
Na parte que me toca nem me dou ao trabalho de seguir esse treta a que chamam de acordo ortográfico pela simples razão de não ser apologista da mudança pela mudança. Enfim, uma perfeita inutilidade, não fosse o caso de, volta e meia, chatear os juízo. Para um lado, é aquela sensação de desconforto ao ler um texto escrito nessa moda e ter-se sempre a sensação de que está algo errado, pois lemos pelo reconhecimento de padrões, até se interiorizar “ah é outra vez a merda do acordo”.
Depois é o ridículo de se observar os alunos de inglês a escreverem mal palavras como objective, deixando cair o “c”, à la moda acordês. E não são poucos, ao que sei. Finalmente, aconteceu eu próprio ter precisado há pouco de ir à Priberam ver como se escrevia “assumpção” para me recordar que sempre tivemos o “p” e que os brasileiros o podem usar ou não.
Aconteceu-me aquilo a que chamo o efeito de exposição ao primeiro-mentiroso. Quando se está repetidamente exposto ao falso, como acontece a quem ouça inadvertidamente o primeiro-mentiroso falar do país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior, chega-se a um ponto em que se perde a noção que é certo. Ora façam o teste. Há uma assunção no governo. Estamos perante um erro ou não?






Também se escreve assunção, mas confesso que ganhei gosto por escrever assumpção, só para chatear os acordistas.
Assunção parece-me uma correcção inconseguida.
Afinal, segundo os acordofóbicos , um dos inconvenientes da nova ortografia do português é dar origem a erros quando os alunos escrevem em inglês…
Fico muito preocupado
O acordo não vai servir para baixar o nível de erros em português, afinal antigamente toda a gente sabia escrever objectivo, aspecto, direcção, e por aí fora; e para além de criar uns novos – fato, contato, etc. – ainda lhes prejudica a aprendizagem do inglês, a língua estrangeira mais importante, portal para o mundo. Sim, deveria ficar preocupado.
Diga-me uma vantagem do acordo.
Não há vantagens, antes pelo contrário, só veio gerar confusão e dar aso às mais disparatadas respostas e perguntas, como por exemplo, “de fato o cagado vai nu”… Poder-se-à perguntar, como pode ir nu se vai de fato? Em PORTUGUÊS sem acordos, seria: De facto o cágado vai nu. Muda todo o sentido não é?
Tem “toda a razão”, Hórtographo !
Eu, por exemplo, tenho grande “prazer” em lêr “espetadores”, em vez de “espectadores” !!!!
(E ainda uso (ouso !) escrevêr aquela “chapeleta” ou acento circunflexo, ou o raio que “aquilo” se chama…)
Comércio de livreiros e lulices