Obituário de um escritor-fantasma

Manuel da Silva Silva não precisou de perder tempo com a escolha de um pseudónimo porque nunca deixou de ser um escritor-fantasma. Passou anos aprisionado a textos sem graça – manuais, recomendações técnicas, bulas – escritos a contragosto, por necessidade, mas a sua sorte haveria de mudar quando lhe chegou a encomenda de um texto inovador, um artigo escrito de um ponto de vista inaudito, e que haveria de ser o primeiro de uma longa série. Tinha por título “Eu sou o fígado da Maria” e foi um sucesso imediato. A partir de então especializou-se em dar voz a vísceras, glândulas, válvulas, artérias, descrevendo com alucinante rigor e meticulosa fidelidade a vida oculta e esquecida de quantos órgãos constituem o corpo humano. [Read more…]

Morreu o Manuel António Pina

Caramba…

O que se escreve nestas alturas? Lembra-se o Homem, o escritor, o criativo, o cidadão.

A primeira coisa que me ocorreu foi um dos últimos trabalhos que fiz com os meus alunos em torno do livro “O tesouro.”

Estamos de volta ao país das pessoas tristes, hoje ainda mais triste pela partida do Pina.

mis memórias-9-el obispo amigo

Mis recuerdos de Carlos Gonzáles Cruchaga

presentando uno de vário inocentes livros

… todos teníamos hijos, y él salvó a sus papás…

En el ensayo anterior, hablo de los debates que teníamos con Carlos González Cruchaga sobre los sindicatos y sobre mi creación del Movimiento Cristianos para el Socialismo, organización solicitada a nosotros los más teísta marxistas, por Fidel Castro. Lo formamos y el apoyo a nuestro Seños Presidente aumentó con católicos fervorosos, sacerdotes no muy convencidos, pero que se convirtieron al socialismo, cuando reparaban que nosotros, marxistas, sabíamos de Derecho Canónico, de Patrística, predicar con palabras simples Cuando hablo de Clotário Blest y otros cristianos como yo, que nos apoderamos, en acción concertada de la toma de Catedrales en todos los sitios del país que las tuvieran. Bien recuerdo, porque fue ayer, que no era un acto de rebelión, eras un protesto de cómo personas de fe, trataban a sus trabajadores, especialmente en la vida rural. Normalmente, las llamadas personas de bien, es decir los

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ser académico

insígnias

de ser académico

Bem sei que tenho andado desaparecido. Peço desculpas aos meus leitores, especialmente aos que comentam os meus textos, poucos, mas bons.

Tenho andado desaparecido por boa causa, penso eu. Primeiro, ainda ontem acabei mais um novo livro: Yo, Maria de Botalcura, a psicanálise de uma senhora que viveu todas as tragédias da vida e acabou por sarar. Livro escrito em 2007 e reescrito esta semana. Entreguei a vós em excertos. Essa entrega estava cheia de gralhas e não tive nenhum comentário, como é natural: ou escrevo textos complexos, ou textos que ninguém acaba por entender e aceitam, agradecem, mas nenhuma palavra de apoio a minha escrita aparece. O livro, reescrito, ficou muito melhor e em castelhano, língua que todos os portugueses entendem, por ser castelhano chileno, castiço, que ainda guarda as palavras e formas de se exprimir do Século XVI. Assunto que acontece por ser o Chile um país isolado, uma faixa costeira no fim de mundo, entre o deserto de Atacama ao norte e a Antárctica, ao sul, sítio que tem seis meses de noite e outros seis de luz de dia. Mas, a temática era-me tão interessante, que não parei em detalhar esses doze mil quilómetro de cumprimento, entre a Cordilheira dos Andes e o mar, e esses

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escritores chilenos – Eduardo Barrios

os livros de este autor ensinaram-me o que eu ainda não sabia

Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914

Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Mencionam-se Pablo Neruda, Gabriela Mistral e acabou, como se no Chile não houvesse mais escritores, pessoas dedicadas às letras para compensar essa distância entre as metrópoles da escrita. É um país tão longínquo, tão austral, que as dificuldades de sair são compensadas por romances a partir de leituras feitas em casa, com muita imaginação sobre o que acontece na terra, especialmente narrativas sobre as famílias, descritas com eloquência e [Read more…]

Escritores do Chile – Volodia Telteibom

José Donoso: Volodia Teitelbom (17 de Março de1916 - 31 de Janeiro de 2008)

Há um escritor chileno, Jorge Marchant Lazcano, que teve a coragem de dizer: tengo poca opinión – o casi ninguna – sobre la actual literatura chilena, porque al pasar tanto tiempo fuera de Chile, en estos últimos años, he reducido mis lecturas nacionales. De cualquier forma, y aunque parezca una majadería, sigo creyendo que lo mejor de nuestras letras en el siglo XX ha sido José Donoso. Ningún otro escritor chileno supo captar la chilenidad desde tantos puntos de vista y convertir aquello en una profunda y dolorosa materia humana.

Escritor, dramaturgo e periodista chileno (9 de Março de 1950), a sua obra, vasta e articulada, virada mais para a política da direita chilena, mudou de rumo ao começar os seus estudos de jornalismo na Universidade do Chile em 1969. Filho de Jorge Marchant Montalva e María Ester Lazcano Cuevas, teve uma educação religiosa, conservadora e bastante formal, da qual se desligou, parcialmente, aquando do ingressar na faculdade. [Read more…]

escritores do Chile (texto final)

o dia do encontro com Volodia, por casualidade, na rua de Talca, Chile

17 de Março de 1916 – 31 de Janeiro de 2008

Há um escritor chileno que teve a coragem de dizer: Tengo poca opinión – o casi ninguna – sobre la actual literatura chilena,  porque al pasar tanto tiempo fuera de Chile, en estos últimos años,  he reducido mis lecturas nacionales.  De cualquier forma,  y aunque parezca una majadería, sigo creyendo que lo mejor de nuestras  letras en el siglo XX ha sido José Donoso. Ningún otro escritor chileno supo captar la chilenidad desde tantos puntos de vista y convertir aquello en una profunda y dolorosa materia humana.

O escritor que emite esta opinião é [Read more…]

Escritores Latino Americanos, poucos Europeus-4ª Parte. E Barrios

Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914

Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Apenas se mencionam Pablo Neruda, Gabriela Mistral, e acabou. Infelizmente, diria eu Dentro de la terra mal podem – se sustentar com os seus livros, publicações e direitos de autor. É evidente que me refiro à época em que encontrar trabalho no Chile, era um duelo de Titãs. O se tinha fortuna pessoal ou famílias com terras que produziam bem e os bens vendidos como mercadoria não apenas sustentavam uma família, bem como para uma família alargada. Tem sido a minha experiência pessoal, usufruída enquanto no Chile morava. Mas com quarenta e cinco anos fora do país e sem mais herança que o meu ordenado, a vida tem mudado redondamente.

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Um novo Aventador

Foi a 13 de Outubro que, pela primeira vez, falei aqui do José Mário Teixeira, um velho amigo de juventude. Hoje o Zé Mário é um distinto jurista e um escritor cuja última obra foi lançada no passado dia 12 de Outubro. Repito hoje o que disse nesse dia: o Zé Mário é um dos tipos mais brilhantes da minha geração e, acrescento agora, sendo-o só podia ser convidado a participar nesta aventura digital que se chama Aventar.

Assim, é com enorme satisfação que o Aventar vê chegar mais um novo e distinto membro. Caro José Mário, esta casa, a partir de hoje, também é tua!

Esmiúçar o Aventar

O Carlos Loures ama a literatura, os livros, como a si mesmo (é Biblico e é verdade).

 

O Adão Cruz , abomina a sociedade do desperdício, da injustiça social  e acredita que há sistemas de organização política da sociedade mais capazes.

 

O Luis Moreira e outros Aventadores, não esquecem que a vida pública de Saramago não é uma lição de cidadania, e não gostam do homem, pronto!

 

A ponderação destas três verdades levam à posição individual de cada um deles quanto a Saramago.

 

O Carlos, dá prioridade ao escritor que Saramago é, o Adão, dá prioridade ao comunista que Saramago nunca escondeu ser, e eu dou prioridade ao facto de Saramago ser um homem cheio de ódios e de problemas mal resolvidos, com a sua gente e o seu país!

 

Desengane-se quem julga que algum de nós se converte, ou que tomemos esta divergência, como insanável. Nem uma coisa nem outra. Ficamos assim!