Passos Coelho vai aumentar as mamas

9524901_eqECpSoubemos que Passos Coelho irá proceder a uma operação para aumento das mamas e passará a usar vestidos curtos que lhe favoreçam as coxas, procurando, deste modo, criar uma imagem ainda mais aproximada da taróloga Maya.

As parecenças entre Passos Coelho e Maya acentuaram-se em 2010, quando o então candidato a primeiro-ministro fez referências a um futuro que não se confirmaria. Para além disso, tal como a astróloga/apresentadora, Passos Coelho tem feito previsões que falharam de modo quase sistemático.

O chefe do governo escolheu o dia de hoje para fazer este anúncio, uma vez que é na Festa do Pontal que costuma fazer as previsões mais disparatadas.

Alguns membros do governo já comentaram, em tom jocoso, a decisão do líder: “Afinal, a mama ainda não está para acabar!”

Do arbítrio

Podemos avaliar a estabilidade e maturidade de um sistema pela previsibilidade dos resultados produzidos.  Um sistema fiável que seja alimentado por iguais entradas conduzirá a resultados, senão iguais, pelo menos aproximados. E eventuais desvios são monitorizados e sujeitos a um processo de mudança por parte de um agente externo para tal mandatado.

O nosso sistema judicial não é nada disto. As recentes decisões sobre a legalidade/ilegalidade da candidatura dos dinossauros políticos têm evidenciado que as sentenças são arbitrárias,  fruto de interpretações individuais. Isto significa que quem recorrer à justiça não tem garantias de a obter, podendo um juiz decidir uma coisa e outro juiz decidir o oposto. O próprio processo de recurso, mesmo sendo uma forma de introduzir equilíbrio que devia ser, como o próprio nome indica, uma forma de excepção, em vez de ser visto como o passo seguinte, está ele mesmo sujeito à imprevisibilidade, possivelmente menor por se tratar de decisões colectivas.

Atendendo aos resultados díspares, é lícito afirmar que temos um sistema judicial de baixa maturidade. Mas olhando para a matéria prima usada, isto é, para as leis que a justiça deve procurar aplicar, percebermos que não cabe apenas ao executor a falta de qualidade. Com efeito, o legislador produz leis frequentemente pouco claras, incompletas e em contradição com outras leis. Sem querer desculpar a máquina judicial, o facto é que a matéria prima usada é de qualidade rasca.

Ainda neste caso dos candidatos autárquicos em modo gafanhoto, o legislador não quis clarificar as dúvidas. E querer é o verbo exacto, já que teria bastado um deputado ter apresentado uma proposta de alteração para que este circo das candidaturas autárquicas não estivesse a acontecer. Mas nenhum o fez. Preferiram colocar os interesses do partido à frente dos do país, seja para possibilitar a reutilização de candidatos requentados, seja para ganharem trunfos para os derrubar.

Tudo sinais de um sistema imaturo e pouco fiável, bem nos antípodas da imagem passada pelos próprios protagonistas. Deputados bem pagos mas incompetentes, juízes bem pagos mas com cada cabeça sua sentença.

Egipto: Irmãos muçulmanos e militares disputam o poder a qualquer preço

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© Bruno Charoy

«Eis o que se pensa no Ocidente sobre a situação egípcia: uma experiência democrática estava em curso, o exército quis por-lhe termo, instrumentalizou o descontentamento popular para fazer um golpe de Estado. E lamenta a ingenuidade do povo egípcio, que preferiria submeter-se aos militares a confiar no presidente islamista que ele próprio elegeu. Incapaz de se vergar à longa aprendizagem da democracia, o povo egípcio teria esquecido todos os males que o exército lhe infligiu…

Não, o povo egípcio não esqueceu. Não esqueceu o que sofreu durante os dezasseis meses em que o exército governou de forma directa o país. A iniciativa que entretanto tomou não é, de forma alguma, uma escolha entre os militares e os Irmãos Muçulmanos. Ela representa uma nova etapa na marcha que empreendeu para afirmar a sua autonomia cidadã. Pois o povo egípcio deixou de ser um comparsa no teatro de operações do palco político. Adquiriu, desde Janeiro de 2011, um estatuto de actor autónomo e decisivo. E adquiriu esse estatuto, qualitativamente novo, não porque tenha derrubado o autocrata Mubarak, mas porque recusou a legitimidade do seu poder. Até então, no país dos faraós e dos sultões, esse poder não era apenas exercido sem limites e sem controlo. Era, ainda por cima, legitimado pelo conjunto da população.  Por que razão aceitava, com a naturalidade de uma evidência indiscutível, um poder em relação ao qual não tinha qualquer ascendente? Porque esse poder, parecia-lhe, emanava de uma instância superior, transcendente. Porque representava, aos seus olhos, o reflexo na terra de um destino celeste. [Read more…]

Arredas Folk

arredas-folk-fest-2Edição 2013.