Para reflectir…

-Sem pretender aprofundar o alegado rapto da criança britânica encontrada em Málaga, cujos pais terão sido detidos pela polícia espanhola, deixo isso para a Justiça e seguramente iremos ouvir falar do caso durante os próximos tempos, o assunto levanta algumas questões que me parecem passíveis de reflexão.

Por um lado temos a convicção religiosa que poderá ter estado na base da acção desesperada dos progenitores, envolvendo a família. Supostamente rejeitam o tratamento médico a que a criança estaria a ser submetida. O que nos poderá levar longe na discussão, se extrapolarmos da saúde para educação e não só. Será legítimo que os progenitores se submetam às decisões do Estado, que supostamente sabe o que é melhor para nós? Há algum tempo tivemos outro episódio em que pais convictamente vegetarianos, terão negligenciado os superiores interesses da criança.

Por mim, embora respeite a fé de cada um, bem como a sua Liberdade de orientação política, social ou qualquer outra, afinal defendo que o indivíduo está antes da sociedade, não podem ser colocados em causa os direitos de terceiros. E até mesmo um filho não é propriedade dos progenitores. É uma terceira pessoa. Por muito que custe aos pais, ou pelo menos a alguns, que gostariam de ver os filhos seguir as carreiras, religiões ou clubes a que pertencem, não raras fezes como forma de alcançar o sucesso onde eles próprios fracassaram, a verdade, doa a quem doer, é que todos os seres humanos nascem livres, únicos…

 

Comments

  1. Konigvs says:

    Não conheço os casos das crianças citados aqui no artigo (nem me dei ao trabalho de abrir os “links”) mas de qualquer das formas, apesar de concordar com a linha de argumentação, a minha questão é:
    – E quem é que decide o que é melhor para os “superiores interesses da criança”? Um governo? Uma lei? Um polícia? Um juiz? Uma associação cristã da defesa das criancinhas indefesas? A opinião pública?
    É curioso ver como as coisas mudam. Antigamente os pais podiam dar porrada de meia-noite nos filhos, fosse de cinto, ou de pau de marmeleiro, que se apanharam é porque mereceram; os professores faziam-se respeitar nem que fosse à varada, e se um puto chegava a casa e fazia queixinhas do professor ainda levava mais no focinho; De repente um pai dá uma chapada muito bem dada no fedelho mal comportado e cai o Carmo e a trindade que estamos a falar de maus tratos e é preciso tirar a criancinha daqueles pais mal feitores; agora os professores já não batem nos putos mal comportados, mas passarmos a ter os próprios meninos a bater nos professores, e se chegam a casa e fazem queixas do professor, este bem pode ter a certeza que uma espera à saída da escola. Sinceramente, olhando para um cenário e para o outro não sei qual deles é o pior.
    Se vamos por aí, que os superiores interesses da criança não podem colidir com as crenças nefastas dos pais, então teríamos de mudar muita coisa. Começaria logo com os batizados e com a catequese. Mas quem é que julga um pai para submeter um bebé a um ritual sem que o indivíduo-criança tenha idade suficiente para decidir por si próprio? Contra isso ninguém se insurge, nem convém pois o batizado é uma forma da igreja-católica se financiar, mais ou menos como os partidos se financiam com os votos nas eleições. Mas se uma criança morre porque os pais, seguindo à risca a religião da maioria da população, que não permitem transfusões sanguíneas, deixam a criança morrer, já é uma chatice, afinal que deus é esse que quis que a criança morresse? Lá está, nem deus zela pelos “superiores interesses da criança”….


    • Que comentário parvo. Comparar levar as criancinhas à missa com o deixar morrer uma criança que podia ser salva, por motivos religiosos. Eu fui baptizado, fiz catequese e fui à missa, e hoje em dia nem sequer sou católico. Mas ao menos estou vivo. Até podíamos discutir esses assuntos da educação religiosa das crianças, mas não é isso que aqui está em causa. Não é Educação, é deixar uma criança morrer por causa das convicções religiosas dos pais. E isso, se não é crime, devia ser.
      Sim, o Estado deve intervir. A vida é o nosso bem mais valioso, mesmo juridicamente (CRP art 24/1 – a vida humana é inviolável), pelo que deve prevalecer sobre todos os outros direitos.
      Mas mesmo que não esteja em causa o direito à vida, o Estado deve intervir quando assim se justifica (crianças que vivam sem condições mínimas de higiene, alimentação, etc.).

      • Konigvs says:

        Parvo é a tua tia.


      • E consegue garantir que o tratamento proposto salva efectivamente a criança? Que não é uma longa tortura?
        e será que se se perguntasse à criança, esta pretenderia ser sujeita a esse tratamento?
        Serão estes ou outros pais obrigados a aceitar qualquer indicação de uma equipa médica? É que sem precisar de muita pesquisa, mesmo sem ser por questões religiosas, já me deparei com grandes disparates médicos aos quais os doentes ou os pais dos doentes optaram por, felizmente, recusar.


  2. António, os progenitores são os avós. Os pais são os genitores. É um erro que se entranhou até ao tutano, mas eu vou continuar a corrigir.

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