(Mais) Merda nos canos do governo

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Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.

Os períodos pré-eleitorais têm essa vantagem: fazem vir ao de cima toda a podridão e lixo que os partidos do arco da governação vão acumulando nos canos. Na guerra pelo poder, quase nada passa em branco. Mas o cano entupido da direita cada vez mais extrema teima em não aliviar e continua repleto de porcaria, por muito que se tente virar o foco para a canalização dos pares socialistas. Uma investigação do jornal Público revelou hoje que uma empresa do Grupo Salvador Caetano (GSC) terá sido a maior beneficiária das contrapartidas decorrentes de um negócio celebrado entre o Estado português e a Airbus para a compra de 12 aviões C-295. Acontece que a empresa em causa nem sequer existia quando o contrato foi assinado em 2006 e, mesmo assim, conseguiu 292 dos 464 milhões de euros disponíveis, 2/3 do valor total das contrapartidas.

Alegadamente, o esquema terá sido arquitectado por Artur Mendes, ex-conselheiro de imagem de Pedro Passos Coelho, e Miguel Pinheiro, antigo adjunto de Álvaro Santos Silva no ministério da Economia (2012), que terão agido como facilitadores entre as partes envolvidas: governo, Airbus e GSC. O ex-conselheiro de Passos, que exerceu também funções no ministério da Economia a título “informal”, era então sócio de Miguel Caetano Ramos, gestor do GSC, com quem detinha a empresa de comunicação E3C-Caetsu, posteriormente vendida na totalidade à Salvador Caetano. E terá sido o próprio a apresentar ao governo o interesse do GSC em entrar no ramo aeronáutico. Por seu lado, e após passagens pelo gabinete de Santos Silva e pela chefia do gabinete do Secretário de Estado da Inovação, Miguel Pinheiro terá saído do governo directamente para uma das empresas do universo Salvador Caetano, situação considerada por si “normal” e que “não é eticamente questionável“. Engraçados estes políticos, sempre na galhofa.

O Ministério Público está agora a investigar a aparente falta de transparência de todo este processo. Mas a sensação que fica, numa fase ainda muito prematura desta nova polémica, é que existe mais aqui do que mera falta de transparência. A começar pelo estabelecido pela Comissão Permanente de Contrapartidas, que exclui o governo do processo de escolha dos beneficiários das contrapartidas, processo que deveria estar a cargo de entidades independentes, algo que simplesmente não aconteceu. É muita merda nos canos do governo. Serei só eu a achar que tudo isto tresanda a tráfico de influências?

Comments

  1. Nightwish says:

    Isto é que é o tão falado empreendedorismo de sucesso!

  2. José almeida says:

    Isto é Portugal, e de Portugal ninguém cuida. Já viu em algum programa eleitoral com leis concretas contra a corrupção? Não! Nenhum partido ou coligação têm um projecto. O projecto vai ser atacar o que está visível aos ‘ceguinhos’. Mais do mesmo. Os fogachos entre eles vai ser para “embalar” o povo com berros. Portugal é um país primário, vulgar, apático, onde o nojo besunta mas já faz parte. Ironia, seria ver a coligação de novo no poder. Não é um desejo, é um medo real que nos assola. Acho que hoje muita gente tem medo, porque provavelmente as coisas irão ficar na mesmo e aí o medo aumentará. Até lá….. vamos pelo menos gritar contra o medo.

  3. niko says:

    continua a bancarota a funcionar .


  4. Esse ex-dirigente tem um grave problema, apoia incondicionalmente o passos coelho fascista, portanto essa denúncia pode ser dor de corno, que toda a gente sabe ou deve saber o passos é tão corrupto como o outro que esse tal ex-dirigente denuncia.


    • Se te referes à denúncia do Vieira da Silva, ainda que nada esteja provado, a verdade é que as peças encaixam de forma surpreendente!


      • Está mais que provadíssimo, o problema é que é incoerente, parece que o passos é o bom e o outro é o mau. E digamos que é uma grande treta isso. Eu acredito nas denúncias que fez, mas aquilo que diz sobre o passos é engraçado. Dois pesos duas medidas. E o passos é igual ou pior do que o outro.

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