Qual é o propósito de um governo?

A questão aqui colocada merece muitas respostas, dependendo da concepção de Estado que se tenha. Olhando para os extremos, para os liberais este abster-se-á de interferir na economia e na vida das pessoas. No outro extremo, o Estado socialista controla a economia e regula fortemente a sociedade. Nenhuma destas visões tem lugar no Portugal de hoje, mais virado para pseudo-liberais, os neoliberais, que advogam que o Estado deve ser mínimo mas, na prática, apenas o fazem no que respeita a prestação de serviços à sociedade (educação, saúde, …), aumentando continuamente o peso dos negócios que vivem apenas do Estado (educação privada mas paga pelo orçamento; saúde privada mas a viver em boa parte da ADSE; monopólios privados na energia, águas, transportes, ….).

Um governo será o grupo que gere o país num dado momento, definindo e seguindo estratégias de longo prazo. Independentemente da concepção de Estado que se tenha, funcionará sempre no interesse do País, isto é, dos seus cidadãos no geral. Assim não sendo, acabam apenas por representar o interesse de um grupo restrito de indivíduos que, de alguma forma, controla o poder. É o que acontece em muitos países particularmente ricos mas onde a população é marcadamente pobre.

E é o que acontece em Portugal quando o governo se prepara para concessionar os transportes públicos mas mantendo a dívida no Estado. Esta opção não defende o interesse dos cidadãos, pois estes terão que continuar a pagar o prejuízo e em maior escala, já que a receita, grande ou pequena, não importa, irá para o privado, o qual mesmo tendo que pagar a concessão, não existirá para dar prejuízo. Um governo assim trabalha contra os cidadãos. É o que tem acontecido ao longo destes três anos de governo, com os interesses da banca em primeiro lugar e com uma sucessão de negócios que estão a criar um verdadeiro Estado paralelo, não o das facturas mas o Estado que paga aos privados para fazerem o que ele já faz e que gera negócio cuja fonte de receita acaba por ser, em última análise, o orçamento.

Um governo assim merece ser derrubado e não chega que caia pelo voto, já que esta legitimidade acaba quando opta por não cumprir o contrato eleitoral que estabeleceu com os eleitores. Cabe ao Presidente zelar pelo cumprimento deste contrato e, não o fazendo, como não o faz Cavaco Silva, cabe aos cidadãos rejeitarem quem governa contra si. É simples.

Comments

  1. portela says:

    Agir por dever, deve ser o propósito de quem governa, esse é o seu compromisso e no fundo é isso que eles apregoam nas campanhas.
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    Agir conforme os deveres, é o que acontece depois, naquele processo de cada um se amanhar como pode.
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    O texto original não foi escrito em português e a tradução é conforme o tradutor.

    • portela says:

      Então qual é a intenção por detrás do agir ou do agir assando? Isso, nem ás paredes confesso.
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