Maria de Lurdes Rodrigues, a privatizadora

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O programa político da traficante de influências Maria de Lurdes Rodrigues era claro: privatizar a escola pública. Há quem, sobretudo à esquerda, não veja isso apesar da sua mais profunda reforma, a da gestão das escolas,  e  de ter aumentado a privatização concreta através do tráfico de contratos de associação, para onde o Ministério Público deveria olhar com atenção. A prova dos nove chegou agora:

Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento.

disse a condenada a pena suspensa. Ora o que faltou para essa mesma privatização, mas grandes passos anda a ser dados, é precisamente a célebre “liberdade de contratação das escolas”.

Isto é muito simples: a nota de curso e o tempo de carreira são os únicos dados objectivos que permitem ordenar professores. E o estado não é o colégio onde se escolhem os da mesma religião, os amigos dos amigos, nalguns casos que os vi os do mesmo cartão partidário. Acabar com esta seriação é o sonho de quem quer abrir as escolas ao negócio, à cunha, ao compadrio e nepotismo.

E não me venham com a conversa de “escolher os melhores”. Admitamos que nas grandes cidades isso seria possível, o resultado seria que os piores ficariam com as escolas do interior ou as menos apetecíveis pelo tipo de alunos que têm. O programa desta gente, da condenada Rodrigues ao peço desculpa mas não me demito Crato, é claro e simples: privatizar. Degrau a degrau vão conseguindo.

imagem roubada no facebook a Pedro Oliveira, e com a legenda: “A partir de hoje e durante os próximos 3 anos sempre que olharmos para o céu veremos Maria de Lurdes em pena suspensa.”

Comments


  1. Porque não resumir o problema: Há de facto um acordo informal dentro do sistema político para aumentar o âmbito e ritmo das privatizações em vários sectores vitais. Não é uma ideia do político A ou é B é sistémico. O cidadão perdeu o controlo da esfera pública e não está disposto a fazer nada para o recuperar.

  2. coelhopereira says:

    E há anjinhos que ainda acreditam na bondade da peregrina ideia da “escolha dos melhores”. A “escolha dos melhores” resume-se a isto: é a escolha dos melhores a fazerem-se escolher. Uma vez a porta aberta, há um mar de oportunidades para quem tem outros dons que não aquele de ser um bom ou excelente professor: o dom da obediência cega e cegamente acrítica (o aclamado dom do “carneirismo”); o dom de se pertencer à mesma capelinha política; o dom de ser primo do afilhado de alguém; o dom de ser filhinho de gente importante lá da merdaleja; o dom de o Senhor Director do Agrupamento dever favores ao seu papá; o dom de se ter uma bela planta física e ser requisitado por alguém esperançado em futuros e mui agradecidos atletismos de cama. Isto sim é que é objectivamente apostar na “qualidade” e na “competência”. Bem vindos a um país do 1º Mundo…


  3. O conceito de “escolha dos melhores” não algo surreal que de repente um político ou governo inventaram. Existe, é praticado mundo fora e apresenta resultados. Ao longo da minha carreira profissional trabalhei em ambientes competitivos, fui escolhido e preterido, tomei decisões, fiz parte de equipas e também formei algumas. No final, os resultados apresentados tiveram sempre a última palavra.
    A questão que pode e deve ser colocada em primeiro lugar a todos os que opinam sobre o ensino, ou demais áreas no serviço público é, queremos ou não implementar um sistema que apresente resultados? Se sim, escolha de equipas, exames, avaliações de desempenho e resultados obtidos são ferramentas que possibilitam ir corrigindo e aperfeiçoando as instituições. Como qualquer empresa.
    Se não queremos, então teremos que saber à partida que o resultado obtido será provavelmente inferior, ninguém pense que o ser humano trabalha apenas pelo brio, sem querer beliscar a dignidade e brio profissional a quem quer que seja, obviamente quando existem incentivos por vezes vamos além da nossa obrigação. O que se traduz em resultados.
    Para dar emprego a um amigo, seja político ou familiar, alguém arrisca o seu lugar? A competição funciona como garante. Não se entra numa empresa para fazer amigos.
    A meu ver, primeiro há que decidir o que se pretende para o país. Algo que os políticos pouco fazem, pensar. Escolhido o caminho, há que agir em conformidade. Defendo a Liberdade de escolha, mas a mesma apenas faz sentido se trouxer consequências. Porque de contrário apenas vai trazer o compadrio, a mediocridade. E para mudar apenas as moscas…


    • Numa coisa tem razão, não se entra numa empresa para fazer amigos; entra-se na empresa precisamente porque já se têm amigos.


    • A escola pública portuguesa apresenta resultados, bons.
      As privatizações no ensino também, maus, é ver o caso sueco.
      Além disso desconversaste, a selecção dos melhores na escola pública seria una catástrofe, porque todas as localidades têm direito a bons professores.

    • coelhopereira says:

      O Ensino Público, assim como o SNS, apresentam resultados há três décadas. Estou, no entanto, convencidíssimo de que todo e qualquer professor quer ser ainda melhor, numa lógica de “escolha dos melhores”. Todo e qualquer professor quer atingir, a todo o transe, o Nirvana do conceito “escolham-se os melhores”: aquele Céu de leite e mel, aquele Éden da competência, do profissionalismo, da verticalidade, da honestidade, do amor ao trabalho, dos bons resultados, que nos foi e é dado a ver no BES.
      Anda por aqui muita gente distraída, muito alheada do real, que convenientemente se esquece que os maiores e mais comprovados viveiros de sociopatas dos dias de hoje são essas mesmíssimas empresas onde se pratica o neodarwinismo social da “escolha dos melhores”.

    • Nightwish says:

      “A questão que pode e deve ser colocada em primeiro lugar a todos os que opinam sobre o ensino, ou demais áreas no serviço público é, queremos ou não implementar um sistema que apresente resultados”

      O sistema de educação portugues apresentava resultados excelente para o custo investido antes destas paranóias das avaliações. O resto são tretas.
      Aliás, há estudos que as preocupações com avaliações diminuem a qualidade, um pouco como os alunos que só trabalham para os exames quando é a única maneira que são avaliados.
      Por alguma razão os países nórdicos não querem nada disto, e quando experimentam, querem voltar atrás bem depressa.


  4. Mas que grande confusão vai nessa cabeça, meu caro colega!
    Podemos discordar dos processos, mas afirmar que a melhor forma de ordenar é “nota de curso e o tempo de carreira” (pois são os únicos dados objectivos que permitem ordenar professores”)…vou ali já venho!!!
    Não percebe nada de organizações, de desempenho …..
    Por isso é que nos damos ao luxo, por exemplo, de ter docentes doutorados atrás de docentes bacharéis, ou docentes com níveis de absentismo pornográficos “premiados”!!!,….como isto tudo tivesse sentido.
    Implemente uma atividade sua, contrate funcionários e depois falamos!!!


    • Que o grau de doutor ou mestre substitua ou bonifique a nota de licenciatura, nos concursos e não apenas na carreira, inteiramente de acordo, há anos que o digo.
      Quanto ao resto, lamento a sua ignorância, deve supor que uma escola pública é um colégio. Não é. Mostre-me lá outro dado objectivo que permita com justiça ordenar professores.
      A dos níveis de absentismo já é de ignorante para baixo, vá ler o estatuto da carreira, nomeadamente o 103, em vez de ver filmes pornográficos.

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