Liga Mundial de Hóquei começa hoje

Portugal, através da sua selecção sénior, inicia hoje a participação na primeira ronda da Liga Mundial. Recorde-se que, há dois anos, os Linces conseguiram mesmo a qualificação história para a segunda ronda.

Neste ano, contudo, essa expectativa pode ser bem diferente. Houve demasiados problemas, há uma preparação incompleta, houve desinteresse de alguns atletas, não houve respeito pela Federação e pela camisola nacional.

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Quem o diz é seleccionador nacional, Mário Almeida, que, frontal e sem receios, analisou para a FPH o momento.

Como primeiro ponto, Mário Almeida afirmou claramente que o recente êxito dos sub-21 envaideceu demasiado e demasiada gente, entre os atletas, o que se reflectiu na preparação para hoje e domingo. Escalpelizando que o facto de o calendário da prova, em meados de Setembro, contra o final de Setembro em 2012, tirou duas semanas à preparação. O que em 2012 se fez em Setembro, teve que ser feito em Agosto, com todas as condicionantes de os atletas estarem ausentes.

Depois, Mário Almeida assumiu que a classificação final pode ser diferente na medida em que, em 2012, o torneio teve 5 equipas, com duas colocadas acima de nós no ranking mundial de selecções, e duas abaixo. Isso permitiu corrigir erros nos jogos mais fáceis e criou motivação para os jogos mais difíceis. Ora, este ano, por via das desistências de duas selecções, o torneio será a três, e com duas selecções que estão 12 e 20 e tal lugares acima de nós. Logo, não haverá qualquer margem de erro.

Não podendo ser mais directo, Mário Almeida não se coibiu de dizer que, a jogar na Liga como jogámos no jogo-treino contra o Barrocanes de Espanha, levamos 10-0, damos os parabéns ao adversário e vamos para casa sem glória. E exemplificou, proferindo que a Itália de 2012 (um “rancho folclórico de Roma”) já não existe. Os italianos fizeram 4 jogos de preparação contra a República Checa e 3 jogos em Hamburgo. A própria Áustria vem-se preparando de há muito, estagiou na Polónia e foi a Hamburgo, também, realizar 3 jogos.

E nós? tivemos dois jogos contra o Barrocanes e, pura e simplesmente, fomos obrigados a cancelar um estágio em Barcelona, porque, pasme-se, não havia jogadores suficientes para tornar o estágio produtivo…

“Nós não conseguimos, mas os outros conseguiram”, lamentou-se Mário Almeida, enquanto referia a crueldade de, em duas passagens pelas selecções, nunca ter sido obrigado a fazer a convocatória final tão diferente da que tinha idealizado. O grupo final, para quem tiver estado distraído ou não tiver conhecimento do que se passou, espantará pela sua composição e pelas ausências. Ma,s pelo respeito que se exige a quem representa a selecção nacional, não podia ser diferente. Houve atletas que apareceram no primeiro treino e, sem nada dizer, nunca mais apareceram.

Ou seja, aqueles que vamos assistir aos jogos saberemos que os que faltam, de entre aqueles que sabemos serem escolhas normais pelas suas capacidades, não estão porque se demitiram das suas responsabilidades como atletas e homens.

Isso obrigou a adaptações em lugares específicos, com toda a falta de tempo para criar rotinas, mas em campo vão estar aqueles que, verdadeiramente, quiseram dizer presente. E só fazem falta os que estão, mesmo que não sejam os chamados melhores. O empenho e a entrega, por vezes, fazem milagres contra uma menor habilidade.

Perante este aparente descalabro, nós ficamos com esperança, apesar de tudo, porque Mário Almeida acabou a entrevista com um “Podemos lá ir, se trabalharmos muito e bem na próxima semana”.

Portugal defronta hoje, às 18h30, a Áustria; domingo, às 17h30, jogamos com a Itália.

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