Draghi amigo, a Albuquerque, o Coelho e o Portas estão contigo!

Mario DraghiDraghi está revelar-se aparentemente um homem instável. Transmite a ideia de sofrer da patologia de mudança comportamental, com súbitas e contraditórias transformações cognitivas e comunicacionais.

Na Comissão de Assuntos Económicos do PE, ontem, admitiu a possibilidade de Portugal não ter o sucesso de “saída limpa” (idêntica à da Irlanda) do PAEF e, portanto, estar em risco de, terminado este, vir a recorrer a um ‘programa cautelar’ até ao regresso normal aos mercados.

Ao arrepio deste alarme perante os parlamentares europeus, com a subsequente divulgação pela comunicação social, hoje enviou uma mensagem às redacções a declarar:

Cabe exclusivamente às autoridades portuguesas decidir sobre um possível novo programa

Será que o homem é vítima de doença bipolar? Não creio. Acções de bastidores, e muito possivelmente de Washington, de Bruxelas e da inevitável Berlim, levaram o presidente do BCE a desfigurar o que havia afirmado, menos de 24 horas antes.

Perdida a bússola da Irlanda, de quem o governo português esperava a facilidade do trabalho ‘copy and paste’, tipo aluno cábula, a insegurança e a dúvida do que fazer agravaram-se nas preocupações da Albuquerque, do Coelho e do Portas.   [Read more…]

Regressámos aos mercados e… ao ‘clube da bancarrota’

Pode imaginar-se alguma satisfação minha no afundanço do País, devido sobretudo ao teor de certos textos que publico no Aventar.

Pelo contrário, trata-se, apenas, da necessidade de manifestar legítima e justificada preocupação com o rumo desastroso da nossa vida colectiva, evidenciado nas ‘contas públicas’ e na progressiva degradação social e económica a que o actual e anteriores governos – desde Cavaco – nos condenaram.

Há dias, tomei a iniciativa de publicar o ‘post’ com o título ‘O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!’.

Considerável número de comentadores não foram parcos nas censuras com que me brindaram; houve mesmo quem me classificasse de ignorante por ter considerado que a operação de ‘troca de dívida’ – ‘adiamento’ para os menos familiarizados com a linguagem tecnocrática – tenha ficado muito abaixo dos objectivos do governo. Foram colocados apenas 24,66% (6.642 milhões de euros) de um pacote de mais de 26.000 milhões. [Read more…]

O País para trás, a dívida para a frente mas devagar!

A operação de “troca de dívida” ficou consideravelmente abaixo do valor referido pelo Ministério das Finanças. Conforme anunciado ontem na comunicação social, Maria Luís Albuquerque (MLA) e IGCP estabeleceram o objectivo de adiamento dos vencimentos de 26.935 milhões de euros, nas condições demonstradas no quadro seguinte:

Dívidas_adiamento

O Tesouro Português conseguiu, apenas, colocar no processo de ‘troca’ 6.642 milhões de euros. Note-se que, do diferimento de prazo das dívidas de 2014, Portugal apenas obteve dos mercados a prorrogação de 2.675,5 milhões de euros para 2017, fixando-se em 4164,5 milhões a “troca” para 2018.

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Por baixo da mesa

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O regresso aos mercados.

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O Governo é oposição

A estratégia comunicacional do Governo consiste em retirar espaço à oposição defendendo várias posições contrárias ao mesmo tempo. Ao princípio, talvez por mau funcionamento da máquina partidária ou por disfunção psiquiátrica, esse papel cabia unicamente a Passos Coelho, o que chegou a trazer alguns problemas à integridade física do primeiro-ministro, porque é muito difícil separar o agredido do agressor quando são a mesma pessoa. A última vez que se assistiu a um fenómeno semelhante remonta à primeira metade do século XX, quando Álvaro de Campos escrevia cartas à namorada de Fernando Pessoa.

A nova estratégia começou a ser testada com as polémicas “piegas” e “se és professor, emigra” e ganhou consistência aquando da recente e aparente confusão relativa à reposição adiada dos subsídios de férias e de Natal: primeiro, Vítor Gaspar garantiu que voltariam em 2013; depois, Passos Coelho afirmou que talvez voltassem em 2015; finalmente, Vítor Gaspar, opondo-se a si mesmo, garantiu que já tinha afirmado o mesmo que Passos Coelho. [Read more…]