O outro candidato da direita portuguesa

Seguro e Assis

Francisco Assis, o homem que catapultou o Renault Clio para o estrelato da showbiz político nacional, aproveitou a Quadra Pascal para nos relembrar, uma vez mais, que o PS de socialista só tem o nome e alguma propaganda, já muito gasta e cada vez menos convincente. Em declarações à Radio Renascença, e imbuído do espirito católico, apostólico e romano que por ali se respira, reforçado pela data simbólica e pelo seu nome abençoado, Assis pregou ao seu eleitorado natural, situado no centro mas inclinado para a direita do espectro, para o informar que está alinhado com Durão Barroso na luta pela ascensão do bloco central.

São Assis entende que, caso o PS não vença as próximas Legislativas com maioria absoluta, deverá coligar-se à direita com aqueles que na realidade são os seus verdadeiros pares, pois acredita que, por essa altura, a direita já se terá “livrado da tentação neoliberal que hoje marca claramente a actual maioria”. Não sei o que será mais engraçado, se o pleonasmo, se a crença estúpida digna de uma criança ou de um hipócrita. Mas para quem achou que já tinha visto tudo, Francisco ainda tinha mais uma cartada na manga: o rasgado elogio a Paulo Portas, personalidade que tem defendido “um diálogo profundo e permanente com o Partido Socialista” no qual o PS, na opinião de Assis, deverá participar. E como se tudo isto não fosse suficiente, Francisco Assis foi ainda mais longe condenando aqueles que apupam o primeiro-aldrabão e o seu governo, apelando a um discurso “menos extremista” no Parlamento. Alguém viu por ai este Assis? Ou este? Quem sabe este?

Se pensarmos bem, mais vale mesmo dizer ao que se vem do que andar a alimentar fábulas de uma esquerda que já há muito deixou de frequentar o Largo do Rato. Assis está cá para nos relembrar que, apesar de toda a encenação do seu líder, o caminho que o PS nos propõe não é muito diferente daquele por onde Passos Coelho nos tem levado e que, apesar da agitação constante da bandeira da mutualização da dívida como argumento maior da solução socialista para o país, esse é um cenário muito improvável como o próprio líder dos socialistas no Parlamento Europeu recentemente admitiu. Para Martin Schulz, “Les eurobonds ne sont plus sur l’agenda”. Objectivo.

Talvez não fosse má ideia alguém explicar ao Tozé Seguro que “as suas grandes preocupações” não coincidem com as do candidato por si apoiado à presidência da Comissão Europeia. Que Martin Schulz é contra e não a favor da mutualização da dívida. Aproveitem a deixa para o avisar que o Assis se quer coligar com a malta que passa a vida a dar-lhe gozo na praça pública. Mas o que é realmente importante é que mais portugueses percebam que dar a vitória ao PS nas próximas Europeias ou Legislativas não irá mudar rigorosamente nada no actual cenário político, económico ou social. Para depois não se virem queixar que foram enganados. Outra vez.

Comments

  1. Gottlieb says:

    Lá vamos cantando e rindo, lavados pelo Assis.
    Que pesadelo !!!

  2. Dora says:

    Mande-se o Assis para a europa e que o aturem lá! Já não basta a austeridade e os mercados e ainda temos de aturar este!


  3. Ainda são tão novinhos e já tão gordos e luzidios e ar de cansados embora um não seja tão semSAL como o outro e não conseguem um lugarzinho e se lá chegarem só já de bengalinha quem sabe ??
    Se os homens faliram que democracia é esta sem “gente” ?? a governá-la ?? mas que pobreza mesmo de entre os “ricos da política” e eu semdinheito para que ISTO viva – apetece-me dizer o que não se deve mas um dia largo o “deve” e passo ao “haver” e a “ver”


    • este novinho (25 anos) já era autarca em Amarante. não sei se foi um bom ou um mau autarca mas não tenho dúvidas daquilo que é preciso para se ser autarca tão novo.

  4. Eu mesma says:

    Canudo, não podemos escrever ao Papa Francisco a pedir a excomunhão de gentinha desta?

Trackbacks


  1. […] de eurobonds e mutualização da dívida ao mesmo tempo que o líder de Seguro, Martin Schulz, rejeita categoricamente estas soluções, não será menos anedótico quando enquadrado no anterior executivo camarário […]

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