Uma prova para o Sr. deputado

Há sempre uma surpresa ao voltar de uma página.michael

A FENPROF levou ao Parlamento a questão da prova de Nuno Crato aos Docentes Contratados. Trata-se de um instrumento humilhante para quem, há anos e anos, educa os nossos alunos. Gente com formações diversas, cada vez mais ao nível dos Mestrados e dos Doutoramentos, se calhar um bocadito, quase nada, ao nível de alguns dos nossos deputados…

Fui espreitar, confesso, o currículo destes representantes e eis que vi com agrado o currículo do Michael Seufert. Eu que não sou de intrigas, que não gostei nada das questões em torno das habilitações de outros personagens, fiquei curioso e tenho uma pergunta que talvez alguém me possa ajudar a responder:

– é possível frequentar um Mestrado sem ter concluído uma licenciatura?

Se calhar é, mas não deixa de ser curioso, que um estudante como este venha sugerir que os Professores façam a Prova! Deve ser para evitar repetir o erro dos docentes que o deixaram chegar à Faculdade. Só pode!

Comments


  1. Por acaso é possível. Basta que tenha entrado para a universidade num período pré-bolonha. Quando o curso foi dividido em dois ciclos possivelmente ficou com cadeiras feitas da licenciatura e do mestrado. Claro que a ironia que pretendia evidenciar não era essa…

  2. Jumento palavroso says:

    No caso do curso e escola em questão o mestrado é integrado!
    Portanto…

    • Carlos Fonseca says:

      Quer dizer, já temos mestrados que se diferenciam segundo a farinha do pão. O mestrado integral e o branqueado. Eu fiz uma pós-graduação e um mestrado em tempo pré-Bolonha, tendo-me sido exigido por duas escolas, Universidade Católica de Lisboa e ISCTE, a comprovação documental da licenciatura em ambos os casos..


    • Pois, eu não conheço o currículo todo do senhor, nem reparei qual era o curso e/ou a instituição…
      Mas fiquei mais esclarecida.


  3. É vergonhoso, aviltante, absurdo, ilustrativo da bandalheira em que se tornou a Universidade em Portugal, mas sim, é possível ingressar num mestrado sem tirar uma licenciatura. Pasme-se, até é possível tirar um doutoramento sem ter uma licenciatura! Deixo aqui um link para um doutoramento (no caso em Engenharia na FCT da Caparica) – http://www.fct.unl.pt/candidato/doutoramentos/doutoramento-em-engenharia-mecanica – , porque não me lembro agora do decreto-lei que permite esta aberração, mas estas condições de acesso repetem-se em várias universidades por esse país fora.

    Discordo de si quando diz não gostar das questões em torno das habilitações académicas dos outros. Eu pelo contrário acho que estas questões devem ser tornadas públicas e mais que públicas, sobretudo quando dizem respeito a cargos pagos com o dinheiro de todos nós. Basta ver este exemplo de falta de vergonha na cara – http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=93051 – que saiu hoje nos jornais.

  4. j. manuel cordeiro says:

    Foi ser blogger do Insurgente, e não as habilitações, que o levaram a deputado. Deve ter-se esquecido de meter isso no cv…


  5. Que curriculum impressionante! Realmente assim é difícil aceitar os pedidos de austeridade…aos outros.

  6. mrego says:

    Quando se frequentou uma licenciatura pré-bolonha e não se concluiu e depois o número de cadeiras realizadas com aproveitamento é suficiente para obter uma licenciatura pós-bolonha é passado um certificado de conclusão e não de frequência. Por isso a dúvida persiste em mim??

  7. manuel says:

    Dá vontade de enviar um mail a este tipo: http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EmailDeputado.aspx?BID=4157

    e mostrar-lhe o que é um currículo:

    Acho que vou enviar o meu.

  8. manuel says:

    Dá vontade de enviar um mail com o meu currículo e mostra-lhe o que é ser realmente licenciado pré-bolonha.

    O mail do tipo é:http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EmailDeputado.aspx?BID=4157

  9. Pedro says:

    ´Frequência’ não é o mesmo que ‘Conclusão’. Ou seja, frequentou…andou por lá!


  10. Tudo deve ser livre na web mas campanhas pessoalizadas metem nojo.Podia apresentar o seu post com um nome ficticio e o resultado era uma dignidade que assim não se nota.


    • Pessoalizada? Nada disso. O Senhor Deputado tem o currículo – e muito bem – acessível de forma pública e parece-me absolutamente democrático questionar a possibilidade de ser Mestre sem ser licenciado, em especial, quando se exige a um Professor que faça uma prova estúpida! Simples, não?
      E sem esconder nada, sem usar nomes ocultos e outras ideias que tal. Está tudo assinado.
      JP


  11. obrigado por esta publicação!!

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  1. […] No blog Aventar: Uma prova para o Sr. Deputado […]


  2. […] que está com algum receio que lhe apareça pela frente um deputado estudante ou alguém do Insurgente? Ou será que estamos na presença apenas de um erro, infelizmente, repetido duas vezes na mesma […]


  3. […] deste partido: pelos vistos já conta com o apoio do deputado Michael Seufert, esse mesmo, o que frequenta um mestrado sem ter acabado a licenciatura, seguindo as suas palavras: há que sair da zona de conforto, aguardemos pois que abandone o sofá […]

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