Escócia e o lobo mau

Não, não tenho a certeza de qual é a melhor escolha para os escoceses. A complexidade da questão e a ausência de propostas de caminhos e opções políticas para além da independência pura e simples levam-me a reservar entusiasmos e suspender a opinião, até por não dominar grande parte das variáveis em jogo. Além do mais, tenho as maiores reservas sobre o referendo como instrumento de deliberação democrática – por razões que podemos discutir noutro lugar e em diferentes condições.

Mas coisa bem diferente é não reconhecer o direito dos escoceses tomarem a sua decisão sem ameaças torpes vindas do poder – de todos os partidos parlamentares – político e económico inglês. Tais ameaças vêm de todo o lado. Até a União Europeia já resmunga ameaças. Mesmo Platini e a merdosa UEFA se sentem no direito de ameaçar! Os últimos dias têm sido um compêndio da arte de fazer uma campanha suja.

Longe vão os dias de arrogante e paternal indiferença do governo da velha Albion. Enquanto não houve a real possibilidade do “sim” vencer, assistimos a sorrisos condescendentes. Como é de costume, os referendos patrocinados ou tolerados pelo poder fazem-se porque este tem a certeza de os ganhar (a história mostra bem como a direita e a extrema direita, desde que governantes, gostavam de referendos).

Agora, os sacanas do costume levantam a voz. Que só há um caminho, que a Escócia, sozinha, está perdida, que os bancos fogem e as libras também, numa palavra, se a Escócia se mete em caminhos desconhecidos, arrisca-se a dar de caras com o lobo mau. Assim, a Escócia pode escolher ,desde que escolha o que os poderes hegemónicos querem para ela. Mas se ela escolher o caminho do lobo mau, preferindo enfrentar o bicho a seguir os conselhos e temer os sustos da mãe Albion e da tia UE, seria bom que, em vez das pragas com que é ameaçada, tivesse o apoio e acompanhamento de que vai necessitar. Apoio da família, não violência familiar.

Comments


  1. A União Europeia já deixou bem claro o que pensa sobre a capacidade de autogovernação de todas as regiões periféricas…


  2. A esquerda gosta muito mais de referendos e similares.


  3. A chantagem dos carrascos – quem cede o poleiro mundial que alcançou – E Pedro Lains está na TV24H – 04:30H 20 set – está a dizer da inutilidade da austeridade que nenhum outro pais europeu levou a cabo – o erro das austeridade radical – obrigada sr Lains não somos todos BURROS embora tivéssemos feito de muitos, burros – e burros de carga – a economia nem sequer é dinâmica porque não investe etc – Educação e Formação diminuíram e não há rentabilidade opostamente aos outros europeus que afinal cresceram – estes acreditam no que estão a fazer pelo que a democracia é importante para pòr uns e depois retirá-los – o próximo governo não pode repetir – Merkel até enfraqueceu – Hollande não vai seguir esse processo – a austeridade não pode ser retirada de repente – travar sim mas inverter o sentido das políticas mas não o sabe fazer – a politica económica tem de mudar em Portugal e foi feita à força pelo TC e não estão a pedir desculpa pelo percurso feito -etc
    Nem o deficit externo nem mais empregos foram cumpridos – é preciso acabar com o deficit público – questão macroeconómica de gestão da economia nacional e não ser aliado da Alemanha mas sim da Irlanda e Espanha e França – não há balanço positivo do que o governo está a fazer – Concordo consigo ser dr Lains – retirar até ao “prato de sopa” não dá saúde nem para levantar da cadeira e fazer algo nem que seja dar uma volta ao jardim se não há emprego ! Tem razão A maioria dos espoliados percebeu – não inclui os “pães-de-açucar”

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