Professores: um ponto da situação que é de interrogação

O Ministério da Educação e da Ciência (MEC) prossegue o caminho iniciado pelo PS, com a única preocupação de poupar dinheiro. Tudo o resto, como, por exemplo, a confusão à volta da avaliação dos professores ou o aumento do disparate com a criação de mais mega-agrupamentos com o ano já iniciado, não faz parte das preocupações de Nuno Crato. Para o governo, de uma maneira geral, nem sequer é preocupante saber que há alunos que passam fome ou que faltam à escola porque os pais nem sempre têm dinheiro para pagar os transportes (já se sabe que Isabel Jonet terá outra explicação para estes problemas).

Diante disto, que fazer?

Continuar a dialogar com surdos? Já se percebeu que não há aparelho auditivo que valha ao MEC, que continuará a demolir o edifício educativo, preparando-se, aliás, para o entregar a privados, recorrendo a parcerias que prejudicarão os contribuintes e os alunos, ao mesmo tempo.

Organizar mais manifestações para demonstrar discordância e descontentamento? Nada contra, mas, diante de surdos, valerá a pena continuar a gritar? Mesmo que os surdos, afinal, não o sejam, será que já não houve manifestações suficientes para que os falsos surdos percebessem que estamos descontentes?

Será que vale a pena fazer mais greves de um dia cujo principal resultado, senão único, é deixar de ser notícia dois dias depois, após uma discussão ritual sobre percentagens de adesão?

Os problemas da Educação em Portugal não dizem respeito apenas aos professores, é verdade, mas cabe aos professores a responsabilidade de explicar à população que tudo o que se está a passar afecta os filhos que, numa sociedade digna desse nome, são de todos.

Cabe, ainda, aos professores agir, se falar não for suficiente. E falar não está a ser suficiente. Gritar também já não chega. E agora?

Comments

  1. luis says:

    Agora é altura dos sindicatos ouvirem os professores e liderarem a luta pela Escola Pública, colocando em cima da mesa todos os cenários possíveis de contestação. Se não, os professores têm que se organizar e combater estas políticas destrutivas. Mas é preciso trabalho de base, preparação e mobilização, não basta marcar umas vigílias e esperar que o pessoal apareça. É necessário realizar assembleias de professores e discutir verdadeiramente a política educativa deste país. Quem não estiver interessado, ou demasiado ocupado (como muitos professores dizem sempre que estão) será cumplíce nesta destruição da Escola Pública. Eu já não faço parte da Escola, mas estarei disponível para dar o meu pequeno contributo.

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Hoje mais uma vez ouvi colega vossa falar do que fizeram à escola pública das Caldas da Rainha e dos subsídios indecentes que deram a colégio privado um deles de StºAndré – dei-vos notícia ontem

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  1. […] obrigação de defender, são esmurrados e pontapeados por gente sem vergonha e sem escrúpulos? Querem conversar. E o corpo, que é o país, é que […]


  2. […] já escrevi anteriormente – sem grande originalidade, de resto –, se uma pessoa qualificada numa determinada área fala, […]

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