em particular no período pós 25 de Abril; induzida também, diga-se, pela crítica situação internacional. E, se historiadores e analistas objectivos e independentes investigarem com rigor todo o processo democrático do período pós-revolucionário, convergirão, entre outras, nas seguintes conclusões:  Cavaco, enquanto PM, impôs ao País  um modelo de destruição das capacidades produtivas na agricultura, nas pescas e na indústria; Guterres, mais dócil e popular, prosseguiu com o despesismo das grandes obras públicas. Durão Barroso, ajudado por Portas, comprou os submarinos e, à semelhança do antecessor, evadiu-se para cargo bem remunerado no estrangeiro; depois, a roleta do bloco central ofereceu-nos Sócrates, cuja prestação, tão negativa e contestada, dispensa comentários.  [Read more…]