o que eu ando a ver #1

1. NBA Finals

1.1 Dita-me a experiência que nas finais da NBA, o jogo 2 é um dos momentos chave (em conjunto com o jogo 5 caso este tenha de ser realizado) que determina o vencedor da competição. Todas as equipas que tem factor casa nas finais (por factor casa entende-se o direito de jogar o jogo directivo, o 7º, caso seja necessário, em casa; esse direito advém do score averbado pelas duas equipas na fase regular, pertencendo o factor casa à equipa com melhor score averbado nessa mesma fase) jogam os primeiros dois jogos em casa. As equipas que ganham os primeiros 2 jogos em casa nas finais, raramente perdem o campeonato. Exemplo contrário foi o do ano passado por exemplo, no qual precisamente Miami e San Antonio venceram 1 partida fora. Mesmo assim, o factor casa pertenceu a Miami e a equipa de San Antonio arrependeu-se amargamente do erro cometido no jogo 6 em Miami (a Liga modificou a esquematização do calendário de jogos para as finais; até este ano eram disputadas 2 partidas em casa da equipa A, 2 partidas em casa da equipa B e caso a série não fosse resolvida nesses 4 jogos, seria disputada uma 5ª partida na casa da equipa B e mais duas, caso necessário, em casa da equipa A) no qual, os homens de Pop (Greg Popovich, treinador dos Spurs) a vencer com posse de bola, em vez de gastarem os 24 segundos do tempo de ataque, decidiram “jogar ao cesto”, perderam a bola e na jogada seguinte, o velhinho Ray Allen, melhor marcador de triplos da história da NBA, não perdoou, conseguindo dar a vitória à sua equipa e levar a discussão dos anéis para jogo 7.

1.2 Jogo 2 em San Antonio. No 1º jogo destas finais, os Spurs de Pop mostraram estar famintos de dar a golpada que não conseguiram dar aos Miami Heat de LeBron James nas finais de 2013. Contudo, para a equipa Texana abrir caminho para o título seria importante vencer o 2º jogo em casa e colocar a pressão no lado de Miami na viagem para os dois jogos que se irão realizar na madrugada de hoje e na madrugada de quinta para sexta na Flórida.

1.3 San Antonio até começou melhor a partida com maior eficácia ofensiva e com uma atitude defensiva muito interessante. Tentando limitar ao máximo o jogo de Dwayne Wade e LeBron (esquecendo por exemplo um fantástico Chris Bosh que se apresenta nestas finais a jogar o seu melhor basquetebol de carreira; extremamente assertivo no capítulo ofensivo, principalmente num dos departamentos de jogo onde foi constantemente criticado, o lançamento longo) Pop montou uma marcação individual rotativa aos #3 e #6 de Miami, ou seja, colocou praticamente toda a equipa, em momentos distintos do jogo, a fazer marcação individual a Wade e James. Pop quis com esta táctica colocar os seus melhores defensores (Leonard, Duncan, Boris Diaw, Parker) a cansar aqueles que são efectivamente metade do poderio ofensivo da equipa de Miami. Pode-se dizer que a coisa até correu bem no primeiro período. James apenas conseguiu dois pontos e a equipa do Texas foi para o descanso a vencer por por 26-19. O que se assistiu a partir daí viria a ser penoso para o lado dos Spurs (um 2º e um 4º período fraquíssimo do ponto de vista pontual com 17 e 18 pontos, 2 períodos intercalados por 35 pontos no 3º) e fantástico para a equipa orientada por Erik Spoelstra, principalmente no 3º período, no qual James decidiu fazer uma exibição de gala.

1.4 Completamente on-fire nesse 3º período, James (e Chris Bosh) começaram a construir a vitória de Miami, tendo o extremo-poste (catalogá-lo como extremo-poste nesta altura da sua carreira é algo demasiado vago visto que James anda literalmente a rodar todas as posições do terreno, de 1 a 4, com a maior das facilidades durante uma partida; ora é visto a conduzir o jogo da equipa como se de um general guard se tratasse, como ataca bem as linhas com bola, afunda com facilidade pelo miolo e ainda consegue sacar de uns triplos pelo meio, com ou sem defensor) feito provavelmente uma das melhores exibições de sempre no capítulo do lançamento (terminaria o jogo com 14-22 no capítulo do lançamento, 3-3 em triplos). Já o poste vindo de Toronto em 2011 para a Flórida, esteve muito bem do ponto de vista ofensivo visto que jogou para o colectivo (apesar dos seus 18 pontos; 6-11 em lançamentos) e no final esteve ligado ao cesto que deu a vitória à sua equipa, com uma fantástica penetração com bola e passe picado para o cesto de Wade perante a oposição de um aflito Tim Duncan. Do outro lado do campo, com duas posses de bola perdidas no momento da decisão, Manu Ginobili hipotecou qualquer hipótese que a sua equipa tinha de vencer a partida.

1.5 – O rigor de Tim Duncan – Se Tony Parker e Manu Ginobili (o argentino saído do banco como é habitual) fizeram novamente excelentes exibições com a garra que lhes é característica (acho maravilhosa a evolução que Parker conseguiu ter durante esta temporada no lançamento longo, principalmente no de 3 pontos) Tim Duncan fez uma exibição portentosa, apenas ofuscada pela exibição grandiosa de LeBron James. Com 18 pontos e 15 ressaltos, Duncan dominou por completo o jogo interior (pediu-se muito mais do seu colega de jogo interior Thiago Splitter; mais uma exibição para esquecer do brasileiro; o brasileiro voltou a apagar-se nos momentos de extrema pressão), dominou as lutas das tabelas e atacou todas as bolas que teve perto do cesto com uma fome imensa. Nota-se perfeitamente pela agressividade que o veteraníssimo jogador nascido na Samoa Americana incute no seu jogo que este, apesar de já ter vencido os campeonatos que venceu (4), quer juntar mais um anel de campeão à sua esplendorosa colecção para, quiçá, retirar-se em grande da modalidade.

1.6 – Como nota final, recomendo-vos a visualização do jogo 3 na próxima madrugada às 01:30 da manhã com transmissão em directo na Sporttv.

2. Criterium Dauphiné

chris froome

Está aberta a época de caça a Tour de France. O duríssimo Criterium Dauphiné é a primeira plataforma de treino a doer para os ciclistas que almejam qualquer coisita no Tour deste ano. As outras duas plataformas são a Volta a Suiça, prova onde o nosso campeão do mundo Rui Costa irá defender os 2 títulos conquistados nas últimas duas edições e preparar-se para o seu primeiro tour enquanto chefe-de-fila\candidato quiçá ao top-10 da prova francesa, e a Route Du Sur, prova que terá este ano como cabeça-de-cartaz Alejandro Valverde da Movistar, outro dos eternos candidatos à vitória na Grand Boucle.

No Dauphiné, o vencedor em título da prova e da Volta à França 2013, o britânico Chris Froome, começou em grande estilo, no domingo, ao vencer o prólogo de 10 km disputado em Lyon. Froome foi mais rápido que toda a concorrência, na qual se incluí o seu maior rival, Alberto Contador. Já ontem, na segunda etapa, etapa que marcou a primeira abordagem de montanha (chegada a Col du Beal) Froome e Contador protagonizaram um espectáculo e tanto na montanha ao atacarem-se constantemente durante a subida final. O Britânico ganhou a tirada mas Contador não perdeu qualquer segundo para o homem da Sky e provou para já estar completamente preparado para ser a sombra do britânico na Grand Boucle. Considero uma pena o facto de Nairo Quintana não marcar presença na prova francesa (o director da Movistar Euzébio Unzué decidiu que o jovem 2º classificado da última edição da maior prova do ciclismo mundial deveria continuar o seu crescimento em provas como o Giro; Nairito venceu categoricamente a edição deste ano; e voltou a apostar mais uma vez no seu menino de ouro Alejandro Valverde, ciclística cuja instabilidade em provas de 3 semanas tantos dissabores já deu à equipa espanhol em várias edições da prova francesa no geral e ao português Rui Costa, seu antigo gregário na dita equipa, em particular).

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