O estranho caso da cisão que antes do ser já o era

ana-drago-renato-guedes

A saída da Política XXI que agora se chama Forum Manifesto do Bloco de Esquerda é uma anedota à portuguesa. A dita associação era simultaneamente uma das tendências do BE, chamem-lhe corrente, e espaço de intervenção política onde estão, por exemplo, Daniel Oliveira e Rui Tavares. Este exemplo sui generis de um partido que tem uma corrente onde estão militantes de outro partido tem agora o seu fim: a maioria dos presentes numa Assembleia decidiu sair depois de alguns dos presentes já o terem feito, conseguindo assim a assinalável proeza de saírem duas vezes. É obra. Acrescente-se que chamar a isto o segundo funeral de Miguel Portas não é descabido de todo.

Não tenho muito  a acrescentar ao que aqui escrevi quando Daniel Oliveira saiu, sozinho. Tem para mim o detalhe de agora incluir gente que muito prezo (caso do Nuno Serra que tantas vezes concordou comigo em críticas ao funcionamento interno e também por isso não incluo no leque dos que só se começaram a queixar quando lhes tocou) e apresenta-se como mais um episódio da decadência do Bloco, o que é discutível, o peso público de quem sai é muito superior ao que tem internamente.

E é uma má notícia porque não estou muito bem a ver o futuro desta parte da esquerda: a peregrina ideia de sair de um partido e depois querer alianças com ele, como fizeram Rui Tavares e Daniel Oliveira, é outro anedotário; e todo o caminho fica muito inclinado para matrimónios com o PS, coisa que até pode dar lugares num governo mas a que se segue uma queda ainda maior para o abismo. Um novo partido lisboeta, portanto.

Já agora, sempre quero ver se as saídas do Forum Manifesto que entretanto vão ocorrendo também aparecem nos jornais…

 

Comments

  1. É isso.

  2. José António Marin says:

    Nem mais … Assino por baixo …
    Contudo, na minha modesta opinião, só falta aqui acrescentar pelo menos duas coisas …
    A anterior saída do crónico dissidente Gil Garcia .. Sempre em divergência em todos os movimentos por onde passou (não pretendo ajuizar se bem ou mal .. È apenas factual …)

    E já agora … Um bonito exercício de ficção político-romanesca … Imagine-se só o que teria sido, se o BE tivesse aceitado que o MRPP integrasse as suas hostes … Seria giríssimo 😉

  3. Gottlieb says:

    ” …apresenta-se como mais um episódio da decadência do Bloco, o que é discutível … ”
    Boa piada !!!

  4. Complicados!…Estes “delírios” do “entra e sai” desta parte da esquerda…
    Concordo consigo! Todo o caminho parece ficar muito inclinado para “matrimónios” com o PS…
    O que é que isto irá dar?
    “Coisa” boa, não será certamente…

  5. Fernanda says:

    …abre-se 1 janela de oportunidades para quem sai do BE, na esperança de algum lugar/aconchego no PS (em qualquer nicho do PS, após as delirantes primárias).

  6. pisca says:

    Desde que no Largo Rato disseram que para além dos sócios, podiam ir aos bailaricos os simpatizantes, que é vê-los a bater no peito e a dizer, “sou do clube desde pecanino !” para entrarem na função

    Até largam à pressa os pares que já tinham no bailarico do outro bairro

  7. Fernanda says:

    Joana Amaral Dias já se tinha ido…

    Diz-se que escreveu 1 livro sobre os afectos e emoções na política e reconta que o que se passa no PS é uma coisa Emocional.

    A Lily Caneças que, ao que consta, não é psicóloga ou socióloga, vê as coisas de modo mais interessante. E lembro a célebre frase – “estar vivo é o contrário de estar morto”.

    Já a minha avó, que não tão gira como a JAD nem a Lily Caneças, e nem era simpatizante do BE nem da VIP, dizia: “Vão badamerda!”

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