Profissão: presidente

dinosaur-ridge

Não vou discutir a decisão do Tribunal Constitucional, nem sequer comentar a ironia de o seu relator ser filho de um político profissional que agora anda pelos negócios estrangeiros.  Fico-me pelo que já havia defendido: o princípio republicano da não profissionalização da actividade política levou uma chapada. Não por inconstitucionalidade, note-se, mas por interpretação de uma lei, como lhe competia.

Tenta-se argumentar com a soberania do voto; fraquinho, tanto mais que a valer contaria também para as eleições presidenciais. Com as notáveis qualidades de muito autarca que assim pode investir competências adquiridas noutro concelho, e incompetências também, já para não falar no vício do poder, a que esta gente está agarrada.

Não concebo a política como uma profissão. Mesmo os deputados deveriam ter limite de mandatos (e numa eleição menos personalizada por maioria de razão). Porque o poder corrompe, altera a mente, arrasa a humildade,faz saltitar os neurónios e e nisso não há santos nem virgens eternas, apenas os que resistem à corrupção por terceiros mas é limpinho que adquirem maus hábitos, começando no seu relacionamento com os respectivos correlegionários.

É da própria definição de política republicana: ocupa-se um cargo levando para ele a experiência de vida e regressa-se à vida para adquirir mais experiência, faz sempre falta. e aqui não há esquerda nem direita, embora tenha de admitir que quem acha que o Jerónimo de Sousa é operário tenha dificuldades em entendê-lo (e porque não foi a URSS socialista mas um mero capitalismo de estado onde se trocou a burguesia por uma nova classe de políticos profissionais, também).

Resta-me desejar a derrota de todos os que mudaram de concelho (e uma primeira aberração legal está aí, qualquer um de nós pode concorrer à Câmara do Corvo, mesmo que nunca tenha visto o mar), o que num caso, por consideração para com o visado até me chateia, mas princípios são princípios.  E os fins não justificam estes meios.

 

Comments


  1. “Não vou discutir a decisão do Tribunal Constitucional,” discuto eu, se não conseguiram compreender a intenção do legislador bastava lerem as crónicas no público que o eurodeputado e proponente do projecto de lei ao parlamento paulo rangel escreveu sobre o assunto ou terem consultado os arquivos da assembleia de quando essa lei foi a debate. Ainda que no fundo a culpa seja dos senhores deputados da assembleia que não quiseram clarificar a lei, Proponho ainda que se uma lei de limitação de mandatos não cumpre a função de limitar mandatos seja anulada ou no mínimo revista.

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