Assum(p)ção

assumption

Na parte que me toca nem me dou ao trabalho de seguir esse treta a que chamam de acordo ortográfico pela simples razão de não ser apologista da mudança pela mudança. Enfim, uma perfeita inutilidade, não fosse o caso de, volta e meia, chatear os juízo. Para um lado, é aquela sensação de desconforto ao ler um texto escrito nessa moda e ter-se sempre a sensação de que está algo errado, pois lemos pelo reconhecimento de padrões, até se interiorizar “ah é outra vez a merda do acordo”.

Depois é o ridículo de se observar os alunos de inglês a escreverem mal palavras como objective, deixando cair o “c”, à la moda acordês. E não são poucos, ao que sei. Finalmente, aconteceu eu próprio ter precisado há pouco de ir à Priberam ver como se escrevia “assumpção” para me recordar que sempre tivemos o “p” e que os brasileiros o podem usar ou não.

Aconteceu-me aquilo a que chamo o efeito de exposição ao primeiro-mentiroso. Quando se está repetidamente exposto ao falso, como acontece a quem ouça inadvertidamente o primeiro-mentiroso falar do país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior, chega-se a um ponto em que se perde a noção que é certo. Ora façam o teste. Há uma assunção no governo. Estamos perante um erro ou não?

Comments


  1. Também se escreve assunção, mas confesso que ganhei gosto por escrever assumpção, só para chatear os acordistas.

  2. Dora says:

    Assunção parece-me uma correcção inconseguida.

  3. José Ortógrafo says:

    Afinal, segundo os acordofóbicos , um dos inconvenientes da nova ortografia do português é dar origem a erros quando os alunos escrevem em inglês…
    Fico muito preocupado


    • O acordo não vai servir para baixar o nível de erros em português, afinal antigamente toda a gente sabia escrever objectivo, aspecto, direcção, e por aí fora; e para além de criar uns novos – fato, contato, etc. – ainda lhes prejudica a aprendizagem do inglês, a língua estrangeira mais importante, portal para o mundo. Sim, deveria ficar preocupado.

    • j. manuel cordeiro says:

      Diga-me uma vantagem do acordo.


      • Não há vantagens, antes pelo contrário, só veio gerar confusão e dar aso às mais disparatadas respostas e perguntas, como por exemplo, “de fato o cagado vai nu”… Poder-se-à perguntar, como pode ir nu se vai de fato? Em PORTUGUÊS sem acordos, seria: De facto o cágado vai nu. Muda todo o sentido não é?

    • José Peralta says:

      Tem “toda a razão”, Hórtographo !
      Eu, por exemplo, tenho grande “prazer” em lêr “espetadores”, em vez de “espectadores” !!!!

      (E ainda uso (ouso !) escrevêr aquela “chapeleta” ou acento circunflexo, ou o raio que “aquilo” se chama…)


  4. Comércio de livreiros e lulices

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