Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.
Enquanto alguns são detidos na Alemanha
Em Portugal não existem sequer indícios de ilegalidades. Como é bom viver num país onde a justiça funciona…
As contrapartidas dos submarinos
Nós compramos dois submarinos e vocês compram-nos azeite, laranjas, sapatos. Constroiem cá uma fábrica de apoio à manutenção dos submarinos, ou juntam-se aos nossos estaleiros. Isto são hipóteses mensuráveis, há ou não fábrica? Há ou não exportações? Mas como a imaginação de quem compra e vende submarinos é prodigiosa, as contrapartidas passaram a ser coisas “leves como a espuma”. Transferência de tecnologia. O que é isso? Nos tempos em que os homens andavam em cima de dois pés, era trazer para cá uma fábrica e/ou produtos que exigiam uma tecnologia que não dominavamos. A fileira dos automóveis é um bom exemplo!
Agora a transferência de tecnologia é coisa nenhuma, se calhar uns livros teóricos, uns engenheiros que vão lá fora às fábricas e estão lá um mês em estágio. Chegados cá, fazem um relatório que ninguem lê e a transferência de tecnologia está cumprida. Nem fábrica, nem associação de empresas, nem novos produtos…
Ontem, em conversa com amigos disseram-me que há empresários que assinaram declarações a dizerem que fizeram muitas transferências de tecnologia, as contrapartidas vão de vento favorável, o Henrique Neto, que é empresário há 50 anos e exportou toda a vida, conhece os meandros, é que não está pelos ajustes e diz que é tudo mentira, um escândalo! Não há contrapartidas nenhumas!
E que tal mandá-los para o fundo?
O Comandante da Marinha, prestes a receber o primeiro submarino, diz que não sabe o que fazer com ele. Óptimo! Já perdemos os milhões do custo, os milhões das contrapartidas, agora temos uma boa hipótese de poupar no combustível. Fundo com ele!
O segundo, deve ser tambem afundado mas cuidado com as marés, é melhor ser afastado do primeiro, não vá haver a tentação de investigar o que deve morrer, singelamente, no seu ambiente natural.
Outro cenário, é usá-los para preparar uma estrutura no fundo do mar para os peixinhos procriarem, que as sardinhas estão a desaparecer a um ritmo superior às contrapartidas.
Outra hipótese, embora possa haver alguma promiscuidade, é juntá-los aos aviões F16 que nunca saíram dos caixotes.
E cá vamos cantando e rindo!
Contrapartidas – só ignorância ?
A síndroma Vale e Azevedo está para durar. Perdida a maioria absoluta, o PS confronta-se com os fantasmas que varreu para debaixo do tapete, não desapareceram, continuam lá.
Agora é o caso das contrapartidas da compra de armamento militar e da frota de aviões da TAP. Um antigo deputado do PS, Ventura Leite ( já não és deputado, portas-te mal…)assinou um relatório onde se levantavam graves denúncias e atropelos ao cumprimento dos contratos. A ele juntaram-se dois empresários ( dos poucos que não têm medo)o Henrique Neto, da Ibermoldes e o Presidente da Autosil, acreditaram nas patranhas, não venderam um tostão furado.
A realização das contrapartidas não chega aos 30%, quer dizer andam, 70% a “ver quem os vai apanhar”, o equivalente a muitos milhões de euros. Submarinos, helicópteros, aviões e outas coisas sem importância e baratinhas…
Tudo a voar ou a ir ao fundo como é próprio de aviões e submarinos!
As compras do Estado e as contrapartidas
A magnifica investigação da SIC sobre as compras do Estado de armamento militar, ultrapassa tudo o que podia pensar. Milhões de euros ao desbarato, sem controlo, como se nada acontecesse, sem responsáveis, atravessando diversos governos.
O total aproxima-se dos 4.000 milhões de euros de contrapartidas, cuja taxa de realização não atinge os 30%, o que quer dizer que o Estado está a ver "submarinos" na ordem dos 2.400 milhões de euros. Submarinos, helicópteros e outras coisas menos visíveis…
As empresas portuguesas foram chamadas a envolverem-se nas negociaçõs, mas logo que a compra se tornou efectiva, foram pura e simplesmente ignoradas. O presidente da Autosil, diz que não facturou um tostão furado e o mesmo diz Henrique Neto da Iberomoldes, que até gastou dinheiro em viagens de negócios. Zero!!!!
Entretanto, há uma comissão ( o que é que havia de ser?) cujo presidente é um diplomata, que sabe tanto de material militar como eu sei de lagares de azeite, mais uns quantos vogais, que à sua conta, só em vencimentos, levam o orçamento todo da comissão que, obviamente, não controla nem fiscaliza nada.
Para que este saboroso caso seja completo, temos uma empresa do Grupo Espírito Santo, a ESCOM, a quem o Estado delegou a responsabilidade de intermediar o negócio, e que após os contratos assinados nunca mais se interessou pelo seu cumprimento. O mesmo Espírito Santo que se senta ao lado dos representantes do Estado na PT, e em outras empresas muito nossas e todas a favor do povo.
Claro que é o Estado que tem que tratar dos seus interesses e não quem anda na vida a ganhar dinheiro, isto é como dar o código ao assaltante do cofre forte. Ultrapassa tudo, é uma vergonha, a ponto de Henrique Neto dizer que a Ibermoldes foi contactada diversas vezes, pelas empresas vendedoras, a "fazer de conta" que tinha facturado muito, utilizando facturas de outros negócios, para assim darem as contrapartidas como realizadas.
O Estado está nas mãos de um gang de malfeitores!







Recent Comments