Sir Eward Burnett Tylor, pai fundador da Antropologia-1

pai de ciência antropológica, define em 1871 o conceito cultura

De entre os fundadores da Antropologia, é preciso salientar ao cientista que dá título a este texto e a obra que os fez famoso, ao definir o conceito mais usado pelos praticantes da nossa ciência, o de cultura. Conceito que não refere pessoas que saibam mais de ópera, leitura, ciência, não, é apenas uma definição de hábitos costumeiros para realizar as suas actividades, rituais, magia e definir a moral dos acontecimentos sobre a base das ideias referidas e analisadas neste texto.

The Origin and Development of the Moral Ideas. MacMillan, Londres, 1906. Obra que pode ser lida em linha, na ligação, American Institute of Psychology: Nova Iorque, (1917) 1985.

Não apenas influencia aos seus estudantes suecos finlandeses, também um bom número de estudantes ingleses. A sua Biografia bem como a sua Bibliografia, em:   http://www.glbtq.com/social-sciences/westermarck_e.html

Sir Edward Barnett Tylor: Anthropology em 1881, editado por MacMillan & Co: Londres, (1881) 1889, cópia comigo em formato de papel. Antropólogo dos tempos em que a ciência começava a nascer, quando ainda não haviam Westermarcks ou Malinowskis para fixar os parâmetros da nossa ciência e a sua metodologia. Parece-me ser este o motivo pelo que Tylor dá uma cumprida definição de cultura ou costume, como define no seu texto acima citado, página 409, página na que define que a pressão da opinião pública compele, força, obriga aos seres humanos a agir conforme o costume do seu grupo, grupo que dita a lei que diz o que pode e deve ser feito e o que não na maior parte dos assuntos da vida. Era a época em que os seres humanos eram classificados pela sua antiguidade na história humana, pelo seu tamanho, tecnologia, proporções, temperamento, raça e formas de falar, bem como classificados na sua forma de civilização, ou o processo civilizacional, que seria estudado mais tarde Norbert Elias. Pelos textos e escritos de Edward Tylor é possível dizer que foi um pai fundador e abriu portas para as ideias de como entender o comportamento humano e a sua evolução. Até este ponto, podemos dizer que abriu não apenas portas à curiosidade da conduta social, bem como praticamente semeou a ideia de que esse mundo tinha existido como antecedente ao mundo de hoje e que os seres humanos que ainda existiam, em breve iam desaparecer pelas formas de educação e aprendizagem de novas tecnologias mais avançadas para a produção. Nos XVI capítulos das 448 páginas do seu livro citado, avança lentamente para provar que o saber científico, com hipótese e prova, especialmente o matemático, abre o pensamento e posicionam à Humanidade em lugares mais altos da escala social. Era mais um que acreditava que os seres humanos não viviam em hordas em permanente luta uns contra os outros, como indivíduos sem cultura ou costumes. Bem ao contrário, na página 403 do livro citado, consegue provar, após ter analisado um alto número de sociedades primitivas, ou, como ele denomina, em processo civilizacional, de que as pessoas viviam em família ou conjunto de pessoas que viviam dentro de uma mesma casa, unidos por laços parentais estabelecidos ou por reprodução ou por laços pré estabelecidos de matrimónio, e os seus desdentes ou parentes por afinidade. Confessa, no entanto, que as relações matrimoniais eram conforme o costume, diferente ao matrimónio considerado normal e um homem e uma mulher, para todas a vida. A sua análise quase exaustiva dos grupos em processo civilizacional, especialmente tribos australianas ou grupos de indígenas americanos ou da hoje América Latina especialmente Nicarágua, México, ou na Melanésia, Nova Zelândia e Polinésia, fá-lo confessar que podia ser difícil para um ocidental entender matrimónios monogâmicos, poligâmicos, ou de uma mulher com vário homens ou poligâmicos e ao contrário também ou poliândricos como acontece em Havai. Ainda mais, a sua surpresa é grande não apenas ao reparar que a reprodução de maior parte dos grupos estudados e família, bem como uma família e matrimónio que pode durar por apenas um tempo, com troca da pessoa parceira ou parte do casal, passando a descendência a ser de todos. Uma criança da Melanésia pode ter como pai ao irmão da mãe, como vamos ver com Radcliffe-Brown, ou apenas a mãe enquanto o pai biológico vive com as raparigas descendentes, com as que pode casar por ser de diferente clã. Casar com pessoas dentro do mesmo clã, é incesto: é criminoso porque os bens não circulam. Foi Tylor quem descobrira que os bens circulam com as pessoas de diferentes clãs. O caso mais típico, é a organização matrimonial dos Maori, como referi antes. Os Maori vivem dentro de uma estrutura familiar denominada Hapu. O Hapu está composto por parentes de diferente grau, mas todos da mesma família. Desde o dia do seu nascimento, toda rapariga está destinada a casar com o filho do irmão da sua mãe, enquanto a filha dessa mãe, deve casar com o filho do seu irmão. Facto denominado entre nós, matrimónio de primos cruzados. As raparigas abandonam as terras do seu Hapu, passam a morar e trabalhar nas terras do marido, esse cunhado, diríamos nós, do pai do rapaz. O matrimónio pode ser poligínico para o rapaz e patrilocal, morando nas suas terras a sua nova mulher; ou para reaver as suas terras; no segundo caso, a descendência masculina não tem direito a trabalhar as terras pode ser monogâmico e matrilocal. No primeiro caso, os descendentes masculinos tornam a família da mãe e tornam as do pai para ser os seus proprietários e as trabalhar. Formas de matrimónio explicadas por Raymond Firth no seu livro de 500 páginas: Primitive Economics of the New Zealand Maori, 1929, George Routledge and Sons, pp. 110-117 e 164-165 1ª edição.

O matrimónio polinésio é mais um assunto de mobilizar terra e trabalhadores, por outras palavras, um contrato económico. Ainda púbere, a rapariga, transita para casar com o filho do irmão da mãe; a sua descendência masculina casa com as filhas da mãe que entregou a sua filha para casar com o filho do seu irmão, recuperando assim as terras que eram da mãe e já não as possui. Há uma condição: parte do produto vai à casa dos pais da pessoa que transita, especialmente bens que não podem ser produzidos nas terras alimentadas por essa outra parte da família que carece de meios para pescar, caçar ou semear. É uma forma inteligente de circular a economia e uma solidariedade que não pode ser partida por causa da falta de bens que um dia serão necessários. Juntar pessoas a bens, faz de grupos denominados não civilizados, pessoas calmas e serenas, nunca em guerra ente eles: arriscar-se-ia a subsistência do dia-a-dia. A ética da economia dá origem à da humanidade que depende da paz para as suas trocas. Para entender melhor a organização familiar Maori, pode-se ler no livro de Firth de 1936, edição de 1983, Stanford University press, intitulado We, the Tikopia. A Sociological Study of Kinship in Primitive Polynesia, citado na página anterior.

Mas, quem era Edward Burnett Tylor, que me permite dizer as palavras mais acima narradas de forma etnográfica? Edward Burnett Tylor (Londres, 2 de Outubro de 1832 — Wellington, 2 de Janeiro de 1917) foi um antropólogo britânico. Era irmão do geólogo Alfred Tylor. Considerado o pai do conceito moderno de cultura, Tylor filia-se à escola evolucionista. Sua principal obra é Primitive Culture (1871).

Tylor é considerado um representante do evolucionismo cultural. Nas suas obras Cultura primitiva e Antropologia, define o contexto do estudo científico de antropologia, baseado nas teorias evolucionárias de Charles Darwin. Ele acreditava que existia uma base funcional para o desenvolvimento da sociedade e religião, que ele determinou ser universal.

Ele reintroduziu o termo animismo (a fé na alma individual ou anima de todas as coisas e manifestações naturais) no senso comum. Ele considerou animismo como o primeiro estágio de desenvolvimento de todas as religiões.

Fonte: as minhas leituras das suas obras, os comentários de Marvin Harris, as minhas aulas e as palavras de   http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Burnett_Tylor

Entre outras ideias importantes de Tylor, desenvolvidas no seu livro de 1871, está o de cultura, lato, como tinha já advertido: Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um conceito desenvolvido inicialmente pelo antropólogo Edward Burnett Tylor para designar o todo complexo e meta biológico criado pelo homem. São práticas e acções sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Se refere a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identifica uma sociedade. Explica e dá sentido a cosmologia social, é a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período.

Várias ciências desenvolvem o conceito da cultura, especialmente a fornecida por Voltaire em Filosofia Iluminista, Tylor Em Antropologia, já sabemos: esta ciência entende a cultura como a totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.

O uso de abstracção é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil. Fonte, as anteriores citadas, especificamente o livro de Tylor de 1871, Primitive Culture: Tylor é considerado um representante do evolucionismo cultural. Em seus trabalhos Cultura primitiva e Antropologia, ele definiu o contexto do estudo científico de antropologia, baseado nas teorias evolucionárias de Charles Darwin. Ele acreditava que existia uma base funcional para o desenvolvimento da sociedade e religião, que ele determinou ser universal.

A primeira definição científica de cultura é a que nos fornece na sua obra Primitive Culture, 1871. Para Tylor cultura é a expressão da totalidade da vida social do homem. Desta forma, ele rompe com a teoria da degeneração que considerava os primitivos seres à parte.

Tylor acreditava na capacidade do homem de progredir e partilhava dos postulados evolucionistas do seu tempo. Tentando provar a continuidade entre a cultura primitiva e a cultura mais avançada, se esforçava para demonstrar a inevitável caminhada do selvagem em direcção ao civilizado. Entre primitivos e civilizados não há uma diferença de natureza, mas, simplesmente, de grau de avanço no caminho da cultura (evolução).

Para desvendar a passagem da cultura primitiva para a cultura civilizada, Tylor introduz na etnologia o Método Comparativo, buscando estabelecer estágios de evolução da cultura. Fundador do método comparativo, segundo Lucy Mair, Tylor utilizava em suas pesquisas a aritmética social, ou seja, dispunha os costumes em tabelas para ver como se relacionavam. Estudou a questão da primazia ou da patrilinearidade ou da matrilinearidade – ou seja, que sistema surgiu primeiro? Após descobrir que nas sociedades matrilineares a mulher não exercia a autoridade, rejeitou os termos ‘matriarcal e ’patriarcal’. Frisou a importância do casamento entre filhos de irmãos e irmãs nas sociedades simples, desenvolvendo a frase ‘casamento de primos cruzados’, e também introduziu em Antropologia o termo “sobrevivência” sendo isto:

•          Processos, costumes, opiniões, etc., que foram transportados pela força do hábito para um novo estado da sociedade diferente daquele em que se tinham organizado e, que, desta forma permanecem como provas e exemplo de uma condição cultural mais antiga de onde a mais nova se desenvolveu [Tylor em Primitive Culture, 1913, vol.i, p.16, citado por MAIR 1985. Pp31]

•          Fonte: Comentários sobre o Evolucionismo Cultural: Edward B. Tylor

Comments

  1. eusebio bia says:

    I’d like to recive the books on my e-mail

  2. o_$enhor_dos_Memes says:

    Achei deveras mene

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