Notas inflacionadas

nas classificações internas do secundário? claro que há, no privado.

Comments


  1. E em algumas Escolas Públicas. Fica sempre bem no Ranking e para a Escola.

  2. coelhopereira says:

    É a “selecção dos melhores” a funcionar… Não há trabalho, inteligência, cultura, interesse, nem ponta de originalidade num único dedinho que seja dos infantes e das infantas? Não há problema, martela-se tudo isso e o resultado final será o olímpico néctar da excelência.


    • E essa triagem já vem do Básico. Depois, seletivamente, os melhores ficam nas mesmas turmas. E por muito que tentem será assim sempre que funciona. Por causa dos Infantes e por causa dos Professores. Destes é natural que o apoio, o “puxar”, vá para quem dê indicações nesse sentido, seja pelo esforço, seja pela atenção e dedicação. E quem anda em “explicações” marteladas, o Professor que trabalha dá por eles.

      • coelhopereira says:

        Perdoar-me-á, mas julgo que não entendeu o sentido da minha observação. O problema aqui é precisamente não haver triagem alguma com base naquilo que realmente interessa: o esforço, o trabalho e a inteligência que se materializam em resultados. Pelo contrário: quando se torna a educação um negócio (puro e duro, no caso dos privados, ou emcapotado, no caso dos martelados “rankings” que levam à competição imbecil e trafulha, no ensino público) o que interessa é o “marketing”. Convido-o a olhar à sua volta: quem é que faz publicidade afirmando que o produto que vai vender vai obrigar quem o compra a esforçar-se, a trabalhar muitíssimo, e que só vai resultar se o comprador lhe juntar algo que terá de, obrigatoriamente, ter e que se não vende em grandes superfícies – a inteligência?
        Meu caro amigo, o que se vende hoje em dia ao infante/infanta burro/burra que nem um calhau que tem a sorte de ter papás com posses é a bela nota final sem o correspondente esforço que deveria, obrigatoriamente, vir-lhe acoplado. O resto é paleio da treta e mais umas cavadelas na sepultura onde hão-de, muito brevemente, definitivamente enterrar o Ensino Público deste país.
        Os meus sinceros cumprimentos.


  3. Caro Amigo:
    Já vi que estamos no mesmo lado da trincheira. Mas também perdoar-me-á. Falemos só do Público. É natural que um Professor com uma turma a chegar aos 30 alunos não tem tempo para os ensinar por igual… e vai aproveitar para fazer progredir e premiar os mais capazes quer na inteligência quer no trabalho. Quem não o fizer, pode dar as melhores notas, mas nunca ensinará a serem autónomos no pensamento, a crescerem. Reconheço que as possibilidades de aprendizagem em Lisboa é muito diferente de Arouca – embora corram no mesmo campeonato. Fazer uma criança levantar às 4 e meia para ir ter aulas, só por si já mostra muito interesse. Mas as armas são diferentes.
    O Privado está, presentemente, a vender diplomas. Infelizmente são estes que vão ocupar lugares chave.( No Privado Universitário há algumas excelentes excepções, reconheço).
    Mas sempre gostei da Utopia. Um dia vingará a competência.
    Um abraço.

  4. Rui Moringa says:

    Notas inflaciondas…
    Acho curioso que este problema do ensino tenha vindo, só agora, a público. O Conselho Nacional de Educação a dar conta dele e um Secretário de Estado e desvalorizá-lo, apesar desta entidade afirmar que era do conhecimento do Ministério “do Ensino”.
    Todos sabemos que qualquer sistema de ensino é uma via para os lugares da administração pública que mesmo os reacionários (há-os em todo o lado) querem controlar, apesar de o negarem.
    O assalto à administração pública por parte de grupos mais ou menos (in)distintos está a acontecer em Portugal.
    Acontece que com a mercantilização do Ensino promovida pelos grupos dos negócios que aí encontraram um nicho de mercado sem riscos promovem o certificado sem esforço ou mérito. Neste domínio vale toda a trapalhada: Influenciar amigos mover ações de denegação de competência a quem o é, mentir aldrabar, fazer turmas com “filhos de professores” turmas em colégios com filhos de altos funcionários da administração, desde médicos, inspetores do fisco, enfim pessoas com dinheiro.
    Neste meio há com certeza alguns que são competentes e aproveitam apenas os meios para aprender e as famílias apenas querem garantir uma boa aprendizagem.
    Este sistema de ensino está em colapso. é comentado à boca fechada que os recém-licenciados nada sabem na sua maioria e entram sem concurso nos hospitais empresas públicas, serviços ministeriais com o alto patrocínio de alguém. Mas não importa que nada saibam. Têm altas notas e médias de tal ou tal universidade. Aqueles que têm conhecimento e se esforçaram para além do inimaginável ( os das Aroucas deste país) não têm acesso aos lugares e empregos para que trabalharam porque não têm conexões sociais.
    Do meu ponto de vista a inflação das notas é apenas um meio para legitimar mesmo aldrabando o acesso dos filhos dos que têm dinheiro e poder aos lugares da administração pública do emprego garantido que exorcizam, mas que querem para os seus filhos.
    Sugiro a seguinte leitura: “a futilidade da escola” talvez de alguma pista, claro não a única sobre o ensino actual.
    Foi professor e sempre que tentava reprovar um aluno era o cabo dos trabalhos. Eram pressões dos dirigentes da escola, do aluno e dos pais.. Assim ,não há liberdade de ensinar e aprender ou coisa que o valha.
    A inflação das notas é para legitimar o acesso à administração pública. Os filhos dos poderosos chegam lá com o argumento da nota.

    • coelhopereira says:

      Nem mais… Só mais uma achega, meu caro Rui Moringa: já se deu ao trabalho de verificar a identidade dos Estabelecimentos de Ensino Superior de onde provém a maioria das senhoras e dos senhores que integram o actual elenco governativo? Tarefa mais elucidativa e exemplificativa do fenómeno que tão bem anteriormente descreveu não há.

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  1. […] parece, o Conselho Nacional de Educação descobriu que há escolas que se dedicam a esse negócio, algo que já se sabia há muitos […]

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