Hipócritas e Excêntricos: a solidariedade que nos vendem e o mundo real.

Tive finalmente oportunidade de ver a mediática entrevista de Lorenzo Carvalho a Judite de Sousa. Não há muito a acrescentar ao que já tem sido veiculado nos últimos dias: é um miúdo mimado que gasta dinheiro desenfreadamente (culpa dos pais e da educação que lhe deram), Judite de Sousa foi uma péssima profissional (até o professor Marcelo lhe passou um raspanete) e a escolha do entrevistado não admira se tivermos em conta os habituais critérios sensacionalistas da TVI. É a silly season no seu melhor!

Do discurso do jovem Lorenzo, que foi bem mais “articulado” do que era de esperar, principalmente quando confrontado com a agressividade do interrogatório de uma jornalista experiente num dia particularmente “incisivo” não há muito a dizer. Defendeu-se por trás do escudo do livre arbítrio, essa característica tão cara às democracias, e manteve a serenidade num contexto onde muitos explodiriam com facilidade. Houve, porém, algo que reteve a minha atenção: quando confrontado com a sua suposta ausência de intervenção social, o piloto da Ferrari repetiu várias vezes:

“eu nunca vou fazer nada que não seja sincero”

Correndo o risco de estar a fazer uma má interpretação, a ideia que me fica deste “eu nunca vou fazer nada que não seja sincero” equivale ao rapaz dizer que não vai andar por ai armado em altruísta apenas para parecer altruísta, fazendo solidariedade hipócrita para cultivar uma imagem de mecenas desinteressado. É egoísta? Poderá ser. Mas não deixa de ser sincero e contrasta com muita solidariedade hipócrita de alguns “notáveis” da nossa sociedade.

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Uns são outros não

Num post anterior escrevi, sobre Menezes:

“Sendo isto verdade, o que me parece evidente perante os relatos factuais que o Jornal nos apresenta.”

Os elementos que conheço desta história são os do Público e, um ou outro, que vão aparecendo na rede. No entanto, neste caso, a questão não está em saber se temos uma notícia metida por A ou por B – esse é assunto que deixo para a minha condição de leitor e de cliente dos jornais. Uns, o Público, compro. Outros, o JN, não compro. Percebo, também por isso, o texto do Fernando e subscrevo a sua nota sobre o comportamento do Público.

Entendo também a ideia do 31, mas não me parece que a questão seja de quantidade – em Democracia, ou se é, ou …

Ou, o Major por dar notas na feira de Rio Tinto era e Menezes por dar às escondidas e em menor quantidade não é?

É que este senhor, ex-presidente de Gaia e em especial o novo líder do PSD, Marco António, fizeram anos a fio uma pressão estúpida sobre as Juntas de Freguesia que teimavam em votar PS, numa prática quase ditatorial – para as freguesias PSD tudo, para as que se atreveram a votar PS, nada.

Pode haver muita gente que se deixa enganar por marginais, por relvados sintécticos, por Marés Vivas e por pavilhões que se inauguram a uma semana das eleições com concertos do Tony. Também há quem vote no Isaltino ou no Major.

Mas, a Democracia é mais do que isso. Ou, pelo menos, deveria ser.

Poderiam, por exemplo, dar mais atenção ao emprego para que não fosse necessária a esmola.

Cartoline d’Italia (6) (fra Firenze e Napoli)

Elisabete Figueiredo

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‘Napoli non sembra un bucco’.

 

Não sei bem de que mundo sou. O Alfredo Mendéz, no livro que acabei agora de ler, escrevia que ‘todo es real, pero nada es verdadero’. É possível que tenha tido razão.

Sobrevivi ao congresso, aos mosquitos e ao resto (talvez depois tenha de explicar isto). Arrasto de manhã a mala enorme pelo pedaço da Via Nazionale que me separa da estação de Santa Maria Novella, em Florença e espero pelo comboio que me levará a Nápoles. Enquanto fumo um cigarro à espera que no placard apareça o número da plataforma, um rapaz pergunta-me se vou para Pistoia. Que não, digo-lhe eu. É que está um quarto de hora atrasado, continua ele, em italiano, como se eu fosse italiana e quisesse dividir comigo a sua irritação. Digo-lhe que um quarto de hora não é nada. Responde-me que está muito calor na estação. É verdade, está. E acrescenta que quer ir depressa para Pistoia, que ‘Firenze è un bucco’. Concordo vagamente. Pergunta-me de onde sou e para onde vou e eu digo-lhe. Parece ficar contente e diz-me que em Capri não estará tanto calor porque há o mar. Rio-me. E pergunto ‘Capri non è un bucco?’ Ri-se também ele. Entretanto anunciam a minha plataforma e eu despeço-me. Ele diz-me ‘buona fortuna’. Respondo-lhe o mesmo.

A viagem faz-se sem sobressaltos. O comboio pára 10 minutos em Roma onde eu e outros passageiros fumamos um cigarro retemperador. Uma hora depois, chegamos a Nápoles. Alguém solicitamente me tira a mala do comboio, falando num napolitano cerrado que sou incapaz de compreender. Naturalmente, digo ‘grazie mille, lei è molto gentile’ no meu italiano desengonçado e saio para os 39 graus. ‘Napoli non sembra un bucco’.

Cartoline d’Italia (7) (fra Napoli e Capri)

Elisabete Figueiredo

Tudo é real, nada é verdadeiro.

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São três da tarde e, à parte o pequeno-almoço e duas garrafas de água, não tomei mais nada. Pelo que decido comer qualquer coisa, no café da estação antes de decidir como vou para o Molo Beverello apanhar o ferry para Capri. Percebi tarde demais que não tinha procurado saber se haveria autocarros da estação ao porto. Mas entro no café e vejo os gelados. Decido comer três bolas de gelado e mais água. Peço. Pago. Escolho ‘cioccolato, fragola e limone’. Começo a comer antes que derreta. É muito bom, penso. Um homem ao balcão vira-se para mim e queixa-se que o pessoal ali é muito lento. Digo-lhe que tenha paciência: ‘cosa fare?’. Encolhe os ombros e espera. Continuo a comer e a achar que nunca comi um gelado tão bom.

Uma criança do outro lado do vidro olha para mim com uns olhos enormes, verdadeiros e pede-me (percebo pelo movimento dos lábios e das mãos) que lhe compre um gelado. Penso dizer-lhe que não. Mas não sou capaz, principalmente porque aparece um polícia que expulsa a miúda dali e aqueles olhos enormes, cheios de não sei que realidade, ou de que verdade, merecem aquele gelado tanto como eu. Mais ainda, seguramente. Chego à porta e pergunto à menina que sabores quer. Diz chocolate e aquela coisa branca com pedaços de (mais chocolate) (stracciatella? Pergunto. Que sim, responde). Vou de novo à caixa. Pago o gelado, dão-me um copo e eu saio, com a mala gigantesca e o copo de gelado e estendo-o à criança. Agradece-me. Digo-lhe que de nada e adeus. Sorri-me. Acho que ficou contente. Fico contente também eu, mas penso que ontem jantei num absurdo palácio, num palácio ridículo, num palácio onde nunca entraria em nenhuma outra circunstância. Num ostensivamente ridículo palácio, com gente bem vestida e bem nutrida a beber vinho e a comer coisas ‘em cama de…’ e comovo-me com a miúda e digo a mim mesma que foi a última vez que entrei em palácios palermas, para comer jantares pomposos.  [Read more…]

Liberdade de escolha

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Cartoline d’Italia (5) (da Firenze)

Elisabete Figueiredo

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Esta é uma fotografia de uma fotografia. Parece que agora nos congressos se tiram fotografias, como nos casamentos. Esta esteve em exposição desde manhã, de modo que ao longo do dia, em várias línguas, me foram perguntando: ‘já viste a tua fotografia?’

(whatever)

acabaram por me dar uma cópia. é justo.
Outra coisa bonita foi que em conversa com um grego, ele me estendeu a mão, como um jogador de basquete depois de encestar e exclamou: ‘so, we are comrades!?!‘.

Somos camaradas, pois. No caso concreto, com bastante orgulho.
E mais que isto, só o facto de finalmente a ESRS* ter uma presidência do sul da Europa! E de, à conta disso, termos feito mais um jantar de PIGS. Nunca são demais e esta gente, presidente da ESRS incluído, é de facto boa gente. Já o sabíamos, claro.

Buona notte compagni!

O algodão não engana #5

Não renunciarás à tua liberdade de expressão e de opinião

Encontrei esta citação num blogue que costumo seguir (com quem ultimamente  tenho trocado publicamente opiniões sobre jornalismo). Esta citação serve e bem para o que a seguir vou escrever. O facto de apoiar e pertencer à direcção de campanha de Luís Filipe Menezes/Porto Forte não me deve limitar a liberdade de expressão e de opinião. Para que nenhum leitor venha ao engano e de molde a que esta recusa de renúncia possa ser justa, não escondo ser parte. É uma questão de respeito para com os leitores.

Ontem, fruto de uma notícia (????) do Público e publicada pela jornalista do costume, Margarida Gomes, foi lançada lama sobre LFM. Não vou aqui escrever sobre a versão dos factos apresentada pelo candidato e a opinião dos seus concorrentes, basta clicar no link e ler.

Prefiro deixar aqui uma fotografia que, como dizia o outro, vale mais do que mil palavras. A fotografia da senhora que levou a toda esta polémica e que, além de estar junto a Rui Rio e a Fernando Charrua, trabalhou (não sei se ainda trabalha) com a vereadora Matilde Alves, conhecida apoiante de Rui Moreira. A senhora em causa, Margarida Ribeiro, é uma das duas (???) que supostamente não foi recebida e que falou com o Público.

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São coincidências. De certeza. E este post está ao nível da notícia da Margarida Gomes. Com duas diferenças: isto é um blogue e não um jornal e uma segunda, bem importante e que nos distingue: eu avisei ao que vinha e que sou parte. Ao contrário da Margarida Gomes…