O incómodo amigo do primeiro-ministro

Amigo

Foto@RTP

Na semana passada, o país ficou a saber que Pedro Passos Coelho recrutou um ex-patrão e militante do PSD para delegar a responsabilidade de preparar o programa do PSD para as Legislativas deste ano. O amigalhaço em causa é Rogério Gomes, empresário que, tal como o primeiro-ministro, aparenta possuir uma vasta experiência no campo das ONG’s, experiência essa que, segundo o DN, lhe permitiu, através da ONG que actualmente gere com a esposa, fazer alguns ajustes directos com dinheiros públicos a instituições às quais esteve ou está ainda ligado.

Pouco depois desta revelação, ficamos também a saber que a tal ONG – Instituto do Territóriorecebeu um ajuste directo do IPDJ, tutelado pelo Conselho de Ministros que vem a ser presidido pelo ex-subalterno de Rogério Gomes, no valor de aproximadamente 61 mil euros. Segundo nova notícia do DN sobre o caso, esta não foi a única porta que o governo abriu ao seu par social-democrata, responsável pelo programa eleitoral do partido e ex-patrão do actual guia supremo dos sociais-democratas. Já se perderam empregos e enxovalharam outros políticos por menos.

Perante o aparecimento destes dados, o PSD remeteu-se ao silêncio, como é habitual quando casos de natureza clientelista emergem. Uma vez mais através do DN, chegam-nos ecos do interior do PSD que revelam o incómodo que é ter uma figura central na preparação das Legislativas envolta na neblina do favorecimento e da promiscuidade entre política e negócios. Porém, o mesmo DN noticiou ontem que o Conselho Nacional do PSD poderá levantar a legitimidade de Rogério Gomes para continuar a liderar o Gabinete de Estudos e a elaboração do programa político do partido. Tal poderá configurar uma tentativa desesperada de higienização do partido antes dos combates eleitorais deste ano mas, a ser assim, poderá também significar que uma parte dos conselheiros nacionais do PSD percebem que a actual relação Passos Coelho – Rogério Gomes – Governo – PSD é nociva e prejudicial aos objectivos do partido. Quando o próprio partido se sente incomodado, pouco mais haverá a dizer sobre tão bela amizade.

Comments


  1. mais do mesmo… corrupção até fartar!!

    • Rui Silva says:

      Escolher um “amigalhaço” para escrever um programa politico não é em si mesmo um ato de corrupção, até porque esse programa vai ser submetido a eleições democráticas.
      Agora que se diga que essa escolha tem “segundas intenções” isso concordo.
      Mas o que é que as pessoas querem. Enquanto o estado tiver esta função altamente interveniente na economia estas situações tendem a acontecer, tanto sejam partidos de esquerda como do centro. O tamanho do “bolo” justifica tudo.

      cumps

      Rui Silva


      • E viu-me usar a palavra “corrupção” em algum lado?

        Nota: partidos de esquerda, do centro e de direita. Não tente ilibar os seus amigalhaços.

        • Rui Silva says:

          Caro João Mendes,
          O meu comentário era para o comentador de nome maria, não era para si.

          cumps

          Rui Silva


          • Então as minhas desculpas por me ter precipitado. De qualquer forma, se não existem partidos de direita, o que são o PSD, o CDS, o PND e o PNR? São esquerda caviar?

        • Rui Silva says:

          Em relação á sua Nota, também me interpretou.Não pretendo ilibar o meus amigalhaços. Não escrevi partidos de direita porque não os há em Portugal.

          cumps

          RS

          • Rui Silva says:

            Corrijo primeira frase:
            …Nota, também me interpretou mal. Não pretendo…
            Faltou o “mal”.

            cumps

            RS

          • Nightwish says:

            Pois não, pá, o CDS e o PSD são comunistas!
            De direita era o regresso ao século 19, quando as empresas eram donas de cidades e os cidadãos eram escravos da dívida a estas. Isso é que era!

          • Rui SIlva says:

            Caro João Mendes,
            Eu considero o PS e PSD e CDS partidos sociais – democratas ou seja do que considero esquerda, em relação PNR e PND nem me lembravam. E já agora nem sequer os considero porque são partidos que defendem ditaduras , são quanto a mim inqualificáveis.
            cumps

            RS


          • Deve ser isso Nightwish, PSD e CDS devem ser comunistas ahahah daqui a nada os liberais também integram a categoria extrema-direita 🙂

  2. PoetaDoRisco says:

    Este Rogério Gomes é um chico esperto que tem um passado de sacar dinheiro público com ONG que funda e extingue sem deixar rasto.
    Uma delas era a URBE, da qual fui associado e paguei cotizações e comprei publicações sem nunca me terem passado recibo.
    A URBE fazia estudos e na área do urbanismo em autarquias do PSD. Fazia ainda uns cursos de formação profissional muito fraquinhos…
    Alguém sabe o que é feito da URBE? Já nem site na internet tem e desapareceu do mapa.
    O Instituto do Território é o novo golpe do Rogério Gomes para sacar dinheiro público e quando não der dinheiro ele mata-o e arranja outro esquema.


    • Nem um recibo? Ai que marotos estes tipos das ONG’s político-partidárias. Devia escrever sobre o assunto PoetadoRisco, você viveu o esquema mais ou menos por dentro!

  3. Antonio says:

    MTK fraquinhos gente mesquinha que não sabe o k diz nem diz o k sabe


  4. Se estes alertas da tecnoforma e rogeriogomes levarem a discutir com seriedade não eleitoral o problema das inviezadas ongs e fundações que torram muitas verbas em nome dos necesitados que nunca lhes sentem nem o cheiro ficarei muito satisfeito pois acho que o que é importante é mesmo discutir e alertar para esse crime odioso. A conta dos necessitados andar a pagar salarios de cinco mil euros e ajudas de custo que torram o dinheiro dos subsidido sem nenhuma obra feita. Discutam a arvore tudo o que precisem mas por favor não se esqueçam da floresta , porra.


    • Concordo Cristo9. Mas como não me dedico a escrever sobre esquemas a tempo inteiro, tenho que me focar naquilo que me parece relevante actualmente. E este caso parece-me da maior relevância.

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  1. […] está ou esteve ligado, no valor de 242 mil euros. Passos esperava que ninguém dissesse nada, mas a gente disse: uma […]

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