Pobre diabo!

“Precisamos de mais exorcistas” – Padre Duarte Sousa Lara

It’s The End Of The World As We Know It…

Captura de ecrã 2013-08-6, às 17.21.49

Ao longo dos últimos anos participei em dois projectos na blogosfera em paralelo com o Aventar. No Albergue Espanhol (até às legislativas) e depois destas no seu herdeiro, o Forte Apache. Sem nunca deixar de escrever no Aventar, a minha casa originária.

Hoje terminou um ciclo com o fim do Forte Apache. Foi um prazer, uma honra e um enorme orgulho partilhar ideias com todos os fundadores e participantes destes dois blogues. Permitam-me que saliente alguns em especial: o Pedro Correia, o Luís Naves, o Francisco Almeida Leite, o Carlos Abreu Amorim, o Rodrigo Saraiva, Adelino Maltez, João Villalobos e António Nogueira Leite. Pela relação de amizade que se estabeleceu e por tudo o que com eles aprendi. A eles e a todos os outros que fizeram parte deste projecto fica o meu público agradecimento.

Existia um ponto (no mínimo) em comum: acreditar que Pedro Passos Coelho e, posteriormente, o seu governo, seriam a solução para a mudança necessária que o país precisava. E disso fazer o devido eco na blogosfera. Aos poucos o blogue (Forte Apache) foi-se esvaziando dos seus fundadores. Mais tarde, alguns deixaram de escrever por variados motivos e até mesmo aqueles que ficaram responsáveis pela gestão do Forte começaram, como se diz na minha terra, a “perder a pica”. Foi o meu caso. E as razões são facilmente compreendidas por quem, mais atento, reparou/leu nas minhas opiniões ao longo dos últimos meses.

A vida é feita de ciclos e este (2009-2013) terminou. Pelo meio, grandes alegrias, enormes amizades, algumas tristezas e nos últimos tempos várias desilusões. É assim a vida. É assim a política.

Evolução

Da comida de plástico à de vidro.

Sejamos sérios

Diz-me o calendário que hoje é dia 6 de Agosto de 2013. Data assinalável a vários títulos.

Neste dia, há 68 anos, acontecia a bomba sobre Hiroshima. Eu era um garotinha atenta ao que ouvia à minha volta: a 2ª Guerra Mundial tinha acabado e em Luanda, onde vivia, tinha havido uma grande manifestação de regozijo, mas eu não percebi porque é que foi preso um homem que deu vivas à Rússia, um país aliado segundo diziam os mais velhos. Muitos anos depois, a conversar com o Raúl Indipo, do Duo Ouro Negro, entrámos nessas memórias e fiquei a saber que também ele tinha ficado confuso: julgou que estavam a dar vivas à Russa, má peça com toda a certeza porque quem a saudava era preso, mas ele nunca conseguiu saber quem era a matrona enquanto catraio. Naquele dia, há 68 anos, eu estava sentada na areia da praia onde vivia mais o Sérgio, o filho do cozinheiro que democraticamente andava na escola pública comigo por decisão da minha mãe. Contei ao Sérgio o que tinha ouvido sobre Hiroshima e adiantei que os americanos iam continuar a deitar bombas por todos os lados. Vem de longe esta desconfiança em relação aos camones e vá-se lá saber porquê. O Sérgio estava de olhos arregalados mas não tugiu nem mugiu. Quem o fez por ele foi o pai cozinheiro que, pelo anoitecer, se plantou diante da minha mãe com o filhote pela mão e declarou que ia dormir ao musseque porque queria morrer ao pé da família. O aranzel que aquilo deu. [Read more…]

dísticos (4)

dizes:
essa forma não se ajusta às nossas necessidades.

eu registo:
continuas usando o plural majestático.

«dísticos» – Alberto Pimenta, Corpos estranhos (1973)

dísticos (3)
dísticos (2)
dísticos (1)

Nuno Crato não sabe o que é um ano lectivo

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATONão saber o que é um ano lectivo corresponde, na prática, a uma condição sine qua non para se ser Ministro da Educação em Portugal. Nisso, como em muita outras coisas, Nuno Crato tem-se mostrado à altura do cargo, não destoando dos seus antecessores.

Tentarei, de forma sumária e simples, ajudar os próximos ministros a perceber este conceito tão espantosamente simples.

Em primeiro lugar, é importante perceber que se trata de um período. Foi por isso que o inventor do conceito resolveu usar a palavra “ano”. Concedo, ainda assim, que a dificuldade do ministro não esteja neste termo. Talvez o problema esteja em “lectivo”, que os adjectivos são palavras terríveis.

Uma consulta a qualquer dicionário ajudará Nuno Crato a perceber que o adjectivo é equivalente a escolar. Poderemos, assim, concluir que “ano lectivo” se refere a um período em que há aulas. [Read more…]