Professores: os do quadro, os de qzp e os outros

Os concursos de professores acabam por ser uma das marcas do fim do verão – se os santos populares nos informam da DSC01899chegada do descanso, as filas nos centros de emprego empurram as nossas memórias para o fim das férias.

E este ano foi marcado pelo alcançar de um sonho de qualquer gestor de trazer por casa, daqueles que por estes dias enchem os gabinetes dos nossos ministros: o desemprego total.

Mas, os concursos de professores trouxeram outras trapalhadas, cujas consequências estão ainda por apurar, pelo menos, no que diz respeito à vida de cada um dos envolvidos.

Por razões de carácter administrativo, o MEC permitiu a docentes menos graduados a obtenção de uma colocação mais favorável, quando comparada com a que colegas “mais velhos” garantiram. Ao possibilitar que os professores dos Quadros de Zona Pedagógica fossem colocados primeiro que os dos quadros de escola em “destacamento”, Nuno Crato conseguiu criar mais uma enorme injustiça.

A gestão dos processos de destacamento por doença deve ter sido gerido pelo pé direito do Cardozo. Tanto se quer poupar e depois consegue-se colocar uma dezena de professores onde apenas um é suficiente. Temos ainda alguns milhares dos quadros sem colocação e muitos outros, os que têm trabalhado com contratos a termo, em casa, à espera que uma boa notícia chegue. Infelizmente, para a esmagadora maioria, o “telefone nunca irá tocar”.

E, com tudo isto, não se consegue encontrar uma linha política clara. Ou antes, até se consegue, mas levam todas ao mesmo fim: estragar, até ao impossível, qualquer valor que a Escola Pública ainda possa ter.

Nota: existe uma petição sobre esta questão.

Comments


  1. Esse é o papel do Cratino: estagar a Escola pública.


  2. Daí que seja importante que se realize em 2014 um novo concurso extraordinário. Neste concurso interno seriam obrigatoriamente candidatos, em igualdade de circunstâncias, todos os docentes dos quadros de zona pedagógica, bem como todos aqueles que pretendem mudar de quadro de agrupamento, tendo a graduação profissional como critério…

    http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Arlindovsky


  3. Só assim será reposta a justiça, pois com a minha graduação não teria de regressar à escola de origem. É revoltante.


  4. Nao vejo qual o drama das ditas injustiças a nível de prioridades… Ponto n1: faz todo o sentido que quem está sem componente letiva tenha trabalho porque está ser pago. Logo, os docentes de QA e QZP que tenham necessidade de achar horário algures na sua zona pedagógica têm de ser prioritários. Logo, faz ainda mais sentido que so depois se satisfaça os desejos de quem tem escola para dar as suas aulas e queira mudar de ares ou seja, em segunda prioridade. Aqui nao ha que reclamar por “velhice”, resume-me a uma lógica.


    • A questão não está em saber se o gestor faz bem ou mal, ou até, se o colega A fica em vantagem. O ponto certo é: o professor com melhor graduação deve ser o primeiro a ser colocado, sim ou não? Claro, que do ponto de vista do umbigo de cada um, em cada momento, há sempre um interesse diverso. Se tem 10 anos de serviço e fica na escola ao lado de casa e vê um colega com 30 a fazer 100 km todos os dias, para quê incomodar a dignidade?
      E melhor ainda: muitos horários vão agora ser ocupados por docentes contratados que vão ficar “melhor” do que muitos dos quadros… Mas, isso é a justiça, essa coisa subjectiva…
      JP

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