Ainda o cheque-ensino

Santana Castilho*

O presidente do “Fórum para a Liberdade de Educação”, Fernando Adão da Fonseca, interpelou os leitores do artigo que escreveu neste jornal, no passado dia 25, sob a epígrafe “A liberdade de educação e os inimigos da liberdade”. Antes, referindo-se à proposta de revisão do Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, classificou os comentários que se têm produzido sobre o tema em dois exclusivos grupos: os que visam “simplesmente confundir o esclarecimento do que está em causa” e os que demonstram “uma oposição reacionária a qualquer mudança”. Porque sou um dos interpelados (li o artigo) e porque sou um dos visados (ousei comentar o tema), importa dizer algo. Comecemos pelas interpelações. Pergunta Adão da Fonseca se o reconhecimento de pertencer aos pais a tutela primeira sobre a educação dos filhos traduz valores de “esquerda” ou de “direita”. A resposta é óbvia e é o articulista que a dá, quando nos recorda que o conceito está contido na Declaração Universal dos Direitos do Homem. [Read more…]

Cartoline d’Italia (14) (da Palermo)

Elisabete Figueiredo

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As pessoas interessam(me) pouco se não me acertarem diretamente no coração

Cheguei ontem às 10 da noite a Palermo, Sicilia, depois de um dia longuíssimo em que me perdi no mar, entre outras coisas. Palermo pareceu-me ontem uma cidade tranquila, quando depois de pousar as malas no hotel da Via del Celso, a voltei a descer, rumo à Via Maqueda que percorri por um bocadinho até alcançar o Teatro Massimo, imponente e luminoso no meio da noite. Estava tudo silencioso à minha volta. Pouco iluminado, excetuando o teatro. Sentei-me por ali numa esplanada e comi um gelado. Os sabores já os conhecem, ‘cioccolato, fragola e limone’. Tenho a originalidade que se sabe. Quero dizer, nenhuma e gosto de hábitos e de canções do Paolo Conte. Un gelato al limon, sprofondati in fondo a una città*… por exemplo. E como os gelados sem misturar os sabores. [Read more…]

Fonte da Pipa

fonte da pipa

Da série Quem te viu e quem te vê

nuno cratoNuno Crato, ao tempo na UDP. Ainda esta semana me contava um seu antigo camarada que este, e o José Manuel Fernandes, antes do o serem já o eram. Canalhas.

 

Não queremos semear ventos

No primeiro semestre de 2013 a taxa de desemprego desceu de 17,7% para 16,4%. De acordo com o INE, a principal causa apontada para este fenómeno inesperado é o aumento do número de empregados no sector agrícola. Só no último ano, a agricultura portuguesa conta com mais 3000 jovens na busca do oásis biológico.

Se numa primeira colheita este regresso às origens, ao sector primário, ao trabalho nos campos, surge como uma lufada de ar fresco na economia nacional que se temia estagnada, não podemos fechar os olhos a outros factores conjunturais e estruturais que, se ignorados, poderão ensombrar o futuro do ressurgimento desta actividade.

Por um lado, o aumento da empregabilidade neste sector deve-se à alteração fiscal aprovada ainda em 2012: até 31 de Outubro de 2013, todos os agricultores são obrigados a declarar a abertura da sua actividade e serão colectados em IVA. Ora, custa a crer que o “boom” de agricultores se deva apenas a novos projectos – haverá certamente entre eles quem já tenha há muito tempo iniciado esta actividade mas só agora, por força da legislação, regularizou a situação perante a administração fiscal.

Por outro lado, haverá que ter em conta que, na sua grande maioria, os novos inscritos criaram o seu próprio emprego. Projectos co-financiados, economias domésticas, mercados especializados e pouca capacidade de exportação a curto prazo são as características mais comuns destas iniciativas.

Outro fator de risco é a impreparação de quem se aventura na agricultura. A limitação geográfica do território nacional e a saturação de alguns mercados no setor agrícola são condicionantes para o sucesso de quem se entrega pela primeira vez a estes caminhos.

Sobre estes fatores já se pronunciou também a AJAP (Associação Nacional de Jovens Agricultores), que chama ainda a atenção para a sazonabilidade adveniente da altura das colheitas tornando, como tal, a empregabilidade temporária.

Nada disto, porém, anuncia que agricultura em Portugal está condenada ou não tem futuro. Antes pelo contrário: temos vontade de investimento e (nacional e internacional), temos várias alternativas de cofinanciamento (governamental e europeias), temos condições geológicas que proporcionam a criação de produtos com qualidade competitiva a nível internacional, temos uma conjuntura favorável, com o surgimento de novos mercados ligados à agricultura biológica e aos produtos naturais.

Não podemos, todavia, deixar a agricultura à toa. Saber aproveitar esta rampa de lançamento é crucial para a criação de alicerces sólidos no sector. Para que tal se concretize, a fiscalização da utilização de recursos é fundamental para o sucesso. Haverá que proceder a análises financeiras, de mercados, geológicas e de potencial de crescimento com regularidade. Para além disso, saber comunicar o desenvolvimento e o surgimento de produtos nacionais, apelar ao seu consumo interno e externo, apoiar os projectos e iniciativas viáveis é absolutamente essencial para que a agricultura se torne, finalmente, num sector português de excelência, há tanto tempo prometido. Caso contrário, estaremos apenas a semear ventos.

Cartoline d’Italia (13) (da Costiera Almafitana, da Napoli e da Palermo)

Elisabete Figueiredo

IMG_5625Acanto a te…*

Hoje, se soubesse como, podia escrever uma cartolina cheia de poesia. A vida é bastante, no entanto. Quero dizer, há bastante poesia em toda a parte e isso talvez seja suficiente. É de certeza suficiente. E asseguram-me que assim é, de muitas maneiras, as pessoas, certas pessoas, as canções do Paolo Conte que hoje cantei, com alguém, muito alto, enquanto seguíamos a Costiera Amalfitana, o sol da terra do mezziogiorno, o mar em volta a refletir a cor de um profundo olhar. Sim, é verdade, há poesia bastante em toda a parte e lontano a te no se pò stare**. E, mais que no mar, ali ao fundo, do ‘mare scuro che si muove anche di notte e no sta fermo mai’*** o que deveria acontecer era mergulhar, tuffarmi negli tue ochi**** e ficar, lá no fundo, a enlouquecer devagar.

Alguém de quem gosto muito fez hoje sete horas (andata e ritorno) de viagem só para me mostrar a Costiera Amalfitana. Deve valer a pena, pensei. E nela demorámos, a valer a pena, devagarinho, um pouco mais de tempo. Alguém que conheço há muito tempo e canta comigo e me faz rir e me oferece girassóis, só porque gosta de me ver contente. Alguém que raramente me disse outra coisa além de todas as palavras certas. Mesmo se estiveram, algumas vezes ou muitas, fora do tempo ou dos lugares ou me tenham parecido erradas. [Read more…]

The Day After

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The Day After – O Dia Seguinte a um confronto nuclear, retratado neste telefilme de 1983. Página IMDB.

Legendado em português.