escritores do Chile (texto final)

o dia do encontro com Volodia, por casualidade, na rua de Talca, Chile

17 de Março de 1916 – 31 de Janeiro de 2008

Há um escritor chileno que teve a coragem de dizer: Tengo poca opinión – o casi ninguna – sobre la actual literatura chilena,  porque al pasar tanto tiempo fuera de Chile, en estos últimos años,  he reducido mis lecturas nacionales.  De cualquier forma,  y aunque parezca una majadería, sigo creyendo que lo mejor de nuestras  letras en el siglo XX ha sido José Donoso. Ningún otro escritor chileno supo captar la chilenidad desde tantos puntos de vista y convertir aquello en una profunda y dolorosa materia humana.

O escritor que emite esta opinião é Jorge Marchant Lazcano. É um escritor, dramaturgo e periodista chileno (*Santiago de Chile, 9 de Março de 1950). A sua obra é basta e articulada, virada mais para a política da direita chilena, apesar de ter mudado de rumo ao começar os seus estudos de jornalismo na Universidade do Chile em 1969. Á filho de Jorge Marchant Montalva e María Ester Lazcano Cuevas. Teve uma educação religiosa, conservadora e bastante formal, da qual se desligara, parcialmente, ao ingressar a estudar na faculdade antes mencionada.

Porque tenho escolhido este escritor? Por dois motivos: primeiro, por ter passado porque si, anos a fio no estrangeiro para melhorar os seus estudos e aprender as filmagens das mini-séries nas que trabalha no Chile para a Televisão Nacional, quem o envia a diferentes partes do mundo ou para reportagens ou para labor jornalística. Pelo que tenho lido dele, as

nossas ideologias e os nossos objectivos políticos são diferentes. Mas, ao reparar que pouco sabia da literatura chilena e que o seu melhor escritor do Século XX era José Donoso, pensei: eis um escritor como eu: mal consigo os livros chilenos e as minhas visitas ao Chile à volta venho carregado de livros de História do Chile e da Antropologia que é praticada no meu país.

Porque José Donoso? A minha Biblioteca está carregada de livros dele, mas entre tanto livro que tenho, é-me impossível encontrar os de Donoso. O importante, no entanto, é saber que era filho de pescadores e teve uma formação auto didacta, o que faz dos seus livros um manancial das formas chilenas de viver como pessoas pobres sempre a olhar para os ricos como seres especiais. Em 1957, enquanto vivia com uma família de pescadores, publicou seu primeiro romance, Coronación, na qual realizou uma descrição magistral das classes abastadas de Santiago e sua decadência. Em 1961, casou-se com María del Pilar Serrano. Em 1963 Coronación foi publicada nos EUA pela primeira vez pela editora Alfred A. Knopf.[1]

Posteriormente, mudou-se para a Espanha, onde residiu entre 1967 e 1981. Ali publicou El obsceno pájaro de la noche (1970), considerado um de seus melhores trabalhos e, certamente, o de maior inspiração e ambição literária. Em 1972 publicou o ensaio Historia personal del «Boom» e em 1973 as noveletas Tres novelitas burguesas. Quando do golpe de Estado de Pinochet em 1973, considerou-se auto-exilado na Espanha.

Em 1978 publicou Casa de campo, romance de crítica subtil à ditadura chilena e que obteve o Premio de la Crítica em 1979. Seu romance erótico La misterioso desaparición de la marquesita de Loria (1979), demonstrou, para alguns, que não dominava todos os géneros literários com igual maestria. Não obstante, El jardín de al lado (1981) e La desesperanza (1986) recuperaram o brilho de um dos mais importantes autores da literatura chilena na segunda metade do século XX. Fonte: as suas obras e os comentários em Coleman, Alexander (1997). Guide to the Latin American Boom. The Boom In Spanish American Literature: A Personal History en El Boston Review. José Donoso foi galardoado com o Prémio Premio Iberoamericano de Letras .

Não é a minha intenção passar revista a todos os escritores chilenos. Apenas os que têm influenciado a minha memória chilena, como fiz com Isabel Allende, José Donoso e Eduardo Barrios, que muito me custara deixar em paz.

Mas há um escritor que nunca, apesar do seu prolongado exílio na União Soviética, deixara esquecer a sua memória Chilena. Bem ao contrário, a manteve viva com as suas biografias sobre Pablo Neruda e Gabriela Mistral. Antes do seu forçado exílio, tinha escrito Hijo del Salitre, 1952, Sudamericana, reeditada recentemente pela editora de Jacques Chonchol Lom, da Universidad Academia de Humanismo Cristiano.

O interessante deste livro é revelar não apenas a Matança de Santa Maria de Iquique de 1907, bem como as condições miseráveis em que morava o operariado das salitreiras, o tipo de casa que habitavam, contas sobre o lucro e quanta mais valia era retirada dos trabalhadores. Narra também como os trabalhadores têm que se submeter a um trabalho sem lei: os ingleses que geriam a mina omitiam o Código do Trabalho do Chile, criado bem mais tarde que o denominado Código de Bello o Código Civil se 1845.

Teilteibom não parava de escrever. Entre as suas actividades plicas, como Deputado primeiro e Senador a seguir, do Partido Comunista do Chile, passava horas nas sua investigação para os livros que escrevia, especialmente as Biografias de Pablo Neruda e de Gabriela Mistral, em 1984 o primeiro, e em 1991 o segundo, sempre na sua Editora Sudamericana, seja que estiver no Chile ou no exílio.

Andava eu pelas ruas de Talca em 1999, com a muito Senhora irmã Blanquita, e encontramos a Volodia na rua e estivemos a falar, na calle 1 Sur de cidade, quase em frente da praça do mercado. O abraço foi forte e prolongado. Tinha regressado ao Chile, enquanto eu era apenas uma visita em pesquisa de trabalho de campo. Confesso ter chorado. Tantos anos sem nós ver! Tanto senhorio na sua postura, a minha irmã teve que retirar-me do pé dele, a minha comoção fazia mal a um homem que, nove anos depois desse encontro, sucumbia, nos seus noventa e muitos anos, ao cancro linfático que ele sabia que tinha. Nada de isso referiu, apenas do novo livro que estava a preparar sobre poetas chilenos. Escreveu até o dia da sua morte.

Doente como estava, escreveu um texto que também tenho comigo: La Gran Guerra de Chile y Otra que Nunca Existió publicada pela Editora Sudamericana também, no ano 2000. Neste libro diz: Trás el bombardeo de La Moneda y el exterminio de la democracia en Chile, el mundo entero se preguntó la mañana del martes 11 de septiembre de 1973: ¿do dónde han salido estos caballeros? “En cierto modo salieron de la historia. De un rincón oscuro de la historia, responde Volodia Teitelboim en La gran guerra de Chile y otra que nunca existió. E ainda teve a força para escrever Noches de Radio – 2001, e Ulises Llega en Locomotora – 2002, todos editados pela Sudamericana.

Com as palavras de Volodia fecho o livro. Faleceu como queria, após uma prolongada vida, que culminou nos seus 92 anos.

E com as suas palavras fecho este texto e acabo a série de escritores latino-americanos e poucos europeus

Comments

  1. valdemir says:

    parabens

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