INE – a triagem da informação publicitada

Os jornais, ‘Público’ e ‘Jornal de Negócios’ por exemplo, divulgaram a informação do INE de que o indicador de ‘actividade económica’ atingiu o máximo desde Abril de 2011.

A notícia é positiva. Todavia, impõe-se fazer um juízo rigoroso. Comecemos por lembrar o conceito de ‘actividade económica’:

A expressão Actividade Económica designa o conjunto de relacionamentos e de tarefas realizadas pelos diferentes agentes económicos com vista à obtenção dos bens necessários à satisfação das suas necessidades através da utilização racional e eficiente dos recursos produtivos disponíveis. Neste conceito de actividade económica estão incluídas actividades como a produção (incluindo a transformação, a distribuição e a prestação de serviços), o consumo, a regulamentação, a repartição do rendimento, a exportação, a importação, entre outras.

Teoricamente e como se prova no documento ‘Comportamento Conjuntural da Economia’, acessível através do Google, o próprio INE não se afasta do conceito descrito.

Com o objectivo de tornar objectiva e clara a informação do INE, valemo-nos dos seguintes trechos:

  • “A informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo (ICP) revelou, em termos homólogos, um crescimento da produção industrial e uma diminuição da actividade económica nos serviços e na construção e obras públicas.O Eurostat, comunicado n.º 198/2013 desta mesma data (18-Dez-2013) refere que, na construção, Portugal em Outubro-2013, com – 15,1%, liderou as quedas na UE28, comparativamente a Setembro-2013.
  • Embora em título, o INE refira que o consumo e o investimento se mantiveram em recuperação em Outubro-2013, o texto refere explicitamente “O indicador de FBCF diminuiu de forma ligeiramente menos acentuada, em resultado da evolução da componente de máquinas e equipamentos.” – FBCF, Formação Bruta de Capital Fixo, é a variável utilizada para avaliar o investimento, como se sabe.
  • A despeito da intensa aposta do governo, as exportações em Outubro-2013, aliás tal como as importações,  registaram variações homólogas de 4,6% e 1,2%, respectivamente, contra 5,8% e 3,5% no mês precedente.
  • “O indicador quantitativo do consumo privado voltou a recuperar em Outubro, reflectindo o contributo positivo mais expressivo de ambas as componentes, consumo corrente e consumo duradouro.”
  • A variação media nos últimos doze meses do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) diminuiu para 0,6% (0,8% no mês anterior).

Passemos a sumária análise. O aumento do ‘consumo privado’ e o abrandamento das ‘exportações’ significa que os resultados contrariam as políticas do governo. Os nossos governantes, bem estudado o problema, ainda terão de agradecer ao Tribunal Constitucional a reprovação de cortes de certos rendimentos.

A variação média de preços continua a diminuir para números demasiado baixos em Portugal, embora afastada dos – 0,9% registados na Zona Euro. O Sr. Mario Draghi para quem a taxa de inflação de 2%/ano seria a ideal (quando muito, pouco acima dos 1,5% há dias referidos pelo presidente do BCE) deve estar perturbado e preocupado com o incremento de riscos de deflação. Draghi e os restantes líderes europeus.

Há, portanto, fenómenos que aconselham prudência, porque aqui e na Europa estamos mais próximos das trevas do que de radioso Sol.

Comments

  1. portela says:

    Excelente, bem esmiuçado, Fonseca. Permita que dê nome a dois fenómenos, ao das Trevas e ao do Sol: um é sra Merkel e o outro é o Papa Francisco. Obrigado!

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