Cartoline d’Italia (12) (da Napoli)

Elisabete Figueiredo

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‘Lei è francese?’ Ou uma comédia romântica que podia ter começado se a vida fosse como nos filmes.

De manhã apanho o funicular central, perto da Piazza Municipio para ir à Certosa S. Martino. Resolvo atravessar todo o Quartieri Spagnoli, apesar da insistência do senhor do hotel em que tome, em vez, a Via Toledo. Insisto eu que quero atravessar o bairro espanhol e ele diz-me que me vou perder. Penso que o receio dele seria outro. Apesar de o Hotel estar situado na entrada do bairro espanhol, o meu guia (antigo, de 2003) assim como os comentários que li acerca do hotel, qualificam a área como sinistra. Sinistra como sinistra em português e não sinistra como esquerda em italiano, naturalmente. Respondo ao senhor que se me perder, me encontro. Pergunto a alguém e então ele sai para a rua e explica-me. A dritto, doppo a sinistra. Lá vou eu. Cruzo o bairro espanhol, contente como um miúdo, tiro muitas fotografias, passam lambretas e buzinam. Uns homens gritam Ciao! Concluo que devia ter a pele dois tons, pelo menos, acima, para passar por residente, mas nada destas coisas me demove de atravessar o Quartieri. [Read more…]

Oferece-me um vestido de saliva

(Martinho da Vila, um perigoso piropeiro)

O João já explicou aqui o absurdo da coisa. Eu confesso que como filho da mãe, pai da filha e irmão das irmãs, há coisas que preciso de acrescentar. Primeiro, que o machismo é uma coisa primária, que vem dos nossos instintos animalescos e permaneceu ao longo dos séculos com interrupções ao longo da História, nalguns pontos do globo. O machismo é uma questão de educação e combate-se através da transmissão de valores que não tenham em conta na forma de organização da sociedade o género da pessoa ou do indivíduo – viram como usei os dois géneros?. Ou seja, de tod@s, que eu sei que assim percebem melhor. [Read more…]

Ai aguenta, aguenta.

ai aguenta aguenta - 2

Era Mas É Assim

ASAE processa DECO por usurpação de funções.

Assim é que era

Associação dos Produtores de Azeite processa DECO por publicidade não solicitada enviada para endereços electrónicos.

Do piropo

A minha amada e eu tivemos, e temos, uma complexa troca de piropos, uns meses a esta parte. Complexa por ter eu classificado um dela como piropo de pedreiro da Foz, erro geográfico crasso ao mixordiar a tradicional genialidade poética dos pedreiros com a especificidade urbana do Porto e que deu azo a uma vasta troca de piropos deambulatórios contabilizados numa entretanto desactualizada folha de cálculo, deve e haver no google drive, a ver se equilibrava a troca de piropos, essa forma superior da expressão amorosa no verbal aproximativo ou não, desactualizada por culpa minha; estava a perder 5 a 9, fingi erro informático, a coça que levava já não tinha volta a dar-lhe; ela piropeia muito melhor que eu – um humilde invejoso dos dotes piropoteantes dos pedreiros do Norte -, gajos que pelos vistos não trabalham na Foz.

Fica por aqui a exposição pública da minha vida privada fora da realidade sócio-económica que atravessamos. Entretanto, decorria a época de incêndios, e cai-me isto em cima:

Socialismo 2013: Engole o teu piropo.

Philippe de Champaigne - Anunciação

Socialismo 2013 é o encontro em final de Verão do Bloco de Esquerda, onde Ela Almeida e Adriana Lopera  vão pairar entre isto [Read more…]

Cartoline (questa, musicale*) d’Italia (11) (da Napule)

Elisabete Figueiredo


‘Luntana a Napule nun se po’ sta!’**

Este postal deve ler-se ao som da música mas, sobretudo, das palavras, que são, elas mesmas, música. Mais que música. Uma carícia. Esqueçam tudo o que vos disse. O italiano não é a língua mais bela do mundo…
‘…o napulitan’ e’ a chiu bella lingua o munn’.***
Estou nnamurata di Napule. Bem o sabia mesmo antes de aqui chegar que ia acontecer. Apaixonar-me violentamente por tudo isto. [Read more…]

Era cadeia…

Agora é com o azeite. Ontem com a carne. Amanhã será com o quê?

Uma das amostras nem era azeite, quanto mais extra virgem. E depois é ver a aldrabice, segundo a notícia, reparem bem:  As marcas «Auchan» (DOP Moura), «É» (Continente), «Grão Mestre» e «Naturfoods», que se apresentam no rótulo como «azeite virgem extra», deveriam, segundo a associação de defesa dos consumidores, «ser classificadas como azeite virgem apenas».

É brincar com os consumidores. É brincar com coisas muito sérias. E no final, uma multa resolve tudo e ninguém vai para a cadeia.