Leitões, ladrões e aldrabões.

Leitão

Muito resumidamente, a coisa foi assim: havia um congresso do CDS-PP em Oliveira do Bairro e, como seria de esperar, alguns congressistas estavam com fome no final do certame. A comitiva do CDS-Algarve, no seu percurso de volta a casa, decidiu parar na Mealhada para se deliciar com o famoso leitão à bairrada. Local? O conhecido restaurante Meta dos Leitões.

Sentaram-se à mesa, degustaram a iguaria, pagaram e vieram embora. Mas, e aqui começa o problema, um dos comensais analisou a factura e percebeu que lhes tinham sido cobradas 4 refeições extra. Perante o equívoco, regressaram ao interior do restaurante para pedir explicações ao proprietário. Aparentemente, o responsável do restaurante terá dito aos militantes centristas, e cito fonte do próprio CDS-Algarve, que sendo estes apoiantes “desse governo que nos rouba, então para me defender eu também os roubo a vocês”.

Muito se poderia dizer sobre o contexto em que este insólito episódio aconteceu. E muito já foi dito em blogues, comunicação social e redes sociais em geral. Gostaria, no entanto, de sugerir aqui um olhar sobre um aspecto deste caso que até agora não vi ser falado ou discutido: o facto destes militantes do CDS, alvo do suposto acto de ladroagem, terem recorrido à mentira para dar força ao papel de vítima que tentaram, em vão, encarnar. Ou então são estúpidos demais para fazer cálculos básicos de matemática. Convenhamos que contar até 19 não é para todos…

Vamos então aos factos:

1. Segunda-feira, 13: CDS-Algarve comunica, através da sua página no Facebook, que os 15 militantes teriam sido “lesados” num total de 4 refeições na conta final apresentada pelo dito restaurante;

2. Terça-feira, 14: o líder da distrital algarvia do CDS, José Pedro Caçorino, diz ao Jornal de Negócios que afinal teria sido apenas uma refeição cobrada a mais, uma “revisão em baixa” como lhe chamou o Negócios. Apesar da indignação dos centristas perante o suposto roubo, a polícia não foi chamada ao local;

3. Quinta-feira, 16: Jornal de Negócios divulga um “depoimento por escrito“, enviado por Gonçalo Sarmento, proprietário do restaurante, onde este recusa categoricamente as acusações dos centristas algarvios. A sua versão refere terem sido servidas inicialmente 15 doses de leitão,  a que se juntaram outras 3 e um bife, totalizando 19 doses. Gonçalo Sarmento afirma também que o livro de reclamações foi disponibilizado e que o militante do CDS voltou ao carro para ir buscar identificação mas não regressou.

Quem está a mentir? Ainda não sabemos com toda a certeza mas estou inclinado para achar que serão os militantes do CDS.  Não só porque recorreram à mentira, desmentida depois pelo líder distrital, mas também porque, apesar da indignação, não só não chamaram a polícia como é o próprio Gonçalo Sarmento quem vai processar o CDS-Algarve, apesar destes terem afirmado que o teriam feito, algo que também foi desmentido por Caçorino, no mesmo dia. Duas mentiras portanto. E quantas mentiras apanhamos a Gonçalo Sarmento até ao momento? Zero. Parece que as odds estão contra os discípulos do irrevogável fingidor. Bem vindos à Meta do Aldrabões!

Comments


  1. Independentemente do apuramento final da verdade, eventualmente pelos Tribunais, não há quaisquer dúvidas de que a história não está bem contada!…

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