Paula Bobone no Aventar

2013-03-21142713_961f1e4c-aef8-4f3d-8935-154a61e36164$$2066B98B-1131-4DFF-8A54-59CDCD6190D9$$AC15C368-272F-472A-B1C0-5E9A35021A44$$img_detalhe_noticia$$pt$$1Pelo Aventar, tem passado muito gente ilustre, alguma também ilustrada. Ontem, por aqui também passou Paula Bobone, comentando um texto meu com o título “Do direito à futilidade”, o que só pode ser uma maldade do acaso.

Ora, quando o jet-set suspende, por momentos, a degustação do néctar e da ambrósia, favorecendo um pobre mortal com palavras que usam, todas elas, perfumes caros, isso merece ser assinalado, porque pode corresponder ao momento que lançará o Aventar na ansiada senda das passadeiras vermelhas da Alta Sociedade ou nas páginas róseas da imprensa cardiovascular.

No referido texto, atribuía eu à personagem desempenhada por Paula Bobone a emissão habitual de dislates, ao que a senhora comentou:

por lapso vi isto. Não percebi mas devem ser “dislates” de V. Exa.

Nada a dizer sobre o conteúdo, porque é cristalino de tão verdadeiro. É a forma que merece ser comentada, para ilustração de todos e de cada um.

Havendo tanto por onde começar, afigura-se-me fundamental notar a ausência de vírgulas, o que poderia ser maldosamente interpretado como consequência de ignorância. Nada disso: a vírgula é um sinal de pontuação menor, popularucho, arrivista, que fica mal a uma senhora do high society. Na pior das hipóteses, durante uma bebida ao fim da tarde, essa senhora poderá usar um ponto e vírgula. A partir da hora de jantar, é absolutamente piroso usar menos que um ponto final, dois ou três pontos de interrogação, reservando-se a exclamação para a sobremesa, se tiver sido confeccionada por um chef referido no Michelin.

Prescindir da maiúscula inicial é apenas uma forma educadíssima de desprezar, até porque só “por lapso” poderiam os olhos olímpicos de Paula Bobone ter poisado sobre o escrito de um ser menor e naturalmente agradecido. O escrito é necessariamente “isto”, porque a mais não poderia aspirar.

Sendo apenas “isto” e visto de tão alto é natural que do estelífero assento não se consiga perceber e é já um favor divino não ser compreendido, pelo que me curvo, pondo os olhos no chão com a gratidão humilde que me cabe.

A colocação de “dislates” entre aspas poderia ser confundida com uma espécie de devolução infantil da crítica, mas é muito mais do que isso: Paula Bobone, na sua infinita paciência, usa uma palavra que esteja ao meu alcance, evitando a perenidade de vocábulos inacessíveis à minha efémera compreensão.

Enfim, o tratamento final, por ser tão absolutamente respeitoso, é ainda mais demolidor e leva-me a confirmar a minha condição de bicho da terra tão pequeno, simples insecto blogosférico, vírgula miserável, inexistente excelência.

Termino, já sem palavras, já sem conseguir disfarçar quão abençoado me sinto por ter sido alvo da fugaz atenção de quem é inimaginavelmente grande. Há dias assim e não é justo desperdiçá-los.

 Fotografia encontrada aqui

Comments


  1. Já ganhei a tarde.
    Uma delícia.
    Abraço,

    mário


  2. Sinceramente , não percebi este comentário , esta crítica , pois até pensei que a
    Sra Bobone tivesse aderido ao AVENTAR e acabo por não perceber tanta polémica . .
    De um modo geral , até costumo ler e apreciar os escritos do António Fernando
    Nabais , mas pelos vistos isto até nem vale nada , para alguém ficar melindrado . .
    Nada tenho contra Paula Bobone nem contra o Fernando Nabais , desejo a ambos
    as maiores felicidades , bem como a todo o mundo .
    Bem haja para toda a gente .

  3. sinaizdefumo says:

    O Sr. Fernando Cardoso dos Santos não percebeu mas está claro. Foi ‘V. Exa.’ alvo da atenção ainda que fugaz de ilustre figura da cultura nacional quiçá universal. Disso lavrou apropriada, porém longa, ata (não ranja os dentes) de regozijo. O manifesto rejúbilo é justificado. Os devaneios parecem-me merecedores de compreensão ‘onãnime’.


  4. Ó Bobone, estava eu circunspecto, a pensar em futilidades
    quando um estivador do porto de Lisboa me enviou um sms
    que reza assim: Os Bobones não são todos fúteis, há Bobones
    para todos os gostos. Estes mais ligados a cargas/descargas:

    «Desde 1771 a chular os estivadores»
    Posted by Raquel Varela

    Por Renato Guedes
    «A propósito das declarações do Presidente da Associação Comercial de Lisboa, Bruno Bobone, sobre os estivadores, alguns esclarecimentos. Bobone intervém no negócio da estiva como Agente de Navegação, através do Grupo Pinto Basto. Ora, todos sabemos para que serve o Porto de Lisboa: é a estrutura que permite abastecer uma vasta área de Portugal e, em particular, da região de Lisboa. Sabemos também para que servem os estivadores: são aqueles que usam a sua força física e mental para mover a maquinaria no porto, ou seja, fazer com que este funcione. Já o senhor Bobone é uma categoria um pouco mais misteriosa. Basicamente trata-se de um «atravessador» entre o Porto e o armador. Tudo podia ser feito diretamente pelo Porto de Lisboa mas para garantir uma renda a Bobones, o porto usa intermediários, uma espécie de parasitas, cuja sobrevivência depende dessa renda. Quem paga a renda? Só há duas formas: ou o aumento de preços pago pelos consumidores ou a diminuição do salário dos estivadores. Assim, não é de admirar que este senhor goste de clamar o interesse nacional contra os estivadores. Ele claramente identifica esse interesse».
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  5. O que o aventar aventa com esta promoção com a colaboração da socialité – parabéns – Ai que tenho de escrever direitinho com maiúscula no início do período e várias vírgulas antes que me matem, e já não seria a primeira vez que me mimaram, mas odeio dois pontos e ponto e virgula e parágrafos e maiúsculas – gosto muito mais dos tracinhos a fingir de virgulas ou de pontos, livre de ser interpretado por quem ler – mas não sou professora de português e assim vou brincando. Mas já agora estranho a pacificação pelo menos aparente e temporária, do aventar que já não andam à porrada há muito tempo ora agora bateu eu de esquerda esquerdérrima ora agora bates tu direitérrima sem nada direito + etc – mas que delicia – até parecem as coisinhas meigas que António Capucho anda a dizer do CDS e lá se entretêm todos, também, a bater não sei em quê pois não têm, ao que parece, mais que dizer e fazer. Espero que as minhas frases intercalares estejam devidamente pontuadas. Vou tentar agradar para ver se me mimam. É delirante a intromissão da srª Bobone que não levou o seu maridinho à trela


  6. Estes velhinhos textos aventares são deliciosamente enciclopédicos – fazem “sódade”

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