As elites

não entendem estas emoções.

Cartoline d’Italia (8) (da Capri)

Elisabete Figueiredo

«Una giornata al mare / tanto per non morire/ nelle ombre di un sogno / o forse di una fotografia lontani dal mare/ con solo un geranio e un balcone …»* (Paolo Conte)

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Um dia no mar, o bastante para não morrer na sombra de um sonho… pode dizer-se assim. O mar aqui é o mediterrâneo absurdamente azul que nas mil grutas formadas na rocha toma, por vezes a cor das esmeraldas. Ou de um sonho. É uma água quente, de muitas maneiras. Uma terra quente. 42 graus. Ouço dizer no autocarro e acredito. Encho-me de protetor 50+ mas escapam-me uns bocadinhos de pele nas costas que estão agora da cor das lagostas. Uns quadradinhos vermelhos, nas costas e no meio de dois deles o risco formado pelas alças da blusa a que o senhor do barco chamou ‘una bella gonnina bianca’. 

Somos talvez uns dez no barco que faz a volta completa da ilha, com paragem na Grotta Azurra. Do barco, vejo as atrações todas de Capri, a partir do mar. A Grotta Bianca, a Grotta Verde, os farilhões, a Marina Grande, a Marina Piccola, a Villa Jovis… as praias de cimento ou rochas. Não há praias de areia aqui. O terreno é rugoso, como a pronúncia napolitana. Rugosos e belos, ambos. No barco vai uma família mexicana, mãe e dois filhos. Outra família italiana. Um casal idoso, brasileiro. Um casal coreano, aparentemente muito jovem, uns três ou quatro ingleses, branquinhos como eu, embora sem quadradinhos vermelhos nas costas. [Read more…]

Pena

É cada vez mais o que sinto do Presidente de alguns Portugueses. Morrem três bombeiros (pelo menos) e sua excelência continua de férias. Morre um dos carrascos do nosso presente e sua excelência vem lamentar a sua morte. Tenho pena de um país que tem um presidente assim.

António Borges escapou-se


Fico sempre triste quando morre um homem da Goldman Sachs e recordo logo Simon Wiesenthal e a sua luta de aranha estendendo e esperando o nazi na teia antes que a natureza ou um acidente chegasse.

Estes também terão o seu tribunal de Nurembergue, a guerra lá chegará, e também um Simon que, implacável e metódico, os perseguirá até aos confins do Oriente. Sem justiça a morte não é a mesma coisa. António Borges não aguentou, dommage.
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