Sobre o atribulado processo de desconfinamento, o oportunismo político e as várias narrativas que proliferam

1) Tal como muitos de nós previam, o desconfinamento, em grande parte forçado pela elite económica, com o alto contributo da obediência canina do governo, levou a que muitas pessoas baixassem a guarda, convencidas de que a pandemia tinha chegado ao fim. Não só não chegou, como pode perfeitamente piorar e colocar o país numa situação mais crítica do que a inicial, com custos ainda mais elevados para a saúde pública, para a economia e para a imagem de Portugal no exterior.

2) Por todo o lado, mas com especial incidência nas regiões de Lisboa e Algarve, multiplicam-se os ajuntamentos, desde festas ilegais a encontros “espontâneos” junto de bombas de gasolina ou zonas de divertimento nocturno, não esquecendo algumas manifestações, mais ou menos inevitáveis, mais ou menos desnecessárias, mas também cerimónias religiosas em Fátima, que foram já palco de pelo menos uma concentração de algumas centenas de pessoas, e onde hoje foi reportado um pequeno foco de contágio. Mas a Festa do Avante, que ainda não aconteceu – e que, a meu ver, não devia acontecer – é o único problema que inquieta algumas pessoas. Percebe-se bem porquê. [Read more…]

Não me toca na parceria público-privada

033_FigueiraFozSegundo parece, a Câmara Municipal da Figueira da Foz fez um acordo com a empresa Malpevent, responsável pela promoção de um concerto de Anselmo Ralph. O negócio é o seguinte: se não se venderem noventa mil bilhetes, a Câmara da Figueira compromete-se a entregar 16500 euros à dita Malpevent. Para além disso, a autarquia prescinde do pagamento de 8800 euros de taxas e assume o pagamento de elementos da Cruz Vermelha Portuguesa (3500 euros).

Em resumo, a Câmara da Figueira não quer uma receita, garante uma despesa e arrisca-se a outra, para minimizar os riscos de uma empresa que promove o espectáculo de um artista extremamente popular, goste-se ou não da música. Acrescente-se que, ao que tudo indica, um concerto de Anselmo Ralph terá custado, em Julho, 48500 euros à Câmara de Elvas. [Read more…]

Paula Bobone no Aventar

2013-03-21142713_961f1e4c-aef8-4f3d-8935-154a61e36164$$2066B98B-1131-4DFF-8A54-59CDCD6190D9$$AC15C368-272F-472A-B1C0-5E9A35021A44$$img_detalhe_noticia$$pt$$1Pelo Aventar, tem passado muito gente ilustre, alguma também ilustrada. Ontem, por aqui também passou Paula Bobone, comentando um texto meu com o título “Do direito à futilidade”, o que só pode ser uma maldade do acaso.

Ora, quando o jet-set suspende, por momentos, a degustação do néctar e da ambrósia, favorecendo um pobre mortal com palavras que usam, todas elas, perfumes caros, isso merece ser assinalado, porque pode corresponder ao momento que lançará o Aventar na ansiada senda das passadeiras vermelhas da Alta Sociedade ou nas páginas róseas da imprensa cardiovascular.

No referido texto, atribuía eu à personagem desempenhada por Paula Bobone a emissão habitual de dislates, ao que a senhora comentou:

por lapso vi isto. Não percebi mas devem ser “dislates” de V. Exa. [Read more…]

E o piloto conduz mais que as gentes que leva…


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 13 – O Barco para a Afurada. Letra e música de Pedro Abrunhosa.

As cidades sem coreto e os coretos sem amor são como igrejas vazias


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 2 – À sombra de dois trombones. Letra e música de Mário Alves.

Hoje o Porto desde a Foz até às Antas esqueceu as divisões que não são suas


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 9 – Uma noite não são noites. Letra e música de Pedro Osório.

Um bom copito dá força a qualquer morcão


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 8 – Todos à Rua. Letra de João Lóio, música de José Mário Branco.

Prefiro as ervas daninhas e aquela que é proibida


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 6 – Erva Proibida. Letra de Regina Guimarães, música de Pedro Moura.

Por isso o povo todo junto pouco a pouco se faz muito


Do CD Junta Corações – Festas do S. João do Porto. Faixa 12 – É nosso o S. João. Letra e música de Sérgio Godinho.

Santo António é Lisboa…

… e o resto é paisagem. Neste orgasmo antonino das estações de televisão nos últimos dois dias, em que, pelos vistos, só em Lisboa se comemora o Santo António. Curiosamente, quando chega o S. João, já se lembram que também é de Braga. É a chamada “regionalidade selectiva”.

as minhas memórias-2-História do Chile


A História do Chile não regista as maldades que narrei na minha escrita da manhã, essas atrocidades em que eu ia morrendo e tive que sair a correr do país en que menos tempo de minha vida, vivi.
O Chile foi sempre simpático, acolhedor, alegre, com festas e desfiles por sim ou por não. Teve duas guerras, como tenho relatado nos meus livros sobre a História do Chile, nos anos 30 do Século XIX, contra a confederação Peru – Boliviana que atacou ao país pelo norte, para se apoderar das do Nitrato de Sódio, que eram uma fortuna. O Chile defendeu-se e ganhou todas as minas: as que possuía antes e as que eram de Bolívia, em Antofagasta, que passara a ser chilena, como a Província de Arica, antes do Peru, mas por direito de conquista passou a ser do nosso país. Tinha também conquistado Tacna, mas por tratado entre os Presidentes Leguia e Figueroa, o armistício foi assinado a 29 de Agosto de 1929, e Tacna foi devolvida ao [Read more…]