OCDE: queda de custos unitários do trabalho e produtividade em Portugal

 A produtividade do trabalho é baseada no valor acrescentado e em horas ou pessoas; custos unitários do trabalho baseados na compensação do trabalho e nos resultados da produção. 

                                                                                                        (Conceitos da OCDE)

Paulo Portas, em assomo de autoridade de governante demissionário irrevogável e revogado, recorreu ao estilo demagógico em que é perito. Com virilidade e ímpeto,  foi peremptório perante a AR e os portugueses:

O governo não acredita num modelo de salários baixos… é importante que os portugueses percebam que em algumas matérias as posições do Governo são diferentes das do FMI…

Tão bem ou melhor do que o indiano do FMI, Portas sabe que o modelo económico decorrente do “plano de assistência” permitiu uma intensa, e dramática para as famílias, desvalorização de salários e de outros rendimentos (reformas e pensões).

As medidas de flexibilização da legislação laboral – facilidade e embaratecimento dos despedimentos – conjugadas com os cortes salariais na função pública e o congelamento do SMN conduziram os trabalhadores portugueses a baixos níveis de rendimento, ao desemprego e difíceis condições de vida – o desemprego de ‘longa duração’ envolve mais de 200.000 trabalhadores com idade superior a 45 anos, muitos deles sem direito a subsídio.

Seria interessante conhecer a opinião dúplice de Portas, dividida entre a defesa do governo e os objectivos de poder do CDS, a respeito dos dados publicados hoje na comunicação social, oriundos da OCDE.

O ‘Público’ escolheu o título “Portugal tem a maior quebra dos salários e produtividade da OCDE no terceiro trimestre”, ao passo que o ‘Diário Económico’ se limita a destacar “Portugal com terceira maior quebra da OCDE nos custos do trabalho”.

São escolhas editoriais e cada título terá a sua motivação. Todavia, o conteúdo constitui a componente decisiva da notícia. Seleccionando justamente a leitura do ‘Público’, ficamos a saber:

  • As remunerações por unidade produzida em Portugal caíram -1,4% no 3.ºT.
  • A produtividade (medida como produto por pessoa empregada) teve -1% de quebra.
  • Conjugando os dois indicadores, os custos unitários do trabalho em Portugal sofreram uma redução de -0,4% no trimestre em causa – isto, depois de, no 2.º T, esses mesmos custos terem sofrido uma redução de -1,9% e a produtividade um aumento de +0,3%.

Podem tentar iludir-nos com jogos de quiméricas afirmações e notícias; porém, existem outros factores a requerer ponderação, sobretudo ao nível da produtividade. Se, na Zona Euro em geral, os preços dos bens estão em queda e se Portugal, desfeitas algumas actividades económicas de ‘valor acrescentado’ mais elevado, regista quebra, não devemos limitar-nos a ler um resultado final, produto de combinação de factores e de cálculos complexos a necessitar de exame aprofundado.

Quanto a Subir Lall (o representante do FMI na ‘troika’) que se preocupe com os salários (32,00 euros / mês) e os horários de trabalho (10 a 12 horas) dos desgraçados dos trabalhadores do Bangladesh que trabalham para ‘Zara’, ‘Primark’, C&A, GAP, Wal-Mart, Armani, Ralph Lauren, Hugh Boss e muito mais – ver vídeo no início.

Quanto a nós, Coelho e Portas “tratam-nos da saúde”… até ao dia em que o povo português decida ser o terapeuta.  

Comments

  1. portela says:

    O Fonseca está fornecendo dados que por certo irão registados quando a história dos nossos dias, daqui a muitos manos, um dia vier a ser contada. Não tenha dúvidas, cada vez mais, será em fontes como esta, onde os futuros historiadores iram beber.


  2. Irão – irão – irão beber – também o português anda nas “lonas” sr doutor professor
    eu irei – tu irás – ele (ela) irá – nós iremos – vós ireis – eles (elas) irão
    É natural que a ministra Pristas diga —- HADEM – alguém já não aprende porque já há quem não saiba nem para si quanto m ais para ensinar No entanto em inquéritos de RUA o passante “normal” fala bem e sabe como se escrever mas atrapalha-se com a invenção estapafúrdia do OA – estava previsto, não ?? Pois estava – os filólogos bem avisaram e escreveram – todos para o brasil pois que lá tanto faz pois que as regras são outras

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